quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Eureca uma ova!

A aula de Inovação de hoje foi praticamente discorrer o texto que li neste fim de semana, enviado pela hermana Lullys:

Folha de São Paulo
27/11/2011
OPINIÃO

Figura do herói inovador solitário é somente um mito

Todas as grandes invenções são filhas de pais espalhados pelo mapa e que jamais se encontraram

VACLAV SMIL
DA “ATLANTIC”
Gosta-se de imaginar que a invenção surge como percepção repentina, o equivalente ao súbito deslocamento de água observado por Arquimedes que deu origem a uma das mais famosas interjeições gregas, "eureca!".

Essa história é um mito. A narrativa de heroísmo tem pouco a ver com a maneira pela qual a invenção (criação conceitual de um novo produto ou processo) e a inovação (difusão em larga escala de invenções comercialmente viáveis) funcionam.

Todas as grandes invenções são filhas de pais espalhados pelo mapa e que jamais se encontraram. Talvez nada ajude tanto a detonar o mito do "heroico inovador solitário" quanto a história da eletrônica moderna.

O primeiro transistor foi patenteado em 1925, por Julius Lilienfeld. Em 1947, Walter Brattain e John Bardeen, cientistas dos Bell Labs, amplificaram potência e voltagem por meio de cristais de germânio, mas seu transistor -o de ponto e contato- não se tornou a peça essencial da eletrônica moderna -o que ocorreu com o transistor de efeito de campo de junção, que foi conceituado em 1948 e patenteado em 1951 por William Shockley.

O papel da fundação da eletrônica moderna coube ao silício, que é cerca de 150 mil vezes mais comum que o germânio na crosta terrestre.

Nesse ponto outra invenção essencial entra na história. O silício semicondutor precisa ser ultrapuro, para ser modificado por meio de um processo que acrescenta pequenas impurezas para alterar sua condutividade.

A fim de reduzir os custos de produção da bolacha de silício, o cristal do qual as bolachas são fatiadas precisa ser relativamente grande. Isso conduziu a novos métodos de purificação de silício (pureza de 99,9% se tornou comum) e a métodos engenhosos de obter grandes cristais.

A história da produção de cristais começou em 1918, quando o polonês Jan Czochralski, descobriu como converter material policristalino de extrema pureza em um cristal único. Procedimentos para criar cristais maiores foram introduzidos no início dos anos 50 por Gordon Teal e Ernest Buehler, nos Bell Labs. Depois, Teal se tornou diretor de pesquisa e desenvolvimento da Texas Instruments, onde uma equipe liderada por Willis Adcock desenvolveu o primeiro transistor de silício, em 1954.

A disponibilidade de silício abriu caminho para a instalação de número imenso de minúsculos transistores em bolachas de silício, resultando nos primeiros circuitos integrados (Robert Noyce e Jack Kilby, em 1959).

Depois, foi preciso encontrar uma maneira de depositar uma camada atômica de cristais de silício (façanha do grupo liderado por Alfred Cho nos Bell Labs, em 1968), antes que um grupo da Intel (Marcian Hoff, Stanley Mazor e Federico Faggin eram seus principais integrantes) conseguisse produzir o primeiro microprocessador (essencialmente, um computador em um único chip), em 1971.

SEM TV

O total de transistores em um chip cresceu de 2.300 em 1971 a mais de 1 milhão em 1990 e mais de 2 bilhões em 2010. Colocar tantos transistores em um chip para produzir computadores seria inútil sem que alguém desenvolvesse uma linguagem de máquina para transmitir instruções de processamento.

Quem fez algumas das mais importantes contribuições para isso foi Dennis Ritchie, criador da linguagem de processamento C, que resultaria na Java e no Unix.

Ritchie morreu poucos dias após Steve Jobs, da Apple. Não houve especiais de televisão e o epíteto "gênio" não lhe foi atribuído pelos canais de TV. Ritchie foi "apenas" um entre centenas de inovadores cujos projetos, desenvolvidos por milhares de colaboradores e por investimentos de bilhões de dólares, por décadas, foram combinados.

Há, sim, momentos eureca e alguns inventores deram contribuições individuais espetaculares. Mas prestamos atenção demais a alguns poucos e de menos aos muitos momentos de inovação significativa que vêm depois.

VACLAV SMIL é professor da Universidade de Manitoba (Canadá)

Tradução de PAULO MIGLIACCI.


domingo, 27 de novembro de 2011

Equação

E eu sou mera equação, tentando ser simplificada, querendo dar resultado e cheia de incógnitas.
E das piores. Trancedental...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

E SE O PAPAI NOEL SE CHAMASSE JOSÉ?

Sim, porque o Papai Noel está fudido.

Certeza que não deu tempo de fabricar tudo que precisava.
Os meus projetos atrasaram.
Os seus projetos atrasaram.
Os projetos dos outros também atrasaram.
Mas e os do Papai Noel?
Este sim está na roça...
Porque o ano VÔOU!



E SE O PAPAI NOEL SE CHAMASSE JOSÉ?



E agora, José?
O ano acabou,
A luz se instalou,
O povo nem viu,
Em Novembro esfriou,
E agora, José?
e agora, Você?
Você que tem nome
Sabe o sonho dos outros
Você que tem renas,
Que só chega pra festa?
E agora, José?

Está sem os brinquedos,
Perdeu sua roupa vermelha,
Bateu seu trenó,
já não pode voar,
já não pode entregar,
ho ho ho já não pode,
porque você engordou,
não cabe na chaminé,
o duende não veio,
o material não chegou,
a Barbie acabou,
tudo acabou,
demanda subiu
oferta baixou
E agora, José?

E agora, José?
o ano passou,
num instante de lebre,
nem a carta chegou,
O Correio em greve,
e os tantos pedidos,
de presente infantil,
você não fabricou,
PQP, - e agora?


Com o ... na mão
Diz que não dá
pra atender os pedidos
nem dos pobres
nem dos ricos
porque o grande ofensor
Foi tempo que voou,
José, e agora?

Se você escalasse
Se você pedisse ajuda
Pro Coelhinho que fosse
Se inventasse
Que não pode vir
Nem no dia, nem depois
Porque veio a falecer
Mas você não morre
Você é eterno, José!

Sozinho no Pólo Norte,
atrasou seu projeto,
sem cronograma,
sem gestão PMO,
não fez os brinquedos
não leu nem as cartas
porque o ano voou...
Melhor inventar que nunca existiu
Ou então que fugiu, José!
José, para onde?

Leader Training

O Leader Training foi uma das coisas mais importantes que aconteceram em minha vida.
Esta música sempre me faz sentir de novo, como no minuto seguinte que sai de lá, outra Ana, mais viva, mais esclarecida e com toda certeza de que nasci pra ser feliz.
A tradução desta canção retrata muito o que o Leader Training fez por mim.
É, sem dúvidas, uma lucidez silenciosa.
Uma viagem longa e profunda, sem drogas, sem daime, sem nada. Um mergulho dentro de si mesmo para encontrar tudo que sempre procurou.
A chance de começar de novo, diferente.

 
 
Tradução da música SILENT LUCIDITY
 
Lucidez Silenciosa



Silêncio agora, não chore,
Enxugue a lágrima do seu olho.
Você está deitada a salvo na cama,
Foi tudo um sonho ruim
Rodando em sua cabeça.
Sua mente te enganou para sentir o sofrimento
De alguém próximo a você abandonando do jogo da vida.
Então aqui está, outra chance:
Totalmente desperta, você encara o dia...
Seu sonho terminou ou ele apenas começou?
Existe um lugar onde eu gosto de me esconder,
Uma porta em que eu adentro à noite.
Relaxe criança, você estava lá
Mas apenas não percebeu e ficou assustada.
É um lugar onde você aprenderá
A encarar seus medos, reconstituir os anos
E dominar os caprichos de sua mente,
Governando num outro mundo.
Repentinamente você ouve e percebe
Esta nova dimensão mágica.


Eu estarei cuidando de você,
Eu vou te ajudar até o fim.
Eu te protegerei na noite,
Estou sorrindo próximo a você, numa lucidez silenciosa.

[Visualize seu sonho]
[Grave-o no tempo presente]
[Coloque-o dentro de uma forma permanente]
[Se você persistir em seus esforços]
[Você pode conseguir o controle do sonho]
[Controle do sonho]
[Como ficou então, melhorou?]
[Me abraçe]


Se você abrir sua mente para mim,
Você não dependerá de olhos abertos para perceber [que]
Os muros que você construiu por dentro
Estão desmoronando e um novo mundo começará
A viver duplamente logo que você aprenda.
Você está a salvo da dor no domínio do sonho,
Uma alma livre para voar.
Uma viagem de ida e volta dentro da sua cabeça,
Mestre da ilusão, você consegue imaginar?
Seu sonho está vivo, você pode ser a guia mas

Eu estarei cuidando de você,
Eu vou te ajudar até o fim.
Eu te protegerei na noite,
Estou sorrindo próximo a você.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Inovação @Casa do Saber

Comecei ontem um curso diferente, sobe INOVAÇÃO, na Casa do Saber (www.casadosaber.com.br)

Como bastante gente tem curiosidade de saber como tem sido, decidi compartilhar.

"Festa estranha, com genter esquisita...". Brincadeira. Lugar bacana, tive aula no 3º andar. No térreo tem uma Livraria da Vila, que já é um lugar que exala cultura. As pessoas são bem diversificadas. Tem eu de 30, e uma senhora que passava dos 70, certamente. Homens, mulheres, jovens e velhos, descabelados e de peruca. A sala era a Azul: poltronas, puffs e sofás azuis (nada de carteiras nem mesas), tipo uma salona bem confortável. No canto da sala um carrinho com água, suco, algo pra beliscar e vinho. Eu e o Lu tomamos vinho pra abrir a mente (rs).


O professor é o João Furtado. Deixa eu dar uma pesquisada no currículo dele aqui no Google, ”pêra”.

O economista João Furtado é professor do Departamento de Engenharia da Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Também coordena o Diretório da Pesquisa Privada e o Observatório de Estratégias para a Inovação, projetos contratados pela Finep e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Fundou, em 1991, e coordenou, de 1998 a 2003, o Grupo de Estudos em Economia Industrial (GEEIN), na Unesp. O cara é bom!


Resumo do que aprendi:


Numa época em que falamos tanto de Inovação, não seria interessante saber a origem de seu conceito teórico? É a isto que se dedica a primeira aula do curso.
Estudamos como definia o sistema capitalista Schumpeter, um autor do século 19, austríaco que foi um visionário ao publicar um livro há cem anos atrás que dizia algumas coisas que somente nos dias de hoje nos parece óbvio.
Aparentemente ambíguo pois, numa época em que ainda se discutia qual o modelo econômico que sobreviveria, ele não apostou que seria o capitalismo. Porém, era do capitalismo um admirador por ser capaz de produzir fluxos crescentes de riqueza.
Ele foi o precursor da Inovação, defendendo que são as coisas novas que geram reação e movem o mundo.


“A dificuldade não está em vender novas idéias. Está em fazer os Homens abandonarem suas idéias antigas”.


(Schumpeter)


Schumpeter era um herege de sua época e não vendeu se quer 500 exemplares de sua primeira publicação.

Seu principal rival era Keynes, muito mais conhecido, compreendido e estudado. Quem nunca ouviu falar da escola Keynesiana? A teoria econômica que consiste numa organização político-econômica fundamentada na afirmação do Estado como agente indispensável de controle da economia, com objetivo de conduzir a um sistema de pleno emprego.
Já Adam Smith tinha como "núcleo normativo" do liberalismo clássico a ideia que economia conseguiria criar uma ordem espontânea ou mão invisível que beneficiaria a sociedade.
E Schumpeter acreditava num capitalismo movido por Inovação: evoluímos e enriquecemos à medida que grandes rupturas na sociedade são promovidas por mudanças técnicas (=inovações).
Exemplo: quando inventamos a roda, quando substituímos cavalos por estradas de ferro (trens), inserção dos carros no dia a dia das pessoas, a Eletricidade, a Internet, etc.
Ele estava preocupado em estudar as “grandes ondas” da história da humanidade, enquanto os outros, analisavam de forma mais micro o ano após ano ao longo do tempo.


Resumidamente defendia 6 pontos:


1) Uma dinâmica baseada na Inovação.
São pequenos pontos na história que se sustentam ao longo de muitos anos. Exemplo: eletricidade.

2) Quem faz a diferença é o empreendedor e não necessariamente o capitalista (“dono do dinheiro”).
Na verdade o capitalista (“dono do dinheiro”) tenderá a financiar o empreendedor (“dono da idéia”) pois é nele que está a capacidade de rentabilizar ainda mais seu capital.
O que move o sistema, o que possibilita o dinâmico progresso é o indivíduo empreendedor.

3) O poder de mercado (e o monopólio) como virtude.
O melhor meio (mais adequado e provável) para permitir arriscar é o PODER. Quanto mais poder tem uma empresa, mais pode arriscar e portanto mais contribuirá para o progresso técnico.

4) O papel do crédito e sua criação.
Para que se promova idéias, é preciso ter dinheiro. Portanto o crédito é fundamental. Sem crédito entramos no que o autor chama de Estado Estacionário, um estado medíocre sem inovação e sem lucro. E que despertará quando um louco diz: “As pessoas vão andar sobre rodas!”

5) A transformação como norma de funcionamento do sistema – negação do equilíbrio.
Ao contrário de outros pensadores que pregam o equilíbrio como responsável pelo funcionamento do sistema capitalista, Schumpeter crê que o sistema é uma máquina de mudanças (gostemos ou não) e o capitalismo só existe por conta das revolucionárias rupturas.

6) O bem estar crescente como desígnio.
O propósito sempre será ganhar mais dinheiro através de inovações massificadoras. O nylon é a seda que todo mundo pode comprar.

Enxergar tudo isto há 100 anos atrás era verdadeiro vaticínio (profecia). Ainda assim, na opinião dele não seria o capitalismo o sistema predominante e permanente.
Também, em alguma coisa o cara tinha que errar, né?
Ou será que um dia isso muda e ele é mais visionário do que podemos enxergar hoje?
#VaiSaber.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

“Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos...”




Hoje cedo uma grande amiga e referência me mandou o texto abaixo para expor sua opinião sobre a peça que fomos nesta semana, aquela que o Eduardo Sterblitch insulta a platéia como método de chocar para refletir. Na opinião dela esta escolha dele tem tudo a ver com a pouca idade e imaturidade, pelo fervor da juventude, excesso de coragem e falta de bom senso que o faz errar na mão (na opinião dela). Concordo em partes. Concordo que é fruto de ser mais jovem, tipo “rebelde sem causa” e é este o ponto que faz o link com o texto abaixo, que fala dos playboyzinhos da USP que sonhavam em ser presos políticos.
Fiquei lembrando da minha década passada. Nariz mais empinado, muito mais bocuda, sindicalista, obstinada por ter minhas ideologias.
Hoje, sou mais uma conformista sem causa.
Será que deixar de ser rebelde pra ser regrada, contida e madura é evolução boa?
Hoje vi uma criança de rua no caminho do trabalho e lembrei da minha professora da 3ª série. Um dia ela disse: “Enquanto a gente pagar pra empregada no mês o mesmo tanto de dinheiro que se gasta num tênis pro nosso filho, pode acontecer do filho da empregada matar o seu pra roubar o tênis.” Lembrei disso. Lembrei. Sei lá porque. Ou sei. Porque aos 9 anos de idade era lindo pregar esta bandeira socialistinha, era lindo fazer um desenho Proteja a Floresta Amazônica, era lindo ser de esquerda. Vinte anos depois estou eu aqui: uma adulta trivial. Comprando Nike e negociando desconto com a minha diarista, já que ela não passa roupa.Larguei a poesia pela Engenharia. Tô aqui pensando que não tem jeito, vou ter que concordar com a construção da Belo Monte e não dá mais pra votar no PT. Puta merda.
Sou uma conformista sem causa.


E agora, José?



#Texto FOLHA DE SP - 23/11/11Conformistas sem causa - ANTONIO PRATA




Semana retrasada publiquei aqui um texto criticando os alunos que ocupavam a reitoria da USP. Ao terminar de escrevê-lo, me senti aliviado, como se houvesse tirado um peso das minhas costas. Nos dias que se seguiram, recebi uma quantidade enorme de e-mails elogiosos e, sobretudo, empolgados.
Quase duas semanas depois, mensagens continuam a chegar e meu alívio passou a ser pinicado por uma suspeita: será que não há um ânimo exagerado em nossa condenação àqueles estudantes? Sigo concordando com os argumentos que expus na coluna, mas percebo que no fundo de nossa -ou, vá lá, da minha- indignação, pulsa menos um incômodo do que certa felicidade; uma satisfação secreta diante dos jovens equivocados. Por quê?
Li neste domingo, numa "New Yorker" antiga, uma matéria sobre Rimbaud. O poeta francês que, entre os quinze e os vinte anos, mudou a história da literatura -e depois foi ser comerciante na África, sem jamais escrever novamente um único verso. Qual a explicação para um artista tão talentoso ter abandonado seu dom, tão cedo? Uma das possíveis respostas é colocada na boca de Verlaine -amante do "enfant terrible"- pelo romancista Bruce Duffy, no livro "Disaster Was My God": Rimbaud teria desistido da poesia simplesmente porque cresceu.
Sua escrita, embora formalmente impecável e laboriosamente trabalhada, dependia da rebeldia adolescente, da vontade de destruir as instituições e lugares comuns, de viver todas as experiências simultaneamente e fazer do próprio corpo o epicentro do mundo.
Quem aí já não teve sentimentos semelhantes, mesmo que em menor grau, em algum momento entre a primeira espinha e o primeiro holerite? Quem aí não sente, mesmo que em menor grau, que abandonou parte de seus anseios de juventude em troca do comércio -profissional, social, afetivo- da vida cotidiana?
A poesia de Rimbaud -como, aliás, toda grande poesia- nos lembra das infinitas possibilidades escondidas sob essa fina coberta que, com afinco, esticamos todas as manhãs sobre nossas ambições frustradas, nossos sonhos calados por covardia ou, pior, por preguiça.
Os jovens, vez ou outra, também ameaçam a frágil segurança de nossas certezas. Na semana passada, estiveram por quatro vezes na capa deste jornal: um rapaz descendo uma viela da Rocinha, com uma prancha de surfe embaixo do braço, uma turma banhando-se na lama, no festival SWU, garotos e garotas enfrentando a polícia em Nova York e Milão. Esportes radicais, rock'n'roll, revolta: mesmo que você ache tudo isso uma bobagem, impossível ignorar a centelha, a pergunta que nos fazem aquelas imagens: será que não nos acomodamos? Será que estamos tirando da vida o máximo que ela pode dar?
Aí é que, para nosso alívio, surgem os invasores da reitoria: ao vê-los, tão equivocados, podemos crer que toda rebeldia é burra, que sonhos são coisa de quem usa pochete e exibe fotos do Mao Tsé-tung. Satisfeitos, confirmamos nosso acerto, validamos a segurança da vida adulta contra as inquietações da juventude, a troca da poesia pelo comércio -profissional, social, afetivo-, que realizamos todos os dias.
Nada melhor que rebeldes sem causa para dar sentido ao nosso conformismo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Minhas Sinceras Desculpas" de Eduardo Sterblitch

Ontem fui assistir à peça “Minhas Sinceras Desculpas” de Eduardo Sterblitch.

Para quem esperava uma noite de gargalhadas comuns num stand up, foi uma decepção.
Para quem compreendeu a crítica, gerou reflexão.
Eu me encaixo nos dois casos. Ri menos que imaginei e refleti muito mais do que pensei.
Se antes eu era fã do cara pelas macaquices que ele faz e muito bem no Pânico, agora vai muito além disto: admiro sua audácia e inteligência.
É muito mais profundo que eu imaginava.
De uma forma nada sutil ele faz uma crítica à sociedade frente a cultura (ou falta de) e ao capitalismo selvagem.
Por n vezes rotulou o público como um “público burro” ou “de ricos nojentos”.
São muitas as alfinetadas. E entendi o porquê de tantas críticas negativas à peça que li antes de ir, pesquisando pra comprar (e quis literalmente pagar pra ver).
Mas eu gostei. Muito. Valeu muito a pena.
A parte da crítica aos “burgueses nojentos” não pegou pra mim. Penso bem parecido com ele quanto a me enojar com os esteriótipos de sucesso que a sociedade impõe. Frequentemente choro por dentro vendo pessoas que só têm, mas não são... um dia viro hippie.
Mas o que pegou pra mim foi a crítica ao consumo de cultura.
“Qual a graça e desgraça que há no riso de um banguela”, sabe?
Aqui, eu reconheço a minha culpa, minha tão grande culpa.
Realmente muitas vezes me divirto às custas de um produto barato e mal feito que a TV nos oferece: o próprio Pânico, por exemplo.
Eu gosto de assistir. Eu me distraio e rio um bocado com alguns quadros. Mas fazendo uma análise bem racional da coisa, o Pânico na TV é um misto de rir da desgraça alheia (como os casos da Gorete, Zina e Edinéia Macedo), S.A.M. – Serviço de Atendimento ao Machismo (Panicats), imitações baratas, enfim, tem um quê muito pequeno de humor inteligente.
Por essa e outras que num determinado momento da peça parei de rir. Não porque estava odiando, mas estava pensando.
Num espectro de cultura, não me considero lá no extremo ruim. Não suporto Ratinho, não escuto funk, odeio novela. Gosto de boa música, seja num bar da esquina ou num show do U2, adoro freqüentar teatro (já fui sozinha algumas vezes e não assisto só Stand Ups), vejo filmes, escrevo, leio Super Interessante ao invés de Cláudia, tenho um blog, conquistei bons diplomas e aprecio diferentes culturas (preferindo ir pra lugares roots conhecer gente a comprar bota em Campos do Jordão).
Ainda assim me senti mal.
Resultado: vou tomar mais cuidado com o que consumo, culturalmente falando. E com certeza, quando eu tiver um filho, esta reflexão fará toda a diferença na educação dele.

Se até Pokemons evoluem, porque não você?

Uma vez eu assisti a um filme que se chamava Profecia Celestina.

Como engenheira, poderia resumi-lo assim: basicamente as pessoas vivem em diferentes camadas, mesmo que num mesmo mundo, de acordo com a sua evolução espiritual. Bem parecido com o conceito de camadas OSI em Redes de Computadores.
Imagine o seguinte cenário: Pinacoteca no centro de São Paulo.
O mamífero A é um espírito não evoluído e ao caminhar na parte externa da Pinacoteca avista algumas prostitutas, urubus e chão sujo.
O mamífero B que já passou algumas fases na evolução, se encanta com a fonte d´água, com o cantar dos passarinhos e com as árvores centenárias da praça.
É o mesmo lugar. Mas formas de ver bem distintas.
Porque tudo nesta vida é a forma que se vê, que se sente, que se fala, que se age.
Independente de qual seja sua fé ou religião, não se pode duvidar da energia. Energia, sabe? E=mc^2? Energia que a gente aprende em física? Então. É igual a gravidade: independente de você acreditar ou não, ela existe e você vai cair. Assim também é a energia, o poder de atrair e de repelir.
Seja uma pessoa mais feliz e verá as pessoas mais bonitas.
Seja mais simpático que poderá usufruir da hospitalidade das pessoas bacanas do mundo.
Seja mais grato a Deus e encontre a beleza que em geral é maior que os defeitos dos lugares.
Afinal, o bem sempre predomina.
Se você vai a um lugar que a maioria gosta e se diverte menos você, provavelmente não adiantará mudar o roteiro...
Vale lembrar daquela velha frase: “Se o destino lhe der um limão, faça uma limonada”.
Até por que não uma boa caipirinha???

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O que quero ser agora que cresci

O meu post de hoje foi inspirado pelo vídeo do desabrochar das flores.

Em plena crise dos trinta e há pouco mais de um ano para o fim do mundo (rs), decidi o que eu quero ser agora que cresci.
Quero ser feliz.
Feliz. Independente do que a vida me proporcionar, já que é uma caixinha de surpresas.
Por todos estes anos até o dia de hoje, fiz minha listinha de sonhos pro Ano Novo que eram super “de exatas”: quero entrar na Federal, quero me formar Engenheira, quero uma promoção no meu trabalho, quero morar sozinha, quero fazer a festa de aniversário dos meus sonhos, quero um emprego que me proporcione uma carreira, etc.
Neste ano farei diferente: Quero ser feliz.
Porque se eu colocar que quero o certificado de PMI, emagrecer 20 kg e estudar inglês, talvez seja tudo igual ao que era antes. E não que fosse ruim, mas sinto que pode ser melhor.
Ser feliz. Simples assim.
Quando alguém fala de mim e sem querer eu escuto, sempre é assim: “A Ana é super esforçada.” Não quero mais. Quero mudar. Quero ouvir: “A Ana é super feliz.”
As leituras do Budismo me remeteram também a este desafio, de ser feliz em qualquer condição. E quando vejo pessoas extremamente simples e simplistas felizes, penso no quanto posso estar sendo tola em meus desejos.
Quando eu vi o filme “The Secret”, que basicamente fala que temos o poder de tornar realidade nossos sonhos, fiz uma viagem com um velho amigo. Pra mim ele é uma das pessoas mais leves e felizes que eu conheço. E lembro-me que perguntei a ele: “Pascoal, Você idealiza as coisas? Sonha? Faz o “the secret” acontecer em sua vida?”
E ele me respondeu que não. Que ele simplesmente vivia e era feliz. Sem pensar nem planejar muito. Ainda brincou: “Talvez se realmente é preciso que alguém mentalize coisas boas para que aconteçam, alguém mentaliza pra mim. Sou mero coadjuvante.”
Ele nunca foi um acomodado.
Ele nunca foi um insatisfeito.
Ele deixa muito pra lá o que os outros podem pensar.
Ele quer que se dane os esteriótipos de uma pessoa de sucesso na sociedade (ainda tem um Elba mesmo tendo salário de classe A).
E nossa, ele é feliz.
Um exemplo de amizade, amor, paternidade, de princípios, de tudo que é bom e essencial ao coração.
Acho que neste ano novo que está por vir, vou testar o novo: ser menos insatisfeita, menos obcecada por coisas terrenas, aceitar a vida como ela é, e ser ainda MAIS feliz.


Acho que enfim, desabrochei.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Onde as crianças dormem: CONTRASTES DA HUMANIDADE

ames Mollison viajou ao redor do mundo e decidiu criar uma série de fotografias mostrando os quartos infantis que foi enfim compilada em um livro, intitulado Onde as crianças dormem. Cada par de fotografias é acompanhada por uma legenda estendida que conta a história da criança. As diferenças entre cada espaço do sono é impressionante. Mollison nasceu no Quênia em 1973 e cresceu na Inglaterra. Depois de estudar arte e design na Universidade de Oxford Brookes, e cinema e fotografia em Newport School of Art and Design, ele se mudou para a Itália para trabalhar no laboratório criativo da fábrica da Benetton.
O projeto tornou-se uma referência de pensamento crítico sobre a pobreza e a riqueza, sobre a relação das crianças com as suas posses -ou a falta delas.
O fotógrafo espera que seu trabalho ajude outras crianças a pensar sobre a desigualdade no mundo, para que, talvez, no futuro eles pensem como agir para diminuir esta diferença.




Lamine, 12 anos, vive no Senegal. As camas são básicas, apoiadas por alguns tijolos. Aos seis anos, todas as manhãs, os meninos começam a trabalhar na fazenda-escola onde aprendem a escavação, a colheita do milho e lavrar os campos com burros. Na parte da tarde, eles estudam o Alcorão. Em seu tempo livre, Lamine gosta de jogar futebol com seus amigos.



Tzvika, nove anos, vive em um bloco de apartamentos em Beitar Illit, um assentamento israelense na Cisjordânia. É um condomínio fechado de 36.000 Haredi. Televisões e jornais são proibidos de assentamento. A família média tem nove filhos, mas Tzvika tem apenas uma irmã e dois irmãos, com quem divide seu quarto. Ele é levado de carro para a escola onde o esporte é banido do currículo. Tzvika vai à biblioteca todos os dias e gosta de ler as escrituras sagradas. Ele também gosta de brincar com jogos religiosos em seu computador. Ele quer se tornar um rabino, e sua comida favorita é bife e batatas fritas.


Jamie, nove anos, vive com seus pais e irmão gêmeo e sua irmã em um apartamento na quinta Avenida em Nova Iorque. Jamie frequenta uma escola de prestígio e é um bom aluno. Em seu tempo livre, ele faz aulas de judô e natação. Quando crescer, quer se tornar um advogado como seu pai.


Indira, sete anos, vive com seus pais, irmão e irmã, perto de Kathmandu, no Nepal. Sua casa tem apenas um quarto, com uma cama e um colchão. Na hora de dormir, as crianças compartilham o colchão no chão. Indira trabalha na pedreira de granito local desde os três anos. A família é muito pobre para que todos tenham que trabalhar. Há 150 crianças que trabalham na pedreira. Indira trabalha seis horas por dia além de ajudar a mãe nos afazeres domésticos. Ela também freqüenta a escola, a 30 minutos a pé. Sua comida preferida é macarrão. Ela gostaria de ser bailarina quando crescer.
 


Kaya, quatro anos, mora com os pais em um pequeno apartamento em Tóquio, Japão. Seu quarto é forrado do chão ao teto com roupas e bonecas. A mãe de Kaya faz todos os seus vestidos e gostos -Kaya tem 30 vestidos e casacos, 30 pares de sapatos, perucas e um sem contar de brinquedos. Quando vai à escola fica chateada por ter que usar uniforme escolar. Suas comidas favoritas são a carne, batata, morango e pêssego. Ela quer ser cartunista quando crescer.


Douha, 10, mora com os pais e 11 irmãos em um campo de refugiados palestinos em Hebron, na Cisjordânia. Ela divide um quarto com outras cinco irmãs. Douha freqüenta uma escola, a 10 minutos a pé, e quer ser pediatra. Seu irmão, Mohammed, matou 23 civis em um ataque suicida contra os israelenses em 1996. Posteriormente, os militares israelenses destruíram a casa da família. Douha tem um cartaz de Maomé em sua parede.


Jasmine (Jazzy), quatro anos, vive em uma grande casa no Kentucky, EUA, com seus pais e três irmãos. Sua casa é na zona rural, rodeada por campos agrícolas. Seu quarto é cheio de coroas e faixas que ela ganhou em concursos de beleza. A garota já participou de mais de 100 competições. Seu tempo livre é todo ocupado com os ensaios. Jazzy gostaria de ser uma estrela do rock quando crescer.
A casa para este garoto e sua família é um colchão em um campo nos arredores de Roma, Itália. A família veio da Romênia de ônibus, depois de pedir dinheiro para pagar as passagens. Quando chegaram em Roma, acamparam em terras particulares, mas foram expulsos pela polícia. Eles não têm documentos de identidade, de forma que não conseguem um trabalho legal. Os pais do garoto limpam pára-brisas de carros nos semáforos. Ninguém de sua família foi um dia para a escola.


Dong, nove anos, vive na província de Yunnan, no sudoeste da China, com seus pais, irmã e avó. Ele divide um quarto com a irmã e os pais. A família tem uma propriedade que permite cultivar quantidade suficiente de seu próprio arroz e cana de açúcar. A escola de Dong fica a 20 minutos a pé. Ele gosta de escrever e cantar. Na maioria das noites, ele passa uma hora fazendo o seu dever de casa e uma hora assistindo televisão. Dong gostaria de ser policial.


Roathy, oito anos, vive nos arredores de Phnom Penh, Camboja. Sua casa fica em um depósito de lixo enorme. O colchão de Roathy é feito de pneus velhos. Cinco mil pessoas vivem e trabalham ali. Desde os seis anos, todas as manhãs, Roathy e centenas de outras crianças recebem um banho em um centro de caridade local, antes de começar a trabalhar, lutando por latas e garrafas de plástico, que são vendidos para uma empresa de reciclagem. Um pequeno lanche é muitas vezes a única refeição do dia.


Thais, 11, mora com os pais e a irmã no terceiro andar de um bloco de apartamentos no Rio de Janeiro, Brasil. Ela divide um quarto com a irmã. Vivem nas vizinhanças da Cidade de Deus, que costumava ser conhecida por sua rivalidade de gangues e uso de drogas. Thais é fã de Felipe Dylon, um cantor pop, e tem pôsteres dele em sua parede. Ela gostaria de ser modelo.


Nantio, 15, é membro da tribo Rendille no norte do Quênia. Ela tem dois irmãos e duas irmãs. Sua casa é uma pequena barraca feita de plástico. Há um fogo no centro, em torno do qual a família dorme. As tarefas de Nantio incluem cuidar de caprinos, cortar lenha e carregar água. Ela foi até a escola da aldeia por alguns anos, mas decidiu não continuar. Nantio está esperando o seu moran (guerreiro) para casar. Ela só tem um namorado no momento, mas não é incomum para uma mulher Rendille ter vários namorados antes do casamento.


Joey, 11, mora em Kentucky, EUA, com seus pais e irmã mais velha. Ele acompanha regularmente o seu pai em caçadas. Ele é dono de duas espingardas e uma besta, e fez sua primeira vítima -um cervo- quando tinha sete anos. Ele está esperando para usar sua besta durante a temporada de caça seguinte. Ele ama a vida ao ar livre e espera poder continuar a caçar na idade adulta. Sua família sempre come carne de caça. Joey não concorda que um animal deve ser morto só por esporte. Quando não está caçando, Joey freqüenta a escola e gosta de ver televisão com o seu lagarto de estimação, Lily.

sábado, 12 de novembro de 2011

A religião e o sexo

Incomoda-me um bucado palestras de kabbalah que custam R$300,00, palestras de introdução ao Budismo a R$70,00 a hora, obrigatoriedade de dízimo todo mês, pagar pra entrar em Igreja do século sei lá o que repleta de ouro, médium que cobra cem conto pra te revelar o futuro. Sei lá. Pra mim tem coisas que são como o sexo: se você cobrar, não me convence que é por amor.

A propósito, isto não é venda casada???!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Vida Loka

Ontem almocei com uma amiga super querida que será mamãe em alguns meses.
Na hora que nos despedimos e fomos embora me deu uma saudade dos nossos 18 anos... Hoje ela trabalha na EDP, exatamente o mesmo lugar onde ministrei treinamento de PABX quando tinha 18 anos, na época que era Eletropaulo. E na época que eu a conheci também.
Nos conhecemos no Etapa, numa época que eu cogitava estudar pra passar em Engenharia na Unicamp. Não cheguei se quer a me inscrever no vestibular: arranjei um emprego que me pagava o dobro que eu ganhava na época e em seis meses de cursinho prestei Fei e fui pagar minha faculdade trabalhando. Mas o que me deu saudade mesmo foi da época do Etapa. Como cursinho é legal! Porque só tem professores engraçados por lá?? Não eram aulas! Eram stand ups!
Em amigas éramos 4: Marla, Dani, Lu e eu.
Tínhamos 18 anos as 3. A Lu tinha 17 e foi mó aventura o dia que a levamos "clandestinamente menor de idade" pra um Sex Shop que tinha perto pra ela ver como que era. Hahaha!
Mas o que realmente me chamou a atenção foi lembrar como eram nossos planos aos 18 anos e o que aconteceu com cada uma de nós:
A Marla estava no segundo ano de cursinho porque queria fazer Medicina. Se formou na Fei pouco depois de mim em Engenharia e abandonou trainee mega promissor porque descobriu que sua realização e felicidade é ser mãe. Já é mamãe e vai ser mamãe de novo. Detalhe: mega bravinha, rebelde, comia cenoura durante as aulas. Era a última que apostaríamos ser a mãe master da turma.
A Dani foi pra concorrência, Engenharia na Mauá mas saiu depois de alguns anos e decidiu se formar em Economia. Almejou trabalhar na área de riscos de um grande banco, conseguiu! De todas, a que tinha menos paciência com crianças. Certeza. E acabou de ter um bebê lindo! E se tornou uma mãe maravilhosa.
Certeza.
Eu me formei em Engenharia Elétrica e após ter degustado do sabor de ter um chapéu branco em obras que trabalhei, vim pra Marketing que tem muito mais minha cara. Hoje mesmo uma colega disse que eu sou uma Engenheira Fake, que sou de Humanas e faço poesia. Ainda não tenho filhos, mesmo podendo ter e justamente eu que aos 18 pesei terminar um namoro de 3 anos porque queria casar Sandy e meu ex dizia não saber se queria ter filhos. Como não ter filhos? Aos 24 quero ser mãe! - eu pensava. Hoje, 30 e ainda é muito cedo pra pensar nisto...
A Lu chorava que não tinha a menor idéia do que queria da vida. Me faz lembrar aquele trecho do Filtro Solar que diz: "Se você ainda não sabe o que quer da vida, não se desespere. As pessoas mais interessantes que conheci na vida aos 40 ainda não sabiam..." Lembro da Lu chorando que não sabia nem o que prestar no vestibular! No fim foi a advogada da turma, com direito a OAB com louvor e há alguns meses trocou um cargo mega glamuroso numa gigante multinacional pra poder ter uma qualidade de vida melhor, poder ser mãe, filha, esposa, talvez ganhar menos mas com certeza aproveitar muito mais. E foi com ela que fui almoçar, gravidíssima, linda. Vai ser mamãe quase junto com a Marla.

Vocês perceberam?
Tudo, tudo que por hora tínhamos como projeção de futuro foi muito diferente do que realmente aconteceu em nossas vidas.
Simplesmente porque nessa vida nada é certo, nada é fixo. "Tudo muda o tempo no muuuuundo! Não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo: agora há tanta vida lá fora e aqui dentro sempre como uma onda no mar... E nada do que foi será..."
Foi bom pensar nisso tudo.
E pensar que não vale MESMO a pena se preocupar taaaaaanto hoje com o dia de amanhã. Muito, MUITO provavelmente não será como você PENSA que te faria feliz. Com certeza será de uma forma que realmente te FAÇA feliz, porque você não se boicota, você mudará quantas vezes for necessário.
Preocupe-se com um dia de cada vez.
E o que hoje parece TÃO essencial pra você talvez nem seja essencial amanhã.
Não lhes parece mágico este universo de possibilidades?

domingo, 6 de novembro de 2011

Porque eu sou contra as drogas?

Quando o tema é droga, não consigo flexibilizar muito não. Está além dos meus limites e da minha capacidade de entendimento. 
Já que uso o espaço do meu blog para me comunicar, vou tentar explicar o porquê eu sou tão xiita contra as drogas:


1. É ilícito
Acredito de verdade que regras são feitas para serem quebradas. Mas leis existem para serem cumpridas.
É ilegal o uso de drogas no Brasil.
No meu entendimento, se você é contra este tipo de medida, você deve ser um ativista da causa e lutar para que isto deixe de ser ilícito. Talvez você lute uma vida inteira e ainda não seja o suficiente. Outras gerações ainda precisem lutar. É assim mesmo. Foi assim com coisa muito mais crítica como a democratização do Brasil. 


2. É egoísta
Extremamente egoísta. Não faz parte de mim acreditar que cada um deve buscar sua felicidade e foda-se a do próximo. Minha fé, minha crença, me faz acreditar que quando você age desta maneira, você cria diversos carmas pelos quais terá que pagar mais cedo ou mais tarde.
A minha fé diz: de boa intenção o inferno está cheio. O que realmente conta são suas ações.
E se alguém não entendeu ainda porque você usar drogas prejudica o próximo, aconselho que assista ao filme Tropa de Elite 1. Ele pode explicar muito melhor que eu que quem financia parte do mal do mundo (todas as derivadas do tráfico de drogas) é quem USA a droga. 
Quer assumir este risco? Fabrique, ao menos, sua própria droga então. É o mínimo.


3. É maléfica
Drogas fazem mal à saúde.
Que todo mundo vai morrer, todos sabemos. Mas atravessar a rua sem olhar pros lados não é morrer. É se matar. 
Na minha opinião quem usa drogas se mata um pouquinho todos os dias.
E mais uma vez a minha fé me faz crer que um ser humano que se mata pagará por isto, por ter desperdiçado sua chance, sua vida. 
Isto se torna mais forte ainda em mim, quando vejo pessoas queridas lutando pela vida. Com um câncer, por exemplo. E eu penso em tantos outros que eu conheço que têm saúde e nem ligar de jogar isso no ralo.
Especificamente a maconha, há quem diga que não faz mal. Eu acredito na medicina. E no que vejo em pessoas que usam maconha. Acredito que faça mal. Muito mal. Ao pulmão, ao cérebro, à boa conduta, à alma.
Se me perguntarem: mas e o álcool?
Realmente. Concordo. Por isto não bebo.
E cigarro?
Concordo. É droga Por isto não fumo.
E Ratinho?
Igualmente. Também não assisto.
E Justin Beaber?
Não escuto.
Preservo "meu templo", meu corpo. Que foi um presente de Deus para minha vivência aqui na Terra. Usar drogas, pra mim, é não estar nem aí pra isto.


4. É um atestado de fraqueza
E todos nós seres humanos temos fraquezas.
Com certeza eu tenho as minhas. E se fosse perfeita, não estaria, por exemplo, gorda. Minha fraqueza hoje é comida. Mas comida não é ilícita e nem egoísta, pelo menos. E pra quem não me conhece tão bem, sou gorda de "arroz,feijão". Quero dizer que não me entupo de doces e conservantes e que meus exames de colesterol e outras coisas estão ok, apesar do sobrepeso. Óbvio que tenho que me emagrecer para melhorar minha saúde, mas não estou me matando não. Mas não estou me esquivando de minhas responsabilidades não! Me trato e tento todos os dias emagrecer, comer menos e mais saudavelmente. Tento tratar minha fraqueza e não me orgulho de tê-la.
Agora das pessoas que conheço que fumam um, ou tomam um ácido de vez em quando ou sempre, sei lá, não conheço nenhuma que tenha chegado a este nível de consciência de entender que é sua fraqueza.
Ao contrário, falam sem maiores problemas do quando acham divertido, tentam empurrar aos mais próximos e já presenciei cenas absurdas de tentarem batizar a bebida da galera. Inaceitável.
Pior que fracos, burros.
Não entenderem se quer que têm um problema, então não estão nem perto de solucioná-los.
O que mais me irrita é que, amigo bicho grilo de verdade, só tenho um.
E amigo que fuma maconha tenho um monte.
Tenho dó. Dó porque bicho grilo pode até ser um cara legal. O cara que fuma em casa pra ele, sem ter que usar isso como ferramenta de auto-afirmação pro mundo. Bicho grilo, sabe? O mesmo que plantava maconha no vaso pra não financiar o tráfico? Sei lá. Menos mané.
Agora tem a maioria que fuma porque é legal, porque é da tribo, pra ser aceito, pra ter história pra contar (como se não fosse possível ter história pra contar são, sóbrio), enfim, esse cara, esse usuário, sinto muito, tenho dó. 
Tenho dó porque os dias mais felizes da minha lembrança, são sóbrios: na infância, o dia da festa da minha formatura, meu noivado, meus aniversários, festas, casamentos, etc etc etc. 
É possível ser feliz sóbrio.
Tem muita coisa boa em nossa realidade para nos fazer felizes. Não precisamos alterar nosso estado de consciência com drogas. Boas gargalhadas resolvem.


5. Pode te fazer escravo (grandes chances)
Droga é perigoso.
Não consigo entender o porquê das mídias não explicarem exaustivamente como funcionam as drogas no corpo. Só pode ser pelos motivos que o Tropa de Elite 2 apontam: convém ao Sistema ter drogados no mundo. Foda-se.
Lembro de uma única novela que tratou com clareza do tema:
Usar droga é o mesmo que brincar de roleta russa. Isto porque, usando pela primeira vez, se você tiver propensão genética de ser um viciado, você se tornará escravo e dificilmente conseguirá parar de usar a bendita droga. É genético! Não tem a ver com a força de vontade nem com a vontade de cada um ("ah, vou usar uma vez e nunca mais"). Talvez você não tenha esta chance, talvez a primeira desencadeie um vício e não uma vontade e o problema será muito maior.
Acho absurdo que mesmo sabendo disto, tantas pessoas experimentem!
Eu tô fora. 
Sou livre e não aceito nada que me aprisione.
Não arrisco, não arriscarei.
Que é prazeroso, não tenho dúvida nenhuma. Mas as conseqüências e cenário de tudo que expus acima, não faz fazer sentido pra mim uma coisa destas.


E embora remédio, bebida alcóolica, tabaco sejam também prejudiciais ao ser humano, as 5 razões acima JUNTAS é  que me faz REPUDIAR drogas.
É um conjunto que me faz ter, definitivamente, esta opinião xiita de DIGA NÃO ÀS DROGAS!