segunda-feira, 29 de julho de 2013

"Onde o mundo faz de conta, a Terra é quase o céu!"

Em uma das vezes que liguei pra casa da pequena Julia, de 11 anos, uma  garotinha guerreira que luta contra a doença Amiotrofia Espinhal Progressiva tipo 1, já entendi o quanto ela é especial. Com o intelecto totalmente preservado e com uma família abençoada que se preocupa muito na socialização da criança, a Julia pode entender tudo que acontece à sua volta. Com o olhar, soletra as palavras e se comunica, de forma surpreendente com os pais, tia e enfermeiras. Afalbetizada, adora jogos de tabuleiro e entende as regras sem dificuldades. Ainda que precise de ajuda para segurar as cartas, ou para mexer as pedras sobre o tabuleiro de acordo com as suas ordens, esta é sua brincadeira preferida. Na TV, adorava Carrossel. Assistiu todos os capítulos e ainda revia (e revê até hoje) todos os capítulos no Youtube. E foi daí que saiu a inscrição do grande sonho de sua vida junto à Make a Wish: Conhecer a Professora Helena.
Ela contou pra mãe que a Professora Helena era sua personagem preferida porque sonhava em ir para a escola... 
E assim se fez.
Porque tudo aquilo que verdadeiramente sonhamos, se faz realidade, mais cedo ou mais tarde...
A Julia não poderia viajar ao encontro da atriz Rosanne Mulholland. Mas "se Maomé não vai à montanha, a montanha vem a Maomé." A querida Rosanne aceitou realizar o sonho da pequena Julia. E hoje, 29 de Julho de 2013, foi o grande dia. 
Eu cheguei na frente para ajudar na organização de uma festinha, de uma tarde de brincadeiras coma Julia, que é festeira que só ela. Só de falar que receberia visitas e seria uma festinha, ela já ficou super animada e feliz. A tia Nice contou que ontem ela disse que estava feliz. E a tia perguntou: "Porque?". E ela soletrou "amanhã". E ainda nem passava pela cabecinha da Julia que esta festa teria uma visita MAIS que especial: a professora Helena! Confesso que eu, como voluntária, também estava aflita hoje pela manhã, quando vi que a lista de convidados da Julia era grande, bem menos "petit" que eu pensei. Era mais ou menos do tamanho do coração da família da Julia: enorme! A mãe Juliana, pedagoga, trabalha meio período com educação infantil e cuida da Julia na parte da tarde. A tia Nice, irmã da Juliana, psicóloga, trabalha de tarde e cuida da Julia de manhã. O pai Gilberto, trabalha em 3 empregos como segurança para dar à família toda estrutura que precisam. A Julia é filha única, sobrinha única, neta única. E por isso já dá pra entender de onde vem tanto amor e tanto cuidado: sempre de batom, cabelo arrumadinho, unhas pintadas. Ela mesma que escolhe a cor dos esmaltes. Linda. Uma boneca. Desde a hora que acorda tem todo cuidado das enfermeiras. O banho ao som de "Pai Nosso" confesso que me comoveu um bocado. :,)
Desde o dia que eu liguei pra Juliana e disse que eu tinha conseguido um dia de folga e que eu iria para BH, e recebi um grito de felicidade do outro lado do telefone, fazendo festa, já me senti completamente acolhida. De repende me vi tão esperada quanto a celebridade (rs). Ontem, ao sair à noite de SP, o SMS da Juliana me desejando "Boa viagem. Venha com Deus". A energia é tão boa que sinto com uma aura em volta de mim. Cheguei logo cedo, antes das 8h da manhã. O Gilberto, pai da Julia, que tinha chegado do outro emprego às 6h da manhã, já estava saindo pro outro. Nem era certeza que conseguiria voltar pra festinha, pra ver a felicidade da Julia com a professora Helena. Talvez se um amigo o rendesse na hora do almoço. Fui recepcionada com um café quentinho, pão de queijo e rosquinha da roça, onde moram os tios e avós da Julia. Vovó e vovô não puderam vir. Muito carinho mesmo. Enchemos bexigas com o maior cuidado do mundo pra não estourar (a Julia tem medo - e eu também. Rs-), enfeitamos a festinha com tema do Carrossel (pratinhos, toalha da mesa, chapeuzinhos, copinhos e painel, fora o CD do Carrossel que não saiu do Repeat a festa inteira!), brigadeiros, lanchinhos naturais, cachorro quente (lá em Minas a salsicha é picadinha no molho e não inteira como em SP - e nem tem purê que a Rosanne não gosta. Ufa!), docinhos, pipoca. Uma festa de verdade. Que nem Carnaval fora de época em Salvador, era festinha fora de época pra Julia em BH, que faz aniversário em Janeiro. Mas a festa era pra celebrar do jeito que a Julia mais gosta: com bastante gente. A mãe sempre deixou claro que este é o jeito da Julia: tudo que é dela é dos outros. Então chegaram pra festa alguns primos, algumas pessoas que ajudam ou ajudaram a cuidar da Julia, amigos e de repente a casa estava cheia. Antes da Rosanne chegar na casa, quando faltavam uns 15 minutos para a grande surpresa, chamei todas as crianças na sala pra conversar com os pimpolhos; mais ou menis uns dez. Comecei a dizer: "A tia precisa contar um segredo e pedir uma ajuda pra vocês. Primeiro vou contar porque a tia está aqui: a Julia tem um grande sonho. Que é conhecer a Professora Helena do Carrossel. Todo mundo aqui tem sonho. E todo mundo aqui vai ter o seu grande dia. O dia mais feliz da nossa vida porque realizará um grande sonho. A Julinha não pode viajar. Vocês podem. Vocês podem andar de avião, ir pra longe... ". - Nisto fui interrompida por um dos meninos, de uns 6 anos mais ou menos, que levantou a mão e disse: "Tia, eu também não posso porque me cago de medo!" Kkkkk. Foi risada geral. Aí o outro garotinho já começou a dizer que ele não tinha medo não, que andava até de caça... Rs. E eu continuei a explicar: " então quero que vocês façam de conta que são as crianças do Carrossel. Sem fazer feio. Ajam com naturalidade. Sem ficar pegando na Professora Helena, sem ficar tirando foto, sem pedir nada, porque hoje a Professora Helena está vindo aqui na Casa da Julia pra conhecer a Julia. Vocês só estão aqui porque a Julia gosta muito de vocês. Mas não vale roubar esse momento da Julia. Combinado?"
E todos concordaram. E assim fizeram. A festa foi uma delícia!
O mais novinho deles, que nem sabia falar, um ano e poquinho, olhava pra Professora Helena ali sentada do lado da Julia, e apontava pro Pôster do Carrossel atrás dela como quem diz: "Olha , você aqui, você lá!" Rs. A outra menininha, de uns 3 ou 4 anos, perguntou pra ela: "Mas como você saiu da Televisão?!" Hahaha! E ela pôde explicar como funcionavam as câmeras e tal.Foi muito divertido. 
Todos tiraram foto com a Julia e a Professora Helena. A Professora Helena comeu, tomou suco, jogou Uno só com a Julia, ganhou dela, perdeu dela. Foi entrevistada: a Julia perguntou se ela era casada, se tinha filho e se ela trabalhava. Tudo com os olhos. A mãe e a tia sabendo entender o que pra nós, reles mortais, parecia impossível. O exato momento da chegada da Professora Helena fez com que a Julia ficasse vermelhinha, que nem um pimentão! Igual a mãe descreveu que aconteceria. Os batimentos cardíacos a mais de 140. Pura emoção. Difícil de ver, mas totalmente possível de acreditar. 
Era a realização do sonho da Julia.
Aqueles 90 minutos foram, com certez a, os 90 minutos mais felizes da vida da pequena. 
E um momento inesquecível de todos que a amavam e estavam ali compartilhando aquele momento.
A carinha da melhor amiga, a Mariana, que mora na casa dos fundos da Julia e é sua melhor amiga, não tinha preço. Era a felicidade de ver a professora Helena somada com a felicidade de ver a amiguinha feliz. Todos os dias a Mariana de manhã toca flauta pra Julia. Lindamente! Ela tocou pra eu ver. E também lê histórias lindas pra ela. Hoje ela levou uns 6 livros quando chegou. Uma amizade que se vê ser de verdade. Mãos que não se largam...
A Rosanne Mulholla nd ganhou meu coração. Um doce de ser humano e linda! Atenciosa por demais com todas as crianças e sobretudo com a Julia. Chegou, colocou um vestido "a la Professora Helena" e transfornou a vida da Julia. Priceless!
Foi perfeito.
A Rosanne Mulholland que já se questionou, como vi numa entrevista, se a profissão de atriz poderia fazer alguma "diferença" para a humanidade. tenho certeza que hoje pôde ver que sim. Que faz. A energia move o mundo! E por trás de um personagem como o da Professora Helena, quantas lições DE VIDA não são passadas para estas crianças que a tem como ídolo? 
No vôo de volta lembrei de uma vez que a Juliana me contou que levou a Julia pra conhecer o metrô de BH. E um senhorzinho pouco esclarecido, com uma Bíblia embaixo do braço, disse pra ela e pro Gilberto que "aquela criança precisava de um milagre". E o pai, mais que depressa corrigiu: "Ela já é um milagre!"
Hoje foi emocionante. Pois pudemos ver um milagre de perto...


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Just be honest.

Neste final de semana assisti ao documentário que se chama I AM.
O nome foi a resposta de um grande pensador do mundo atual quando lhe perguntaram "qual a causa de tantas dores no mundo?". Achei bárbaro. Mas mais bárbaro ainda foi o desfecho, que supunha que a solução para todos os males do mundo somos nós também.
Em meio ao documentário, fez-se a pergunta que sempre existiu dentro de mim: "Nossa essência é naturalmente boa ou má?" Quero dizer: se não houvesse religião, lei, 'ninguém olhando', o ser humano tenderia ao que? Ao bem ou ao mal? Se ele pudesse, de fato, escolher por sua essência? E o documentário fala que somos bons. Que o amor está em nosso DNA. E eu fiquei tão feliz! Fato: tem muita gente boa no mundo. Bem como aquele comercial da Coca-Cola, que fala "que somos a maioria."
Mas acho que estava com uma visão muito perfeita da coisa. 
Outro dia sonhei com dois números, falei pras minhas amigas, jogamos na mega sena e naquele concurso eles foram sorteados. 17 e 18. Inesquecível. Uma pena que não sonhei com os outros 4 que precisava. Fui tão pretensiosa que cheguei a pensar: "será que estou me tornando uma pessoa melhor e ganhei super poderes de Deus?" E refleti que quando eu era adolescente, eu me arrependia de tanta coisa, fazia tanta presepada... Magoava irmã, xingava mãe, fofocava coisa aqui ou falava mal ali, e vivia pedindo perdão pra Deus. Sábado fui à missa. E me senti tão pura e tão em contato com Deus, que comunguei. A Make a Wish, a forma como me relaciono com meus amigos, familiares, estranhos, no trabalho, meu marido... Passei a régua e me senti tão do bem, sabe?
E estive pensando nisto desde então. Mas nos últimos dias tive a certeza, por pensamentos e até mesmo atitude, que eu erro. Que eu peco. Eu julgo. Que eu sou absolutamente humana. Pacote completo: lado bom e mal. Negro e branco. Yin Yang. Muito longe de ser um espírito evoluído. Talvez por isso sonhei só com dois números premiados. Hahaha! 40% lá!
Somos bons. Não ótimos. 
A grande questão está em ser forte.
E eu sou forte.
Imperfeita, porém forte. E se até Pokemons evoluem, porque não eu?
E isto é a certeza de que estamos no caminho certo da evolução, já que ninguém veio a esta vida à passeio. 
Pensamentos poderão sempre se tornar turvos ao longo de nossa vida. Por vezes você pode até errar. Mas é na sua atitude diante do erro que está a sua fortaleza e a sua grandiosidade.
É fácil não roubar se você não está passando fome.
É fácil doar aquilo que você tem sobrando, a roupa que não te serve mais, o brinquedo que não se usa.
É fácil devolver o troco que não fará diferença no seu orçamento do mês.
É fácil não trair sua esposa com uma pessoa que não balança seu coração nem mexe com seu libido.
É fácil praticar a tolerância com quem é legal.
É fácil dar a mão e abrir um sorriso pro estranho dentro da Igreja. 
Tudo isto são coisas corretas e não tem menos valor por serem mais fáceis. Muita gente, infelizmente, está tão longe de ser o que precisamos ser, que nem isso conseguem fazer.
Mas para aqueles que jà passaram do Básico 1, para àqueles que não têm dificuldade nenhuma em não roubar e não matar, a vida a de mostrar que o caminho é um pouco mais longo que isto.
E temos que ser fortes.
Fortes em nossa caminhada da evolução.
Não fazer a ninguém o que não gostaria que fizessem com você (ou mais "romanticamente" dizendo, amar ao próximo como a ti mesmo). Ser a mudança que quer ver no mundo.
"Ter bondade é ter coragem!" - já dizia Renato Russo.
Busque nos verdadeiros amigos e pessoas de bem a ajuda que precisa para ser forte nos momentos difíceis. 
E não se esqueça que sempre seremos julgados com a mesma intensidade com que julgamos. Pegar leve com os outros, é melhor pra você mesmo, um dia. Erre, mas corrija. Não julgue quem, por fraqueza, já errou. 
Seja forte.
Pensando que ser forte é simplesmente ser bom. 

A verdadeira fortaleza se mede nos maiores momentos de fraqueza. 


sábado, 6 de julho de 2013

"Sonho parece verdade, quando a gente esquece de acordar...Ah e o mundo é perfeito!"

Hoje fui agraciada com mais um dia especial, mais um sonho realizado.

Depois de uma semana de muitas ansiedades e dúvidas, com direito à dor de barriga e tudo, era real, estava lá: o Guilherme, firme, forte, realizando o sonho que esperou por mais de 2 anos. Conheceu todo o time do coração, o SPFC inteiro!

Até o ÚLTIMO momento eu não tinha certeza se tudo seria como sonhamos, e isto quase espremia meu coração. Mas como sempre, tudo acabou bem no final. Dizem que se ainda não deu certo, é porque ainda não chegou o fim... acho que é isto mesmo. Todo o time, até o Ganso, já tinha passado por nós, com fotos e autógrafos... A dedicatória completa do Lucio na camiseta do Gui, com “Jesus te ama” e tudo, mas de repente vi o Rogério Ceni saindo “pelos fundos”, não passaria pelo Guilherme, justo ele, o preferido do nosso guerreiro. Não desisti. E num minuto de oração pedi que não fosse daquele jeito. Minutos depois o segurança chamou o Guilherme na recepção., o Juca, assessor de imprensa do SPFC,  ajudou a gente: o Guilherme  foi levado ao Reffis (Reabilitação e Fisioterapia) onde estavam os maiores ídolos. Na porta, um aviso que dizia: “ÁREA RESTRITA. ACESSO PERMITIDO SOMENTE A ATLETAS E PROFISSIONAIS DO REFFIS.” Esqueceram d e dizer que “sonhadores” também entram....

Este foi o ápice do dia do Guilherme. O encontro com o Ceni.

O meu foi quando a mãe do Gui, a Renata, no almoço, me contou que a primeira vez que nós da Make a Wish ligamos para ela, ela estava brigando feio com o ex marido, pai do Guilherme, discutindo sobre como pagar a prótese de sua perna. E após nossa ligação tudo mudou. O sonho do Guilherme e sua felicidade é o que realmente importava e a paz aconteceu. Isto é o que a Make a Wish faz: TOCA as pessoas. TODAS. As que têm seus sonhos realizados. As que ajudam a realizar. A sociedade. A família. O time do São Paulo. Os amigos do Guilherme. Os meus amigos. O Guilherme. A super mãe Renata. O dono do restaurante que concedeu uma celebração incrível. A garçonete que nos atendeu maravilhosamente mesmo sabendo que 10% de nada é nada. É isto que realmente importa. Que paremos TUDO de vez em quando pra lembrar o que realmente importa.

E eu termino meu dia com um choro. Meio de alívio, meio de alegria. Lembrando de como eu olhava o Guilherme o dia todo, com a mesma admiração com que ele olhava para os seus ídolos. Acho mesmo que tenho ganhado ao longo da vida novos ídolos, conhecendo pessoas como o Guilherme: desde seu nascimento lutando contra a Neurofribromatose. Desde o útero, um guerreiro. Em 2009 tirou o olho esquerdo... 25 de Junho, no mesmo dia do meu aniversário de 30 anos e da morte do Michael Jackson. Em 2011, amputou parte de uma das pernas e como um verdadeiro campeão hoje anda perfeitamente sem cadeira de rodas, sem muletas, completamente adaptado à sua prótese e sem querer a nossa ajuda. “Sem Reffis”. Não é o máximo? Aos 16 anos, me pergunto quanta maturidade tem por tudo que já passou. Me vem aquela frase do Mario Quintana na cabeça: ” A felicidade bestializa, só o sofrimento humaniza as pessoas ”...

O Guilherme trabalha meio período da tarde, de manhã faz o 2º ano do Colegial e a noite o curso técnico profissionalizante de Automação. Isto pra mim é mais vitória que todos os títulos do São Paulo juntos: SUPERAÇÃO. A mãe reclamou que ele chegou ontem às 3h da manhã, onde estava com os amigos, feliz, comemorando, celebrando a vida, no Pagode. No Facebook se vê milhares de amigos ao lado dele, o tempo todo. O amor da família. Uma vida linda!

Obrigada a todos os amigos que fizeram deste sonho do Guilherme realidade. O destino soube selecionar muito bem o merecedor.

SONHO, do Teatro Mágico descreve perfeitamente esse turbilhão de emoções, hoje.


“Eu não pareço meu pai
Nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa
Mas a incerteza traz inspiração
Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem sorriso que parece choro
Tem choro que é pura alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia
Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem aquele que parece feio
Mas o coração nos diz que é o mais bonito
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais...”