terça-feira, 29 de julho de 2008

Estes olhos de ressaca...

Sinto que muitas vezes crio meus problemas. Invento, satirizo, ojerizo, me caracterizo e só concluo que o problema de verdade, é o excesso de pensar.

Sendo fruto da classe média quase proletária, onde os pais deixam como maior dote a educação dos filhos, sou o típico exemplo de uma geração que apareceu para ser orgulho e gozar das oportunidades que as raízes familiares não tiveram: desde os mais estúpidos concursos de desenhos de gibi as traumatizantes coleções de poesia da quarta série, sem falar na coleção de dezenas da bendita carteirinha escolar (sim, tudo se passou nas décadas de 80 e 90), fui, o que um amigo satirou de "a filha que todo pai queria ter..."

Segui todas as regras impostas, transgredi as que foram criadas exatamente para isso e inventei outras tantas que acreditava ter apareciam por designação "divina" do sistema... rs rs rs... tolo protótipo presunçoso da perfeição...

Hoje, revendo alguns dos autores que mais admiro, tiro de Clarisse a justificativa de sempre querer justificar ("Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.") e saúdo Machado por relevar uma das características mais instigantes e (porque não) desejadas de alma feminina... ah, este olhos de ressaca...

Por mais que já não tivesse julgado, ou tão somente destratado, hoje somente desejo para mim tal caracterização. Na esperança de acordar "Capitu", não pela suposta moral deflagrada, mas pela possibilidade dos atos ambíguos, desejos despertados, e a inconsequência de um olhar que não mensura tal tormenta que possa gerar; ... quero hoje ser desconhecida pelos meus atos, minhas regras, minhas crenças... quero simplesmente ser meu desejo, por mais sujo ou nobre possa parecer e assim ser a onda cava e profunda que ameaça avançar e tudo tragar e simplesmente esquecer o pensar.



O QUE É? O QUE É? DEUS....



Este mundo globalizado, sem fronteiras de tempo e espaço ficou mesmo complicado até mesmo de entender, quem dirá de se viver.
Pois vejam o caso da Alice que namorava há mais de dois anos o Pinóquio, acreditando que estava no País das Maravilhas. Tsc. Tsc. Tsc. O Haiti não é aqui...
Foi surpreendida por uma mocinha que se fantasiava de princesa, mas na verdade era uma ogra. Fiona foi por muito tempo a melhor amiga de Alice. Trabalhavam juntas. Almoçavam juntas.Viajavam juntas. Saiam pra dançar juntas. Parecia uma amiga e tanto. Daquelas quase irmãs que dividia tudo. Só não sabia Alice que Fiona queria um pedaço até mesmo do seu namoradinho Pinóquio. E por muito tempo não acreditou que traição fosse possível em ambientes encantados como da Disney. Bobagem: tudo é possível, sempre. Até nas situações menos prováveis. Afinal, Fiona era noiva de Shrek, com aliança e tudo, castelinho comprado, casamento marcado. E Pinóquio nunca foi lá estas coisas: nem muito bonito, nem muito inteligente, nadinha rico e, cá entre nós, o nariz era a única coisa que realmente crescia no corpinho dele de forma significativa, o resto era pra não causar nem diabete nem pressão alta, sabe? Sem sal nem açúcar. Mas como o bolo do vizinho é sempre mais gostoso eis que alice quase se fantasiou é de Bambi, tamanhos os galhos na cabeça quando descobriu que Fiona estava traindo a amiga com o próprio namorado, o tal Pinóquio. A decepção foi tanta que Alice pediu uma cartela de Prozac que a Bela Adormecida usava para dormir sete dias e sete noites na tentativa de esquecer. Foi um divisor de águas na vida de Alice, que naquele momento teve vários paradigmas quebrados e vários zaps na testa: era a realidade nua e crua. O tempo foi passando, chegou o Natal e com ele o perdão. Alice não mais se sentia triste com Fiona nem com o Pinóquio, que tocaram suas vidas adiante, felizes e enamorados. A indiferença tomou conta por muito tempo do coração de Alice. A música que ela mais ouvia na época era aquela do Arnaldo Antunes: "Socorro, eu não tô sentindo nada..... Socorro, alguém me empresta um coração, que este já não bate nem apanha...." Até que chegou o dia de ontem.
No escritório que eles trabalham, coincidentemente no mesmo departamento os três (Alice, Fiona e Pinóquio), apareceu no painel de avisos o convite de casamento de Fiona com Pinóquio. E um turbilhão de sentimentos tomou conta do coração de Alice. Não era ciúmes. Era inveja. Alice não é de ferro. Mas sobretudo, mais importante que todas as coisas, era a nova concepção de Deus que Alice pôde perceber:
Deus não é um mega juiz formado pela Sâo Francisco que fica de camarote olhando a vida das pessoas como se assistindo Big Brother e fazendo planos de ação para castigá-las ou beneficiá-las de acordo com o merecido. Não! O catecismo definitivamente explicou tudo errado! Deus não é uma pessoa. Deus é uma fonte inesgotável de energia. E é esta energia que move a vida das pessoas. Que nem se aprende na Engenharia que a energia do carro é o combustivel, a energia dqas pessoas é Deus. É Joule. E físico. É verdade. E quando se acredita piamente numa verdade, num sonhom se reverte energia para que tudo dê certo e tudo seja digno de um final feliz. Sim: é mais importante a consciência que a reputação. Consciência é aquilo que você acredita sobre voc~e. Reputação é o que as pessoas pensam sobre você. Mas a sua real energia que te move, que te faz realizar, é provinda da sua consciência e não da sua reputação. Portanto é verdade que no amor e na guerra vale tudo. Sim, Alice jamais ficaria com a consciência tranquila no lugar de Fiona e portanto jamais seria feliz pois não produziria Joules positivos pra isso. Mas Fiona sim. Fiona vê o mundo de outro jeito. Pois assim como as impressões digitais, cada um de nós vê o mundo de um jeito. Absolutamente ninguém o vê da mesma forma. E isto é mágico!
A questão é: Pinóquio e Fiona viveram felizes para sempre.
E Alice também. Pois só pelo fato de entender realmente o mecanismo da vida e da felicidade e mudar sua concepção de Deus, ela já sai cantando aquela música do Rappa que tem o refrão que diz "Valeu a pena, ê, ê".

quinta-feira, 24 de julho de 2008

GÊNESIS



Alguém poderia filmar determinadas situações.
Pra lá na frente, quando olharmos pra trás não cometermos a atrocidade de esquecermos de situações pelas quais passamos. E sobrevivemos. Assim era a situação de Alice.
A menina, 10 kg acima do peso, R$100 negativa na conta, há um mês morando de novo com os pais pois perdeu todas as fichinhas apostadas em um relacionamento, sem ter seu apartamento onde morava só e num sonho de juventude independente, dívida do carro que tem um ar condicionado super bacana que ela nunca usou, verbas destinadas às baladas revertidas em sessões de terapia e prestes a um ataque de nervos.
Afinal, não é fácil ser Alice num país que não é das Maravilhas.
Não é fácil ser poeta numa vibe de atleta.
Não é fácil é a música que Alice mais gosta da Marisa Monte.
Mas Alice vaga pensante pelo reino encantado da Paulista.
E pensa: talvez este seja um bom momento de criar um blogspot. Já que as náuseas causadas pelos traumas de Orkut ainda permanecem.
Então ela liga para a amiga Lucy mas não consegue se animar muito. Parece que Lucy está cansada destes meninos "Charles Brown" que insistem em ficar dizendo "Que puxa!" ao invés de fazerem algo realmente útil à humanidade.
É melhor que façam algum exame de sangue para ver se este descontentamento não se trata de ausência de vitaminas.
Alice também decide que não quer mais ser loira.
Enfim, o blog existe. Difícil é fazer dele um conto de fadas se formos contar a história verídica das personagens.
Ainda estamos decidindo, enquanto escritoras, se casamos ou compramos uma bicicleta. Se fazemos poemas, crônicas ou ficção científica.
Aguardem! O primeiro passo foi dado: bem-vindos ao sarau da vida!