Certa vez, num destes retiros visando auto-conhecimento, passei pelo processo de regressão na busca de entender qual a minha missão de vida.
Para quem já viveu algo parecido, sabe do que estou falando quando me refiro a um zilhão de emoções e pensamentos que se passam dentro de nós neste momento. Para mim foi meio como estar completamente embriagada sem ter tomado absolutamente nada. Algo sempre difícil de descrever. Ainda mais difícil, compreender. A cena que eu via era de dezenas de pessoas que apareciam sorrindo, pessoas que amo, outras que eu nunca havia visto na vida, mas todas sorrindo, muito e incessantemente.
Elas não riam pra mim.
Elas não riam de mim.
Elas simplesmente sorriam e eu as avistava, com uma felicidade imensa por vê-las daquele jeito.
Sai do retiro completamente frustrada. Qual seria minha missão de vida? Ser Patati Patatá? Dentista? Trabalhar na Colgate?
E por anos não compreendi.
Há 3 dias atrás recebi uma ligação da ONG a que faço parte. Era um rush wish. Ou seja, um sonho urgente a se realizar. A sobrevida da criança é pequena. E tudo aquilo soava como uma bomba-relógio dentro de mim. Pra dar um toque ainda maior de emoção, o sonho era de conhecer O Todo Poderoso Timão. Meu time do coração. Em poucas horas eu já tinha contato de dois Conselheiros, um jogador e um ex-jogador do Corinthians. Fora da esposa do Neto. Além da Assessoria de Imprensa. Mas o sonho não saia! Não recebíamos a confirmação numa agonia sem fim.
Fui insistente. Talvez chata, seja a palavra. Não me conformava que o sonho com o meu time do meu coração seria o sonho que partiria meu coração.
Hoje pela manhã consegui. Autorizaram que levássemos o nosso pequeno Wagner no CT do Corinthians.
Na foto, a riqueza daquele momento: por debaixo da máscara, o sorriso, o olhar, o sorriso... o sorriso... Toda a felicidade do mundo que tive ao ver este sorriso!
Acho que hoje uma das fichas mais importantes da minha vida caiu.
Hoje eu compreendi minha missão de vida....
.."Mas enquanto estou viva e cheia de graça,
Talvez ainda faça um monte de gente feliz!..."
(Rita Lee)
Ser Alice é não ter medo do espelho, nem do que há por de trás dele.. Ser Alice é ver e buscar o lado bom de tudo, enquanto o resto do mundo tenta convencê-lo de que a vida não é um conto de fadas... Ser Alice no País das Maravilhas é clichê, mas ser Alice no País do Futebol, requer uma dose extra de romantismo e sensibilidade...
quinta-feira, 23 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
Porque verde é ESPERANÇA!
Sábado tive uma experiência enriquecedora: conhecer o Gabriel e o Inayã Kaique, dois sonhadores de 5 e 20 anos, respectivamente.
Há mais de dois anos atrás registraram seu sonho de conhecer o Time do Palmeiras. E dia 11/05/13 foi o grande dia!
Já antes das oito estávamos nos encontrando com eles, eu com o Kaique num Hotel da Consolação e a Cinthia, amiga voluntária, em Santo André, para pegar o Gabito e sua mãe. Eles moram na Casa Ronald, do Projeto Ronald MC Donalds que dá assistência às pessoas que estão em tratamento de câncer (pra quem não acredita no MC Dia Feliz, ta aí uma boa prova de que pequenos gestos repercutem grandes resultados). O Gabriel já aí dá o enredo pra este "filme" como sendo de comédia, nada de drama: "Tia, mas a gente vai no Palmeiras com este carro sujo?"
Ele é muito engraçado!
Disse que na escola os amigos não o deixam jogar bola porque é perna de pau, e por isto o sonho dele mesmo é ser super herói quando crescer. Mal sabe ele que herói ele já é: aos 5 anos de idade já superara um tumor no mesencéfalo, sem cirurgia, num tratamento que foi sucesso com radio e quimioterapia, do jeito que a mãe Yessenia sonhava que acontecesse, quando veio da Bolívia para o Brasil, há 3 anos atrás, com a missão de salvar seu filho.
Um mesmo sonho de conhecer o Palmeiras e uma mesma história de final feliz: Kaique, que hoje tem 20 anos e é um lindo rapaz, também é um vencedor e está somente em fase de manutenção após um tratamento de sucesso contra a Leucemia. Ama esportes, trabalha com recreação num renomado Acampamento ao Sul e Minas (NR1 Acampamentos), independente e feliz. Era jogador no profissional, na categoria Juniores, no América Futebol Clube de Minas Gerais, quando descobriu a Leucemia e teve que priorizar o tratamento. Hoje, curado, sonha em terminar a Faculdade de Educação Física que já começou.
A primeira grande lição de vida: ver pessoas que de fato se depararam com problemas difíceis e venceram. Pessoas como nós, que todos os dias ao acordarem, tem seus altos e baixos na vida e têm que tomar uma simples decisão: ser feliz ou não. E escolhem ser feliz. Eu acho isso lindo! O sorriso dos dois irradiava pelos quatro cantos verdes daquele lugar! Já na entrada, eu e o Kaique no carro tivemos um ataque de risos quando o segurança da Portaria anotou minha placa e orientou que eu estacionasse depois do "negócio" verde. Olhamos um pra cara do outro e caímos na risada: NADA, absolutamente nada naquele Centro de Treinamento não era verde. Foi um ataque de riso, pra ajudar a tirar toda tensão, afinal, estava dando tudo certo. Entramos no CT do Palmeiras.
Fomos bem recepcionados por todos os funcionários do Palmeiras, em especial pelos Eduardos, um que era segurança dos portões do campo e o outro, responsável pelo Marketing do time e que foi responsável junto com o Rafael Zanette em promover toda a ação. E que bela ação social! O melhor estaria ainda por vir...
Não demorou muito os jogadores entraram em campo para o treino. Passava um pouco das nove. A alegria nos olhos do Kaique e o joinha do Gabito aos jogadores, saltitante, foram impagáveis. Mas havia uma grade que os separavam. Mas ainda assim todos os cumprimentavam com um sorriso desses enormes, pois já sabiam exatamente o porquê que eles estavam ali. E pareciam solidários à causa bem como gratos à toda admiração. O Kaique já é mais moço, então não ficava tanto com tietagem. O Gabriel porém, com toda sua ingenuidade de criança, soltou algumas pérolas em meio à nossa manhã, deixando tudo tão engraçado que, chorar, só se fosse de rir. Adivinha o que ele falou quando o Souza (volante do time, jogador ruivo e com sardas) foi falar com ele? "Noooossa! Você tem cor de pinta!.... Parece uma onça!..."
Hahaha! Os outros jogadores riram até... E a mãe nervosa, porque disse que já cansou de tanto explicar ao pequeno que não se pode dizer o que vem à cabeça, porque machuca as pessoas. E eu pensei, "Ele só tem cinco... Conheço uns que aos 30 ainda não aprenderam..." Mas o Gabito é super fã: levou sua mochilinha do Palmeiras, com seu copo que acende do Palmeiras, touca do Palmeiras, porta-retrato do Palmeiras com a foto dele com a mãe... A Mãe. Um capítulo a parte. Estava tão feliz em ver realizar o sonho do filho!.... De tempos em tempos dizia: "Não estou acreditando? Me belisca!" E fotografava a alegria do pequeno. Ela contou que o Gabriel é tão fanático que pede pra vó comprar feijão verde pra ele. Perguntamos porque ao Gabriel e ele disse que é porque é isso que os craques do Palmeiras comem. Risos. Ele é uma figurinha! A mãe contou também que, quando ele a desobedece, ela ameaça dizendo que vai virar corintiana e ele chora. Um típico palmeirense. Mas da turma do amendoim, corneteiro. Ao perguntarem pra ele o que achou dos jogadores, não exitou em dizer: "Ah... eu achei eles um pouco 'luim'". Caímos na risada!
Passados uns vinte minutos de treino, o Eduardo os chamou, Gabriel e Kaique, para entrarem em campo e assistirem tudo de mais pertinho. Sentaram no banco de reserva e viram o treino de camarote. Gabito reclamou de frio e fome. A Cinthia, voluntária Make a Wish saiu pra procurar o pão de queijo que o Gabriel pediu e o técnico Gilson Kleina, num carinho só, cedeu seu blusão ao Gabito. E adivinha que arte que ele fez logo em seguida? E contou como segredo ao Kaique? "Soltei um pum na jaqueta dele! Kkkkk". E se pos a rir e esconder o rosto pras fotos. Terrível!
Passado isso chegou o ápice do nosso dia: 3 apitos foi o sinal para que o técnico anunciasse a chegada de dois novos jogadores ao time, Kaique e Gabriel. Nesta hora pude estar mais perto. Fotografei cada minuto. Tem uma foto do Kaique boquiaberto, olhando pro técnico lhe estendendo a camisa para entrar em campo. O Gabriel sismou que não queria ir, que não sabia jogar, e o time inteiro do Palmeiras veio convencê-lo a bater uma bolinha.
Lá foram eles. Os dois com a faixa de capitão no braço. Primeiro deixaram o Gabriel fazer um gol. E todos o jogaram pra cima numa grande festa. Podem imaginar?
Depois foi a vez de Kaique. Mas no primeiro passe "café com leite" pelo garoto viram que ele realmente jogava muito bem. Toda pinta e toda pose de um jogador profissional. Eu que estava do lado do Gilson, ouvi ele dizer "Ele joga!", espantado. E jogou mesmo. De verdade, sem moleza com os jogadores do seu time do coração. Até simular um penalti que estava no script dos jogadores foi difícil: Kaique sabia sair dos carrinhos. Mas teve uma hora que foi pra bater o penalti e gol! Goooooooool do Kaique! Todos em cima do nosso grande sonhador, em festa, comemorando. Foi único este momento. Quando no final do dia eu perguntei ao Kaique do que ele mais tinha gostado, ele respondeu que foi o fato do técnico ter dito que ele joga muito bem, pra que ele não desistisse de seus sonhos e seguisse a vida. O que passou, passou. Emocionante.
Eu me emocionei bastante quando todos os jogadores, juntaram-se num grande círculo e oraram junto com os meninos. Kaique e Gabriel estavam ao centro da roda. E todos agradeciam por aquele momento e rogavam por saúde. Foi lindo de ver! Não posso mensurar quanta energia positiva emanou por ali. Sensacional!
Ao término do jogo, foram levados à sala de imprensa onde puderam dizer o que acharam. Como numa coletiva. Fotos e mais fotos com os patrocinadores de fundo. A esta altura estavam os dois com suas lindas camisetas do Palmeiras, aquela azul. A do Gabriel fora confeccionada especialmente pra ele. Deu um trabalhão pro Eduardo que pegou uma camiseta M e a transformou para o tamanho do Gabriel, numa costureira que fez um trabalho perfeito. Tudo pensado com muito carinho. A equipe do Palmeiras realmente surpreendeu a nós todos! Foram muitas as boas surpresas e um dia que ficará para sempre na memória de todos nós.
Ao questionar se poderia pegar autógrafos dos jogadores ao fim do treino, Kaique recebeu a resposta do cinegrafista que sim, poderia. E prontamente Rafael foi buscar uma caneta "para pano". Um doce de pessoa. Voltou com mais duas camisetas, daquelas verde florescentes cor de "marca texto", para que pudessem pegar os autógrafos nela que era melhor. Mais um presente. E Rafa tentava negociar com Gabriel a troca de seu porquinho de pelúcia do Palmeiras por um periquito, símbolo do time. Até que o Gabriel cedeu as negociações. O que me pareceu muito estranho: a mãe contara que ele é um grude com o porquinho do Palmeiras. Que o brinquedo fora seu companheiro por todas as vezes que ia ao hospital. Pois não deu outra: quando o Rafael veio com o Periquito em mãos, ele pegou o presente e disse que não iria dar o porquinho em troca não, que ele tinha falado mas era 'blincadeilinha'. Hahaha. O Gabriel é cheio dessas: quando foi entrevistado em campo, perguntaram quantos anos ele tinha, ele respondeu 5. Perguntaram onde ele tinha nascido, ele respondeu Chile. Talvez inspirado no ídolo Valdívia. Lá veio o Eduardo correndo perguntar pra gente fora do campo: "Vocês não falaram que o menino era da Bolívia? Ele é do Chile!" E a mãe do Gabriel: "Não. Nós somos Bolivianos."
Enquanto isso todos ao redor de Gabriel gargalhavam, assim que o Eduardo saiu correndo preocupado com a possível informação errada, o Gabriel contou ao Kaique e aos demais que era 'blincadeila', que era 'uma pegada' (pegadinha). Quando voltou, todo mundo tirou sarro do Edu, que havia sido "passado pra trás" por um garoto de 5 anos.
Gabriel fez de tudo nesse Palmeiras. Incluindo andar de carrinho que apara a grama do campo e incluindo fazer xixi no gramado. Estava a beira de deixar a mãe maluca. Foi uma manhã muito divertida! O Kaique e ele se tornaram grandes amigos. E era assim que Gabito chamava todos ali: "meus amigos".
E conseguiram autógrafos de todos os jogadores ao final do treino. De todos! Até do treinador. Até de quem nem era "famoso" mas que era "amigo" , segundo Gabito.
Kaique tirou foto com seus preferidos, inclusive Valdívia, que não pôde participar do treino mas que apareceu ao final. Mágico!
Para o goleiro, Gabriel deixou a dica "Não mexe mais com faca", pensando que os esparadrapos que ele pusera no dedão eram curativos. Pérolas.
Todos vieram ver o grande dia. Inclusive o Presidente com seus filhos.
E no fim, pra encerrar com chaves de ouro, um kit completo do Palmeiras: uma sacola enorme mais uma mochila cheia! Tudo que você pode imaginar do Palmeiras: camisetas, roupas, chaveiros, lanterna... Pela lanterna, valia até uma piadinha de corintiana que sou. Mas não vou. Sinceramente, fiquei tão encantada com toda receptividade do Palmeiras que acho mesmo que estamos no caminho certo quando nos fazemos amar de forma mais Universal: se todos fôssemos um só país, uma só religião, vários times, que seja, mas uma só paixão: pelo esporte.
Foi assim que me senti ali, corintiana, apaixonada pela equipe do Palmeiras, achando absurda a idéia da Yessena que chorou ao dizer que achava que o sonho do filho nunca seria realizado porque ele não era brasileiro...
"Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
YOU MAY SAY, I'M A DREAMER
BUT I'M NOT THE ONLY ONE!..."
E assim se encerrou mais um dia que eu tive certeza, junto com Gabito, Kaique e amigos Make a Wish, que todo sonho é possível de se tornar realidade!
Há mais de dois anos atrás registraram seu sonho de conhecer o Time do Palmeiras. E dia 11/05/13 foi o grande dia!
Já antes das oito estávamos nos encontrando com eles, eu com o Kaique num Hotel da Consolação e a Cinthia, amiga voluntária, em Santo André, para pegar o Gabito e sua mãe. Eles moram na Casa Ronald, do Projeto Ronald MC Donalds que dá assistência às pessoas que estão em tratamento de câncer (pra quem não acredita no MC Dia Feliz, ta aí uma boa prova de que pequenos gestos repercutem grandes resultados). O Gabriel já aí dá o enredo pra este "filme" como sendo de comédia, nada de drama: "Tia, mas a gente vai no Palmeiras com este carro sujo?"
Ele é muito engraçado!
Disse que na escola os amigos não o deixam jogar bola porque é perna de pau, e por isto o sonho dele mesmo é ser super herói quando crescer. Mal sabe ele que herói ele já é: aos 5 anos de idade já superara um tumor no mesencéfalo, sem cirurgia, num tratamento que foi sucesso com radio e quimioterapia, do jeito que a mãe Yessenia sonhava que acontecesse, quando veio da Bolívia para o Brasil, há 3 anos atrás, com a missão de salvar seu filho.
Um mesmo sonho de conhecer o Palmeiras e uma mesma história de final feliz: Kaique, que hoje tem 20 anos e é um lindo rapaz, também é um vencedor e está somente em fase de manutenção após um tratamento de sucesso contra a Leucemia. Ama esportes, trabalha com recreação num renomado Acampamento ao Sul e Minas (NR1 Acampamentos), independente e feliz. Era jogador no profissional, na categoria Juniores, no América Futebol Clube de Minas Gerais, quando descobriu a Leucemia e teve que priorizar o tratamento. Hoje, curado, sonha em terminar a Faculdade de Educação Física que já começou.
A primeira grande lição de vida: ver pessoas que de fato se depararam com problemas difíceis e venceram. Pessoas como nós, que todos os dias ao acordarem, tem seus altos e baixos na vida e têm que tomar uma simples decisão: ser feliz ou não. E escolhem ser feliz. Eu acho isso lindo! O sorriso dos dois irradiava pelos quatro cantos verdes daquele lugar! Já na entrada, eu e o Kaique no carro tivemos um ataque de risos quando o segurança da Portaria anotou minha placa e orientou que eu estacionasse depois do "negócio" verde. Olhamos um pra cara do outro e caímos na risada: NADA, absolutamente nada naquele Centro de Treinamento não era verde. Foi um ataque de riso, pra ajudar a tirar toda tensão, afinal, estava dando tudo certo. Entramos no CT do Palmeiras.
Fomos bem recepcionados por todos os funcionários do Palmeiras, em especial pelos Eduardos, um que era segurança dos portões do campo e o outro, responsável pelo Marketing do time e que foi responsável junto com o Rafael Zanette em promover toda a ação. E que bela ação social! O melhor estaria ainda por vir...
Não demorou muito os jogadores entraram em campo para o treino. Passava um pouco das nove. A alegria nos olhos do Kaique e o joinha do Gabito aos jogadores, saltitante, foram impagáveis. Mas havia uma grade que os separavam. Mas ainda assim todos os cumprimentavam com um sorriso desses enormes, pois já sabiam exatamente o porquê que eles estavam ali. E pareciam solidários à causa bem como gratos à toda admiração. O Kaique já é mais moço, então não ficava tanto com tietagem. O Gabriel porém, com toda sua ingenuidade de criança, soltou algumas pérolas em meio à nossa manhã, deixando tudo tão engraçado que, chorar, só se fosse de rir. Adivinha o que ele falou quando o Souza (volante do time, jogador ruivo e com sardas) foi falar com ele? "Noooossa! Você tem cor de pinta!.... Parece uma onça!..."
Hahaha! Os outros jogadores riram até... E a mãe nervosa, porque disse que já cansou de tanto explicar ao pequeno que não se pode dizer o que vem à cabeça, porque machuca as pessoas. E eu pensei, "Ele só tem cinco... Conheço uns que aos 30 ainda não aprenderam..." Mas o Gabito é super fã: levou sua mochilinha do Palmeiras, com seu copo que acende do Palmeiras, touca do Palmeiras, porta-retrato do Palmeiras com a foto dele com a mãe... A Mãe. Um capítulo a parte. Estava tão feliz em ver realizar o sonho do filho!.... De tempos em tempos dizia: "Não estou acreditando? Me belisca!" E fotografava a alegria do pequeno. Ela contou que o Gabriel é tão fanático que pede pra vó comprar feijão verde pra ele. Perguntamos porque ao Gabriel e ele disse que é porque é isso que os craques do Palmeiras comem. Risos. Ele é uma figurinha! A mãe contou também que, quando ele a desobedece, ela ameaça dizendo que vai virar corintiana e ele chora. Um típico palmeirense. Mas da turma do amendoim, corneteiro. Ao perguntarem pra ele o que achou dos jogadores, não exitou em dizer: "Ah... eu achei eles um pouco 'luim'". Caímos na risada!
Passados uns vinte minutos de treino, o Eduardo os chamou, Gabriel e Kaique, para entrarem em campo e assistirem tudo de mais pertinho. Sentaram no banco de reserva e viram o treino de camarote. Gabito reclamou de frio e fome. A Cinthia, voluntária Make a Wish saiu pra procurar o pão de queijo que o Gabriel pediu e o técnico Gilson Kleina, num carinho só, cedeu seu blusão ao Gabito. E adivinha que arte que ele fez logo em seguida? E contou como segredo ao Kaique? "Soltei um pum na jaqueta dele! Kkkkk". E se pos a rir e esconder o rosto pras fotos. Terrível!
Passado isso chegou o ápice do nosso dia: 3 apitos foi o sinal para que o técnico anunciasse a chegada de dois novos jogadores ao time, Kaique e Gabriel. Nesta hora pude estar mais perto. Fotografei cada minuto. Tem uma foto do Kaique boquiaberto, olhando pro técnico lhe estendendo a camisa para entrar em campo. O Gabriel sismou que não queria ir, que não sabia jogar, e o time inteiro do Palmeiras veio convencê-lo a bater uma bolinha.
Lá foram eles. Os dois com a faixa de capitão no braço. Primeiro deixaram o Gabriel fazer um gol. E todos o jogaram pra cima numa grande festa. Podem imaginar?
Depois foi a vez de Kaique. Mas no primeiro passe "café com leite" pelo garoto viram que ele realmente jogava muito bem. Toda pinta e toda pose de um jogador profissional. Eu que estava do lado do Gilson, ouvi ele dizer "Ele joga!", espantado. E jogou mesmo. De verdade, sem moleza com os jogadores do seu time do coração. Até simular um penalti que estava no script dos jogadores foi difícil: Kaique sabia sair dos carrinhos. Mas teve uma hora que foi pra bater o penalti e gol! Goooooooool do Kaique! Todos em cima do nosso grande sonhador, em festa, comemorando. Foi único este momento. Quando no final do dia eu perguntei ao Kaique do que ele mais tinha gostado, ele respondeu que foi o fato do técnico ter dito que ele joga muito bem, pra que ele não desistisse de seus sonhos e seguisse a vida. O que passou, passou. Emocionante.
Eu me emocionei bastante quando todos os jogadores, juntaram-se num grande círculo e oraram junto com os meninos. Kaique e Gabriel estavam ao centro da roda. E todos agradeciam por aquele momento e rogavam por saúde. Foi lindo de ver! Não posso mensurar quanta energia positiva emanou por ali. Sensacional!
Ao término do jogo, foram levados à sala de imprensa onde puderam dizer o que acharam. Como numa coletiva. Fotos e mais fotos com os patrocinadores de fundo. A esta altura estavam os dois com suas lindas camisetas do Palmeiras, aquela azul. A do Gabriel fora confeccionada especialmente pra ele. Deu um trabalhão pro Eduardo que pegou uma camiseta M e a transformou para o tamanho do Gabriel, numa costureira que fez um trabalho perfeito. Tudo pensado com muito carinho. A equipe do Palmeiras realmente surpreendeu a nós todos! Foram muitas as boas surpresas e um dia que ficará para sempre na memória de todos nós.
Ao questionar se poderia pegar autógrafos dos jogadores ao fim do treino, Kaique recebeu a resposta do cinegrafista que sim, poderia. E prontamente Rafael foi buscar uma caneta "para pano". Um doce de pessoa. Voltou com mais duas camisetas, daquelas verde florescentes cor de "marca texto", para que pudessem pegar os autógrafos nela que era melhor. Mais um presente. E Rafa tentava negociar com Gabriel a troca de seu porquinho de pelúcia do Palmeiras por um periquito, símbolo do time. Até que o Gabriel cedeu as negociações. O que me pareceu muito estranho: a mãe contara que ele é um grude com o porquinho do Palmeiras. Que o brinquedo fora seu companheiro por todas as vezes que ia ao hospital. Pois não deu outra: quando o Rafael veio com o Periquito em mãos, ele pegou o presente e disse que não iria dar o porquinho em troca não, que ele tinha falado mas era 'blincadeilinha'. Hahaha. O Gabriel é cheio dessas: quando foi entrevistado em campo, perguntaram quantos anos ele tinha, ele respondeu 5. Perguntaram onde ele tinha nascido, ele respondeu Chile. Talvez inspirado no ídolo Valdívia. Lá veio o Eduardo correndo perguntar pra gente fora do campo: "Vocês não falaram que o menino era da Bolívia? Ele é do Chile!" E a mãe do Gabriel: "Não. Nós somos Bolivianos."
Enquanto isso todos ao redor de Gabriel gargalhavam, assim que o Eduardo saiu correndo preocupado com a possível informação errada, o Gabriel contou ao Kaique e aos demais que era 'blincadeila', que era 'uma pegada' (pegadinha). Quando voltou, todo mundo tirou sarro do Edu, que havia sido "passado pra trás" por um garoto de 5 anos.
Gabriel fez de tudo nesse Palmeiras. Incluindo andar de carrinho que apara a grama do campo e incluindo fazer xixi no gramado. Estava a beira de deixar a mãe maluca. Foi uma manhã muito divertida! O Kaique e ele se tornaram grandes amigos. E era assim que Gabito chamava todos ali: "meus amigos".
E conseguiram autógrafos de todos os jogadores ao final do treino. De todos! Até do treinador. Até de quem nem era "famoso" mas que era "amigo" , segundo Gabito.
Kaique tirou foto com seus preferidos, inclusive Valdívia, que não pôde participar do treino mas que apareceu ao final. Mágico!
Para o goleiro, Gabriel deixou a dica "Não mexe mais com faca", pensando que os esparadrapos que ele pusera no dedão eram curativos. Pérolas.
Todos vieram ver o grande dia. Inclusive o Presidente com seus filhos.
E no fim, pra encerrar com chaves de ouro, um kit completo do Palmeiras: uma sacola enorme mais uma mochila cheia! Tudo que você pode imaginar do Palmeiras: camisetas, roupas, chaveiros, lanterna... Pela lanterna, valia até uma piadinha de corintiana que sou. Mas não vou. Sinceramente, fiquei tão encantada com toda receptividade do Palmeiras que acho mesmo que estamos no caminho certo quando nos fazemos amar de forma mais Universal: se todos fôssemos um só país, uma só religião, vários times, que seja, mas uma só paixão: pelo esporte.
Foi assim que me senti ali, corintiana, apaixonada pela equipe do Palmeiras, achando absurda a idéia da Yessena que chorou ao dizer que achava que o sonho do filho nunca seria realizado porque ele não era brasileiro...
"Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
YOU MAY SAY, I'M A DREAMER
BUT I'M NOT THE ONLY ONE!..."
E assim se encerrou mais um dia que eu tive certeza, junto com Gabito, Kaique e amigos Make a Wish, que todo sonho é possível de se tornar realidade!
quinta-feira, 9 de maio de 2013
O perfume que fica quando damos flores...
São tantas as coisas que se passam pela minha cabeça e no meu coração que acho que vai ser difícil descrever. Como se tivessem soltando fogos dentro de mim. Como se tivesse toda colorida minha alma.
Começou no fim do ano passado a minha experiência Make a Wish. Trabalho voluntário com a missão de conseguir contatos com Celebridades Nacionais para a realização dos sonhos "Conhecer" de nossas crianças. A Make a Wish busca realizar sonhos de crianças de 3 a 18 anos portadoras de doenças graves, que põe suas vidas em risco. Nós acreditamos que realizar o sonho destas crianças é fazê-las acreditar que tudo é possível.
Eu me propus ao trabalho pois fizera uma promessa: uma das pessoas que mais amo e mais importantes da minha vida teve câncer e, naquele momento, eu também tinha um sonho, que era lhe dar o melhor tratamento possível. Não. Não um bom tratamento. Mas o melhor. O melhor de São Paulo, o melhor do Brasil. Toda minha família se envolveu nesta missão e muitos, muitos amigos me ajudaram como puderam. Graças a estes amigos, cheguei nas pessoas certas e tudo deu certo. Hoje temos um lindo final feliz para esta parte da história.
Mas outra começara.
Entrei para a Make a Wish. Para ajudar a realizar sonhos. Nada mais justo. Tivera o meu realizado. Inclusive com a cura ao fim do tratamento.
E em Janeiro começou o primeiro Projeto da minha vida na Make a Wish: Jose Arreola, 17 anos, garoto americano que vive em Iowa, EUA, apaixonado por futebol e que sonhava conhecer seu grande ídolo, o Ronaldinho Gaúcho.
Filho de mãe norte americana com pai mexicano, joga futebol com seu irmão e amigos. Os pais, abriram mão de ter em casa uma garagem e a transformaram em um "Estádio de Futebol", com grama sintética, traves de gol e tudo. Na parede, um poster gigante com o nome que deram à garagem, local de tantos momentos felizes, de tantos gols: Estadio del Leste, com a foto do Ronaldinho Gaúcho. Jose trouxe este pôster, pra pegar o autógrafo do R10. Além de uma camiseta do Atlético que planejava usar ao assistir o jogo de quarta-feira, do Galo contra o SPFC.
Foram mais de 4 meses desde a minha primeira tentativa de contato até o grande dia: a realização do sonho de Jose.
Muitos me ajudaram a chegar até o contato da pessoa certa: Assis. Ex jogador de futebol, atualmente empresário do Ronaldinho, seu irmão. Uma pessoa incrível, que desde o primeiro contato se sensibilizou com a nossa causa e se colocou à inteira disposição para a realização do sonho de Jose. Eu liguei muitas vezes. Foram muitas as dúvidas, foram muitos os pedidos de ajuda. O contato nem sempre era fácil, já que ele é uma pessoa que viaja muito e é muito ocupado. Mas deu certo. Nos últimos contatos, após a definição das datas dos jogos de oitavas de final, veio a certeza de que o Ronaldinho atenderia o Jose após o treino na terça e ainda, que a família toda poderia ver o jogo de quarta, no camarote de Assis. Priceless!
Vistos emitidos. Passagens compradas.
No dia 05 de Maio de 2013 chegaram no Brasil, em Belo Horizonte a linda família: o pai Jose Nicolas Arreola, a mãe tão simpática, professora, Julie, o irmão mais velho, 20 anos e que tanto cuida do Jose, o Marco Arreola, a irmã mais nova, 15 anos, a bela Maria e o tão esperado Jose Arreola. Que há mais de um ano e meio inscreveu seu sonho na Make a Wish Iowa.
Na terça, dia 07 pela manhã, eu também desembarcava em Belo Horizonte. Era o grande dia. O dia que eu seria fada madrinha. Eu também estava nervosa.
Uma coisa que já estou aprendendo neste mundo de celebridades e estrelas é que há muita informalidade. Eu não tinha nada, além da palavra do Assis, que tudo sairia conforme o planejado.
Às 14h pegamos dois táxis e fomos rumo à Cidade do Galo, uns 50 minutos afastado do centro de BH. Chegando lá esperamos por cerca de uma hora (a mais demorada de nossas vidas) e junto com todos da imprensa fomos convidados a adentrar o CT e assistir ao final do treino. Lá estava ele: de rabicó e faixinha da Nike, Ronaldinho Gaúcho. Sempre sorrindo e fazendo das tripas coração quando tocava a bola. Conversei com os amigos que fiz da Assessoria de Imprensa do Atlético. Para quem eu havia ligado muitas vezes também nestes últimos 4 meses. O Cássio, em especial, começou a me carregar pra lá e pra cá me apresentando para todos da mídia, e juntos contamos a história de Jose e o propósito da ONG muitas vezes. Da doença de Jose, nefropatia, eu não tinha tantas informações. Julie, a mãe, segurou o choro e se pôs a explicar a todos, em espanhol para facilitar. "O Jose tem uma doença rara e sem cura (neste momento ela pausou e chorou. E todos nós à sua volta, nos sensibilizamos). Os 2 rins dele vão parar de funcionar. Em Julho ele terá que passar por um transplante pois os tratamentos que ele faz atualmente não resolvem mais e causam grande dano ao seu sistema imunológico. Se ele encontrar um doador compatível vivo, jovem e saudável, o rim doado tem vida útil de aproximadamente 12 anos. Se for de alguém que já morreu, costuma durar 7 anos em média."
E a sensibilização de todos ali presentes fez estourar em todas as mídias de Minas Gerais o grande evento: Jose conhecendo Ronaldinho Gaúcho.
José virou a estrela!
Muitas entrevistas. Saiu nas rádios, jornais, websites e Televisão.
Ao terminar a coletiva pós treino, p Ronaldinho se aproximou, olho no olho de José, um abraço espetacular! Bate-papo em inglês, autógrafos, muitas muitas fotos e um peteleco na cabeça no final, que é um sinal que rola no mundo dos jogadores de futebol, quando os craques zoam os jogadores mais novos.
Jose dizia: "Eu não estou acreditando. Não sei nem o que dizer... Nunca esquecerei deste dia."
E assim eu e ele tivemos naquele dia a prova de que tudo é possível.
O Ronaldinho fez questão de passar por entre as câmeras para abraçar a mãe de Jose que chorava aos prantos emocionada, por de trás de toda cena. Mãe é mãe e Ronaldinho sabe disto.
Depois ele veio até mim. Dei um toque de mão "meio mano" sem palavras. Um grande abraço dizendo "muito obrigada mesmo, Ronaldinho. Sucesso, cara!"
E ele disse a mim (e à Make a Wish): "Conte sempre com a gente!"
Fomos embora e jantamos todos juntos no Boi na Chapa, próximo do Hotel. Como os rins de Jose são sensíveis, creio que seja melhor tomar sempre água. E todos da família tomaram água durante o jantar. Aquilo foi pra mim, muito marcante. Fez-me lembrar com muito carinho de toda a minha família. E concluir como é perfeito ter a união e o amor de uma família. Deus é maravilhoso!
Perguntei à Julie se eles tinham uma religião. São católicos.
E assim como eu sabem que, apesar de não entendermos e não aceitarmos certas coisas da vida, temos a certeza de que Deus sabe o que faz.
Julie contou que Jose todos os dias pergunta a Deus: "Porque Eu?"
E eu sei que a resposta seria: "Porque você nasceu especial."
Acabei de falar pela Internet com Marco, o irmão mais velho de Jose. Eles são muito unidos. Lindo de ver! Marco confirmou a ida ao estádio ontem quando o Atlético goleou o São Paulo por 4x1. Espetáculo lindo que assistiram do camarote do Assis. Tudo foi perfeito.
O Marcos disse que as pessoas paravam o Jose para tirar fotos juntos, pois tinham visto sua história no jornal, na rádio ou na TV.
"Foi, sem dúvidas, a melhor noite de sua vida. Obrigado." Foi o que disse Marco.
Nós é que agradecemos, família Arreola, por nos fazer lembrar de forma tão bonita o que realmente importa nesta vida.
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