domingo, 21 de setembro de 2014

"O show tem que continuar"

"O show tem que continuar."
Esta seja talvez, a maior regra da vida de quem tem dentro de si a necessidade de ser feliz. 
Por que a vida não pára, por nenhum só segundo, para que entendamos o que aconteceu, para que enxerguemos o lado bom que toda mudança traz. A gente fica lá, perplexo, parado, chorando, não quer, não concorda, não se conforma... Mas nada, absolutamente na-da disto faz, fez ou fará a menor diferença: a vida simplesmente segue seu rumo, impetuosamente. 
E deixa pra trás todos que decidiram parar seja para se lamentar, pensar ou simplesmente chorar. 
Isto eu aprendi perdendo amores ao longo da vida. Alguns ex namorados, a melhor amiga com câncer que se foi, aquele tio preferido, o emprego ao qual dedicava boa parte de minha vida ( primeira demissão a gente nunca esquece)... Mas a vida seguiu enérgica: cada minuto chorando foram simplesmente sessenta segundos que perdi de felicidade. 
Mais do que isto, percebi que enquanto eu decidi "parar", perdi oportunidades de empregos melhores, perdi a chance de ficar com o cara que seria o pai de meus filhos, perdi mais um dia de alegria com amigas que Deus permitiu estarem por mais tempo ao meu lado, e há perdas que são simplesmente irreparáveis. Mas enfim: não pára, não pára, não pára!
A vida não pára. E se você quer verdadeiramente viver, cada minuto como se fosse o último, "deliciar-se com a fruta da vida e chupar até o caroço", você precisa 'não parar'.
Dizem que depois que a gente morre, quando em algum lugar Alguém passa a régua, a única coisa que a gente leva são os momentos em que fomos veradeiramente felizes. Nossa bagagem eterna: momentos de felicidade. E ninguém quer carregar uma mala destas vazia por aí. Então, temos todos a obrigação de sermos felizes. E a vida, ou Deus, ou seja lá no que você acredita, vai te cobrar por isto.
Pode parecer nebuloso agora, mas a dificuldade ou adversidade que passamos hoje tem um propósito, um sentido, mas que a gente só consegue enxergar se seguir caminhando, se escolher por não parar, porque somente lá na frente é que a névoa passa e você consegue enxergar coisas que agora são impossíveis. 
O mais mágico é que podemos seguir QUALQUER caminho, desde que seja em frente. 
A escolha é sempre nossa. Neruda já dizia que somos livres para escolhas, mas escravos das consequências. 
" A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
Você pode seguir aos prantos, ou com lágrimas nos olhos, ou com nó na garganta. 
Você pode seguir se perguntando, buscando respostas e novas inspirações. 
Você pode seguir xingando, até isto seria melhor que não seguir.
O importante é seguir. 
Parar não trará respostas, nem conforto pra nenhuma dor, nem novas possibilidades.
A vida é o nosso próprio espetáculo, sem ensaios, sem breaks, sem o fechar das cortinas... 
Por vezes, o "mocinho" da nossa cena simplesmente vai embora e você pensa "e agora?!" mas não tem mais que alguns segundos pra improvisar...
Temos que ser protagonistas de nossa própria estória.
É duro, mas pra gente ser feliz, "o show tem que continuar..."

domingo, 7 de setembro de 2014

Filho da Culpa!

Depois de um longo dia de trabalho, eis que chegamos na casa de meus pais que carinhosamente nos hospedam nesta semana por conta da reforma em nossa casa.
A porta da edícula está trancada. Queremos pegar algumas coisas lá dentro. A chave não entra, não está funcionando.
- Só pode ser culpa do seu pai! - disse minha mãe aflita. - Ele chegou do trabalho com mais uma caixinha de cerveja e eu falei que jogaria fora - minha mãe se preocupa mais com a saúde do velho do que ele próprio, que sabe que não pode beber nem socialmente mas bebe.- Aí ele veio bravo aqui pra fora esconder as cervejas e pôs a chave errada e forçou e agora tá quebrado.
- A culpa é sua, Leu. - meu pai se defende da cozinha. - se você não me importunasse assim, não teria acontecido.
Peguei uma faquinha e tentei, tentei futucar pra ver se voltava o miolo à uma posição que entrasse a bendita chave certa. Nada. 
Esperamos meu marido terminar o banho. Veio ele.
Colocou a chave pelo outro lado e não conseguiu de jeito nenhum virar a chave. Viu a faquinha. 
- Que é essa faquinha? 
- Eu que usei pra tentar arrumar.
- Então a culpa é sua! Você com essa faca estragou e por isso a chave não está virando. Se não minha estratégia iria funcionar. 
Olhei bem pra cara dele. O ciclo havia fechado: cada um tinha encontrado seu próprio culpado e a porta continuava lá, trancada e emperrada.

Como me lembrou a vida! Onde a gente perde tanto tempo e energia tentando achar a culpa sendo que isto simplesmente jamais "vai abrir nenhuma porta."

Merece uma crônica, pensei eu. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Alegria e OVNI de pobre dura pouco

Vamos falar de objeto voador não identificado. Hoje eu vi um. Ontem eu vi outro. Antes de ontem outro. Com esse tanto de miopia, olhou pro céu, não sabe o que é, por definicão é OVNI.
Mas a questão é que eu sonho em ter um amigo extraterrestre. Queria ver um extraterrestre. Como no filme que passa na Globo em quase todos os Natais. E por assim desejar, vivo olhando pro céu. Tem lá suas desvantagens, como pode confirmar outros amigos lunáticos como o Daniel: dificilmente vemos joaninhas.. Neste ano ou no ano passado (sou incapaz de guardar se quer se meu carro é zero quilômetro ou não), compramos um carro com parabrisa Zenith, pra ver ainda melhor o céu, tamanho nosso interesse pelo assunto (eu e meu marido). Mas hoje algo inédito aconteceu: eu vi uma bola de fogo caindo do céu. 
"Datênica" que sou, achei que era um avião caindo. Pensei comigo: Marina despencando nas pesquisas, na marra. Cruzes! Estacionada no trânsito de São Paulo, pude acompanhar a trajetória meio hiperbólica da bola de fogo quando de repente: puft! Sumiu. Não foi até o chão, sumiu antes.
Pensei comigo: estrela cadente. Será que só eu vi? Era bem grande.
Trilha sonora na minha mente (que é uma viagem): "Quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas, derramando com assombro exemplar, o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa..."
Fiquei viajando sozinha, eu, eu mesma e Irene e pensando como seria uma invasão alienígena na Terra. Eu acredito mais em vida inteligente fora da Terra do que em vida inteligente por aqui, pra falar a verdade, ultimamente. Diria que somos um Planeta de disléxicos perto do que eu acredito que exista por aí. Então, eu sempre imagino os extraterrestres como grandes PMOs, dando as diretrizes de nossa ocupação por aqui, do tipo: "Está faltando água? Faz isso aqui ó", "Multiplique os mico-leões-dourados e araras-azuis assim", etc. Nos mostrando o caminho certo que sozinhos não parecemos encontrar. Meu irmão já não. Ele sempre diz que ele os receberia como naquele filme Sinais (o filme que a menininha deixa copos de água espalhados pela casa - se fosse palito de dente usado, lá em casa seria o Leo que nos salvaria). Meu irmão fala que ia dar uma tacada de baisebol na cabeça do extraterrestre já gritando: "Que você está fazendo aqui?" E eu me pergunto: cadê o taco de beisebol que ele sempre fala que usaria mas nunca se quer comprou? Rs.
Lembrei também do jantar com amigos de sábado, em que a Barbara compartilhou do desejo de ver ETs. Pensei: "será que rolou a lei da atração? Falamos sábado disto e hoje eu vi?" Diga-se de passagem descobri sábado que existe uma ONG de Sacis. Que eles existem e são cuidados numa cidadela de Minas Gerais e que o que usam na boca não é bem um cachimbo, mas um pedacinho de palha no canto da boca. Meio bicho. E difícil de ver porque aparecem muito rápido. Hoo, gente.
Lembrei de um sonho que tive que todas as luzes do mundo se apagaram e ao olharmos pela janela, víamos uma grande nave mãe chegando à Terra para o juízo final. Não, eu nunca fumei maconha e não tomo alucinógenos antes de dormir. No sonho, fui andando com um grupo até o Guarujá e de conhecido, só meu marido. Sentamos numa sala desconhecida e começou o julgamento: era um Quiz. Tipo Show do Milhão, de conhecimentos gerais mesmo. E eu não sabia a resposta. Pesadelo, não? Tempos depois disso vi aquela palhaçada/farsa do Nibiru mas achei coincidência o jargão dele ser "Busque conhecimento". Tinha a ver com meu sonho. Eita.
Fiquei feliz por ter visto algo novo. Tirou meu foco dos mais de quinhentos (não, não escrevi errado: mais de quinhentos!) quilômetros de lentidão na Grande São Paulo na terrível hora do rush. Fiz algumas ligações usando o viva-voz do carro e na que liguei pra Ursula até falei:
- Acho que vi uma estrela cadente. Parecia um avião caindo. Mas depois parecia uma estrela cadente.
- Cê fez um pedido?
- Não fiz na hora. Fiquei viajando..
- Pede agora.
- Agora? Mas já passou.
- Vai ficar de frescurinha?
Pausa na ligação. Por isso que eu adoro meus amigos. Sempre me encorajando na vida. Fiz o grande pedido da minha vida e do meu momento. Se der certo, prometo contar. Antes de dar, não posso aue dá um azar danado.
Foi assim.
Postei no Facebook perguntando se mais alguém tinha visto. "A vida é tão rara", quem olha pro céu? Os primeiros comentários foram insinuando que as minhas "faculdades" mentais são dessas sem aprovação do MEC. Ou perguntando o que eu fumei. Eu nunca fumei. Meu irmão, o mesmo do taco de beisebol, mandou eu ligar pra "tiazinha". Tonto. Fiquei refletindo qual o crivo dos ETs para escolherem quem abduzir? Escolheram a Tiazinha porque ela é magra e seria foda me abduzir? Ou será que é porque ela é linda e tem o gene que eles querem roubar? Pra fazer um planeta de Tiazinhas? Ou será que escolhem só as pessoas de menos credibilidade na sociedade porque aí serão classificadas como loucas e pronto, ninguém nunca vai acreditar.
Aí fiquei pensando: acreditariam em mim se eu visse? Duvido. Iriam achar que eu estava louca... Ia ser frustrante. Mas ainda assim divertido. 
A esta altura, eu estava ouvindo a rádio Sul América Trânsito e outros ouvintes mandaram SMSs e emails dizendo que viram uma bola de fogo caindo do céu! Fiquei feliz! Não era somente eu e o Daniel que vimos! Mais pessoas. Logo: não estou louca. Feliz por atestar minha sanidade e por ver algo raro.
Liguei para a afilhada e contei que vi uma estrela cadente. A pequena Maria Clara, minha afilhada linda, carioca de oito anos me faz uma senhora declaração de amor:
- Dinda, se eu visse uma estrela cadente eu pediria você aqui no meu aniversário.
Óbvio que estou com outra janela da Submarino aqui procurando passagens em conta pro Rio de Janeiro!
Jantando sozinha, enquanto Leo tomava banho. Passa das dez. TODOS os cachorros da rua latem. Medo. Eles estão de olho sempre e se latem todos, algo tem. 
Um barulho estondiante na rua. Barulho alto e meio de "nave espacial".
Medo e curiosidade. 
Invadiram? Deixe-me ver no trend topics do Twitter. Nada!
Neste instante pesquisei na Internet algum relato, alguma notícia. O último foi em Fevereiro. Descobri um tal site do BRAMON - Brazilian Meteor Observation Network. Mandei-lhes uma mensagem dizendo o que eu tinha visto, data, hora e local. E em poucos minutos veio a resposta: era de fato um grande meteoro! As câmeras capturaram o verdadeiro bólido.
E acabou-se o que era doce. 
Não temos mais um OVNI. 
Olho na janela. Lá na rua, não passava do lixeiro passando. 
Segue a vida pacata. Sem "alô, alô, Marciano!" 


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Nosso Projeto Itália JK

Segundo dia foi intenso. Esse nosso planejamento da viagem, conhecendo o máximo possível no tempo que conseguimos pagar é ousado. Mas se a gente se esforça pra trabalhar, vira noite atrás de noite implementando Projeto de TI, não é neste Projeto Férias que vamos reclamar. Tudo bem que precisaremos de outras férias pra descansar destas férias 😄, mas teremos uma semana pra descansar (não digo acabar com o sono atrasado porque ninguém quer entrar em coma nesta encarnação). Pois bem, nosso Projeto JK na Itália: 50 anos em 5 foi um sucesso neste segundo dia. Nunca vi e conheci tanta coisa diferente em tão pouco tempo... 
Nos rendemos ao mundo da moda de Milão e visitamos a Oscar Freire dos caras: simplesmente deslumbrante! A mistura do velho com o novo, aqueles pisos maravilhosos e as marcas mais famosas do mundo, num caminho de muito glamour e luxo. A história da moda de Milão não acontecera por acaso: desde os primórdios da História, era naquela região que outros países da Europa buscavam suas roupas: o couro era melhor e os homens italianos (sobretudo fiorentinos e venezianos) já ditavam tendência com roupas que faziam valorizar o homem, por seu estilo e vaidade. Hoje isto se potencializou: as maiores marcas de moda estão aqui e continuam ditando tendência em todo o mundo. A qualidade perdura. O estilo e exclusividade também. Um desafio sobrevivendo à Revolução Industrial, ao trabalho escravo na China e outros países. Eu não compro. Nem que pudesse, não me faço entender uma bolsa custar R$ 6000 (as nem tão caras) (dá pra comprar um fusca!!!), mas confesso que como esposa de publicitário fico admirada com o poder que as marcas têm, a capacidade de agregar valor num pedaço de pano e a quantidade de dinheiro que isto gera. Louváveis as marcas ali vistas. Ao fim das ruas de lojas e mais lojas, a belíssima Catedral de Milão. Meu Deus! A Obra mais linda que já vi! E estar ali, na frente dela, é diferente de ver uma foto ou assistir um documentário da Discovery: simplesmente emocionante! E não falo como católica, mas como Engenheira: foram 6 séculos de construção! Eu disse 600 anos. Tem noção? Demorou tanto que começou no estilo gótico e terminou como neo gótico. Lindíssima! Piso, teto, colunas/pilares, muito mármore, belíssimos vitrais, verdadeiras obras de arte! Linda mesmo. Me emocionou ver um belíssimo trabalho de tanto tempo entregue com tanta excelência e riqueza de detalhes. Obviamente, eu que acho Templo de Salomão e Aparecida do Norte uma palhaçada, pois pregam tanto a simplicidade aos fiéis mas de simples não tem nada, não me emociono (e nada) do ponto de vista católico, mas como Engenheira, é inevitável. Tanto é que um dos beatos italiano de tempo em tempo sai na porta da Catedral aos berros com os caras de Senegal ou Angola, sei lá eu, que tentam ganhar a vida conseguindo uma gorjeta ou outra dos turistas: que bonito! Tanto ouro e pouca nobreza ( como em toda história), enxotando os negros como se fossem cachorros. Como África sempre foi meu ponto fraco, eu adoro aquele povo africano, fui conversar com um deles. Comprei a bendita pulseirinha dos caras (quase obrigada mas confesso que morro de pena pois sei que estão ganhando a vida) e brinquei com os pombos. Sei que é nojento, mas foi tudo tão rápido que quando vi já tinha feito uma sucessão de merdas: peguei uns milhos de pipoca e abri as mãos e o africano assobiando diferente atraiu muitos deles pra cima de mim: foi assustador e emocionante ao mesmo tempo (eu piro em gente que "fala" com bicho-hahaha) e tão extasiada que fiquei, tentando tirar foto com uma mão e dando comida aos pombos com a outra (meu Deus! O pombo é um rafo que "avua"! Que eu tava fazendo?) dei até a câmera pro cara me fotografar! Leo estava longe, corri todos estes riscos sozinha. Depois que passou vi a sucessão de besteiras mas graças a Deus nem peguei doença de pombo e nem fui roubada. E fiquei feliz em ajudar o africano. Porque "deve ser legal ser negão no Senegal" mas na Itália, olha, não deve ser nada fácil...
Milão, por ser o lugar mais rico da Itália, apesar de ter transporte público que funciona e tal, tem muito mais um ar de antigo que de novo e moderno. Tropeçou, caiu em história. Nos sentimos assim por aqui.
Saímos do centro comercial de Milão e fomos conhecer o belíssimo Lago di Garda, na província de Sermione, enorme, com 384 km quadrados (pelo que lembra o Leo. Requer confirmação, tipo Wikipedia). Um lugar Muito chique! Tipo uma búzios misturada com o lago de Brasília, onde gente endinheirada tem casa de veraneio. Os carros são os mais luxuosos ever! Os hotéis são spas e pra deixar o roteiro pra Rei nenhum botar defeito, tem um belíssimo Castelo! Aprendemos a diferença entre Castelo e Palácio: castelo tinha a função de proteger e palácio era só pras pessoas morarem. Passeamos de barco por todo o Lago, um dos maiores do Mundo. Passou a existir depois que derreteu gelo na era glacial. Por ser glacial, é muito gelado. Só tem uma "prainha" em que as pessoas conseguem nadar/mergulhar por ser mais quentinha. Fora isso, elas se banham mesmo nas belas piscinas que as casas têm. Quente mesmo é a 20 metros abaixo do chão onde a água é pega a 70 graus Celsius para abastecer todo o complexo de casas. Muito legal! 
Depois do passeio de barco, pausa pro pipi-house, onde uma senhora brasileira na minha frente discutiu com o italiano que cobrava 0,50 Euro pra entrar porque estávamos pagando e não tinha papel e ele mandou ela entrar em silêncio e se virar, que estava parecendo uma louca. Sim, comprovado: embora nós especificamente ainda não tenhamos sido maltratados pelos locais, é fato que a Itália é um dos lugares mais visitados do mundo e como "a água nunca lhes bateu na bunda" por falta de turistas, eles querem de fato que a gente se ferre. São grosseiros sim. Mas já tinha vindo preparada e como sou "jagunça", não tão sensível (nem de TPM), nem ligo. São dez dias aqui pra ser feliz. Que bom que os melhores italianos estão no Brasil porque lá sim, son tutti gente boa, ma que! 
Entramos num café, comemos lanche de presunto parma e tomamos o delicioso sorvete italiano (em qualquer esquina o sorvete é maravilhoso como Bacio de Late no Brasil, mas ainda não comi um que fosse tão melhor como descreveram. Bacio di Late é igual ao daqui, na minha opinião) e depois de manjarmos, seguimos nosso Projeto JK.
Estrada belíssima! Conhecemos a região que eles chamam de Venetto, onde estão as principais industrias. E assim também é Verona, que pela explicação da guia lembro que associei: "Verona é tipo São Bernardo daqui."
Chegamos em Verona! A belíssima muralha ainda presente até hoje, que antigamente demarcava o que era Verona ou não, o antigo teatro que foi todo depenado e hoje parece uma obra inacabada ou ruínas de um passado distante, mas ainda assim o utilizam como lugares de belíssimos espetáculos como Ópera, por exemplo. Era meio parecido com o Coliseu de Roma: também é imenso e redondo, havia simulações de batalha naval no passado, era o "circo" do pão e circo pro povo de Verona. Por um tempo, deixou de ser importante cuidar deste patrimônio histórico e depenaram a obra toda: tiraram os mármores e quebraram boa parte. E assim está até hoje, mas virou style. Rs. Os italianos de Verona são mais bonitos, na minha opinião. Parecem mais com o esteriótipo italiano que vemos na TV. Tentamos (só tentamos e desistimos) colocar a mão na peitchola de Julieta. Nunca vimos tanta gente como na casa de Julieta. A bela história Shakespeareana inspira até os dias de hoje... Tomara mesmo que tocar o seio traga a todos um amor! Nesta viagem por várias vezes refleti sobre a minha sorte e benção de ter o Leo. A gente se ama e se diverte um bocado nesse negócio chamado vida... Brincamos de hora da vingança e enquanto eu estraguei 3 fotos de chineses ( pra vingar todas as atravessadas que essa chinesada deu em minhas fotos ), o Leo peidou em meio a um grupo de indianos! Hahaha
Em Verona tivemos a sorte de uma feirinha. Mas a verdade é que em Euro, nada é barato. Saímos de lá ao fim da tarde e depois de chegarmos no Hotel em Veneza (continental), tomarmos um banho de 15 minutos ( batemos nosso récorde) ainda conseguimos sair correndo e pegar a saída pra um passeio que foi o ápice do dia: Veneza Iluminada. Sur-re-al!
Vou contar cada detalhe da nossa estada em Veneza no próximo post. De dia e de noite. Estou ainda procurando as palavras pra descrever a beleza que é Veneza. Terminamos a noite embriagados de amor e vinho, em plena Piaza di San Marco. La Sereníssima!

sábado, 16 de agosto de 2014

Primeiro Dia - Milão @Itália

Primeiro dia da viagem de férias foi rico. Depois de passarmos 11 horas no vôo mais cansativo da minha vida, vi que talvez ir pro Japão não seja um sonho pra ficar na lista. À medida que vamos ficando velhos, e não vamos ficando proporcionalmente ricos e continuamos na classe econômica, fica complexo viajar tão longe. Alitalia tem bom atendimento de bordo mas o banco parece uma tábua e me fez lembrar um cinema 4D dos EUA que cutucava as costas em meio ao filme: o banco da Alitália parecia que tinha um cotovelo bem no meio das nossas costas. Pra piorar, um encosto que joga sua cabeça pra frente, como se fosse um "pedala, Robinho" eterno. Vin-gan-ça. Mas não desligue agora: tem uma bendita caixinha de ferro na frente de todo banco, com o tamanho de um estabilizador, que impede que você estique as pernas a menos que seja de pernas abertas. Ruim. Ruim mesmo. Já fiz viagem de 18 horas e dormi 14. Nesta, se dormi uma hora foi muito. Já no vôo começa o lance do fuso: como a Itália está a 5 horas pra frente do Brasil,  umas 16h do Brasil já serviram o jantar ( que seria umas 23h na Itália) e durmam. O máximo que eu já tinha vivido de fuso eram 6 horas de diferença em Seattle, só que pra trás: um paraíso! Meu despertador tocava às 07h e meu corpo acordava feliz da vida, pois pra ele era uma da tarde. Mas aqui é o contrário: já são meia-noite e meia, meu corpo pensando que nem começou o Jornal Nacional e não quer dormir. Mas vamos que vamos. O vôo foi portanto cansativo mas não se pode reclamar. Tinha uma porção de gente no nosso vôo que tinha vivido um trauma no vôo anterior: um moço de 24 anos teve um AVC e faleceu em pleno vôo. Eles estavam sobrevoando o Atlântico, há mais de 4 horas do Brasil, e tiveram que voltar, com o moço que faleceu. E estavam em nosso vôo, tristes e ainda mais cansados, pois somadas às 11 horas do nosso vôo, teriam as 8 horas do outro, fora o trauma. Conversar com a mãe do médico que tentou salvar o rapaz fez parar pra pensar... Quanto nossa vida é frágil, como fazemos planos e planos e planos e de repente, tudo pode acabar, porque pra morrer basta estar vivo, sabe? Rolou uma tristeza mas uma fome ainda maior de viver, de aproveitar tudo que nos é possível, de realizar os sonhos, de ter um compromisso com a alegria e só. Só por isto já foi rico o dia. Pela reflexão.
Chegamos no Aeroporto de Roma, que deve ser porta de entrada pra muitos países da Europa: maior zorra! Tumulto, muita gente do mundo todo, ninguém faz fila, um passando na frente do outro, enfim: o Velho Mundo pode ser primeiro mundo mas não se parece com o primeiro mundo EUA, por exemplo, onde tudo funciona perfeitamente. Mas o fato de estarmos num lugar com pouca violência, poder transitar com minha câmera profissional na rua, já é um fruto a se colher do primeiro mundo. Delicioso fruto! Dizem que a violência aqui é tão pequena que nem as caixas d'água têm ladrão, rs. Mas que é uma bagunça é: furam mais fila que brasileiro, quando conseguem formar fila. À primeira vista deu uma impressão de que a Itália é o "Rio de Janeiro" da Europa: gente despojada, culturalmente mais "malandra", bonita e bronzeada. Tem quem ame, tem quem odeie e segue o jogo! 
Os italianos são de fato, charmosos. Piscadela do piloto no avião à todas as mulheres mostram esse jeito italiano que vemos nos filmes, galanteador, conquistador. As mulheres são igualmente belas: afinal Boticário delas é Versace, né, benne? Mas andam com os cabelos esmarfanhados, parecendo a "Mendigata" do Pânico.
Fomos esquecidos pela agência que deveria ter nos proporcionado o translado aeroporto - hotel. Sem problemas: pegamos táxi e seremos reembolsados. O duro foi participar das gravações do filme Velocidade Máxima 6 com o tal taxista nas auto pistas: mais de 140 km/h , sem seta, brigou com uns 10 nos caminho entre fechadas e freiadas em cima. Não gostei. Eu cogitei mentir que estava grávida pra ver se ele pegava mais leve, mas tive medo de distrai-lo e morrermos. Sem trânsito nenhum pelos 40km percorridos. Estradas boníssimas. E pelo visto os radares de velocitá não funcionam. Nosso anjo da guarda bateu 100% de CPU. Dio mio!
Chegamos no Hotel Una Escandinava, tudo bem bonito e antigo. Estilo clássico europeu. Fomos ao Supermercado pra economizar no almoço. Como diz meu amigo Laki, melhor comer um sanduba no almoço pra jantar, se não fica muito caro. Mas sem sofrimento nenhum, porque o presunto é parma e o queijo é brie. Ficamos encantados no supermercado! Passeamos também na feira mais famosa ce Milão: uma mistura da nossa feira normal de frutas e legumes (pastel não vai estar tendo - risos), somados a bugigangas da China e roupas tipo Bom Retiro, de qualidade e gosto duvidoso. A feira deve ser sinal da crise pois vendem até papel higiênico na rua, coisa que nunca eu tinha visto no Brasil. Não compramos nada na feira. Os feirantes parecem ser do mundo todo. 
Descansamos e aproveitamos o Hotel, bastante confortável, e saímos em busca de um Pub com cervejas artesanais: dobramos a esquina e pronto! Lá estava: BQ. Eu bebi água com gás, deliciosa, e dei umas bicadas nas cervejas do Leo, que encantado ficou a noite toda. E comi um delicioso Hamburguer Gourmet, com gorgonzola e cebolas caramelizadas. Per-fei-to! Cozinha aberta pra gente ver todo o preparo, bar acolhedor e atendimento muito amistoso. 
Nossa língua não é mais tão fraca, onde falávamos que éramos brasileiros, tinha alguém pra nos ajudar e ser gentil falando "obrigada" ou "boa tarde", seja no mercado, no hotel, ou no bar. Portugal aqui do lado ajuda, óbvio.
Saldo do dia do meu digníssimo marido na busca das cervejas perfeitas: Duvel Tripel Hop (que no Brasil custa R$25 e aqui, 2 Euros), as locais que são como Brahmas na Itália, se chama Tuborg, as artesanais: uma com nome de passarinho Cracatua (IPA), Sumer IPA (IPA mais fraquinha com frutas tropicais), Hopbloem 5,7* (amarga) e assim viveu feliz pra sempre! 

Isto porque estamos na terra do vinho! Se formos pra Alemanha...medo!


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Beco sem Saída

Ontem estava na casa de meus pais e assisti ao Fantástico. Não é o que gosto de assistir num domingo a noite pois, domingos a noite já são suficientemente depressivos para que tenhamos que ter ainda uma dose extra de realidade. Acho que o SBT deveria passar Maratona de Chaves aos domingos a noite, seguido de Pantera Cor-de-Rosa mas enfim. Fiquei chocada com a reportagem que mostra os policiais que pegaram 2 trombadinhas na rua e os executaram no meio do mato, sendo que, um deles sobreviveu e então tem a estória pra contar. Fiquei pensando que estamos, nós, seres humanos, num beco sem saída. A segurança pública se tornou um beco sem saída...
De um lado, é atemorizante ver as gravações dos dois policiais simplesmente em êxtase por matar dois seres humanos, um de 12 anos e o outro não me lembro. Eles não estavam com uma cara do tipo "puta, que merda, matei um moleque", mas agindo com naturalidade demais a ponto de nos chocar. Chocou porque vimos ali a pior versão de nós mesmos, o lado mais negro do ser humano, que banaliza a morte e brinca de ser deus inescrupulosamente. Como disse meu marido, "rola um prazer em matar. Tipo Hannibal." Pra quem nunca assistiu a "quadrilogia" de filmes do Hannibal (Hannibal, Hannibal - A origem do Mal, Dragão Vermelho e Silêncio dos Inocentes), está perdendo. Minha trama preferida. E ainda tem o seriado. Tem uma coisa que é muito marcante naquele monstro que come pessoas: ele teve seu porquê para virar monstro. Em tempos de Guerra, comeram sua irmãzinha mais nova, sendo que ela era tudo que ele tinha na vida, após já ter perdido seus pais. E é isso que faz refletir na trama: provavelmente sob aquelas condições, eu e você também seríamos monstros, canibais ou o que quer que seja. E assim é a vida. A gente não consegue julgar nenhum lado sem sermos muito injustos: o moleque que talvez nunca tenha tido dignidade na vida, talvez nunca teve condições de ser um cidadão, talvez nunca tenha tido exemplo e nem amor, e que se tornou ladrão, e que amanhã vai ser um potencial assassino porque hoje ele só não assalta porque ainda não lhe deram um três oitão... O policial que ganha uma miséria todos os meses para colocar sua vida em risco todos os dias e vive submerso no mundo do crime, essas coisas que a gente fica horrorizado de ver no noticiário da noite, enquanto tomamos uma canja bem quentinha com a bunda sentada em nossos sofás, sabe? Então, é o dia-a-dia dos caras. Mas ao vivo e a cores. Os policiais vêem bandidos o tempo todo. Eles ingerem ódio, medo e vivem numa selva com leis de sobrevivência que desconhecemos. Você já foi roubado por um trombadinha? Ou um trombadinha já roubou sua mãe, sua avó ou alguém grávida que conhece? Certamente deve ter vindo uma frase clichê em sua cabeça: "essa raça tem mais é que morrer tudo!" Ainda que não tenha tido coragem de falar. Só que aí, quando passa no Fantástico o policial que matou os moleques menores de idade, a gente fica chocado.
Fez me lembrar de duas coisas: uma delas quando fui roubada por um trombadinha de bicicleta na Avenida Paulista. Eu, parada no farol falando no telefone, tinha acabado de sair de uma entrevista (estava desempregada), esperando o semáforo abrir pra eu atravessar, parou um moleque com seus 16 anos, mais ou menos, de bicicleta na minha frente, com um estilete de merda (me zoam até hoje que fui roubada com uma faca de rocambole) e pegou meu celular. Eu me ferrei: perdi meus contatos, na época nem tinha portabilidade numérica e então perdi meu número, tudo isso em meio a inúmeros processos seletivos que estava participando, desempregada. Chorei, chorei. E aquele moleque trouxe a tona o pior de mim. Lembre-se: todo mundo tem seu lado Hannibal, são as circunstâncias a que é submetido que aflorarão ou não o monstro que existe em você. Naquele momento, fiquei com ódio do moleque. Nem lembrei da teoria do coitado que não teve chance na vida. Eu queria meu telefone pra procurar a porra do meu emprego. Chorei de ódio. Sensação de impotência. O valor do smartphone nem era a grande questão, sabe? Embora fosse mais de Mil Reais. Mas todo o contexto do "e se me ligarem amanhã da vaga tal" me deixou verdadeiramente enfurecida. Atravessei a rua e duas travessas pra frente entrei no meu carro popular não zero, ainda que eu tenha começado a trabalhar aos 13, tudo vai dando mais revolta. Dou partida no carro, chorando, e quem passa na minha frente? O mesmo moleque, com a bicicleta. Não tive dúvidas: liguei meu carro e acelerei atrás dele: era pra atropelar! Eu certamente não queria matá-lo, mas quebrá-lo eu queria. Juro. E eu sou canceriana, caçula e cristã. Pra minha sorte ele virou numa contra-mão bastante movimentada e o perdi de vista. Bastaram 5 minutos para eu me perguntar o que eu estava fazendo... Eu poderia ter estragado a minha vida machucando alguém. Às vezes é 1 minuto de Hannibal que acaba com uma vida inteira de Ursinhos Carinhosos que vivemos. Pra minha sorte, não foi dessa vez. Mas me lembrei de tudo isso ontem antes de julgar impetuosamente os policiais. Todo mundo quer que mata, mas ninguém quer ver matando.... Este é o ponto.
Lembrei de uma segunda vez, descendo a Ladeira de Porto Geral, na região da 25 de Março, e um homem bem vestido bateu a bolsa de uma senhorinha. Mas foi pego pelos próprios camelôs da rua que gritavam "aqui, não, fdp! Aqui você não vai roubar não", preocupados com suas vendas e não com a velhinha, obviamente. Colocaram esse ladrão num poste e bateram muito nele, até a polícia chegar para supostamente salvá-lo. Eu assisti a cena aos prantos de dentro de uma loja, onde me enfiei pra fugir do tumulto. Ninguém quer saber porque o cara roubou a velhinha. É justo roubar a velhinha? Claro que não! E bater no ladrão? Ninguém sabe se ele era um vagabundo que ganha a vida roubando ao invés de acordar cedo e pegar uma enxada ou se ele era um desesperado desistindo de lutar nessa terra de ninguém com filho pequeno com fome em casa. Você acha que os policiais fizeram algo melhor pra ele que a surra que ele tomou dos ambulantes? Não gosto nem de pensar.... Mas enfim, a mesma Ana que quis atropelar o trombadinha da bicicleta estava ali, chorando, pedindo pelo amor de Deus para pararem de bater no trombadinha da 25. Talvez me pegou num dia melhor: eu não estava desempregada e a velhinha não era minha mãe. Mas o fato é, os Direitos Humanos, que tanto criticamos e achamos que só atrapalha tudo, luta pelo direito que por vezes nem sabemos que queremos ter: o direito de não presenciar, de não aceitar, de não existir esse tipo de coisa, tão desumana que é virar bicho e tratar o próximo como animal.
Aqueles policiais eram bichos, era nítido nas filmagens. Ninguém mata com tanto prazer..,
Os moleques, idem. Se não não estariam no mundo do crime. 
E assim segue nossa vida, onde morre mais gente por aqui nessa guerra de animais do que nas guerras santas entre palestinos e judeus que tanto nos assustam. 
Estamos num beco sem saída.
A gente não sabe nem pra quem torcer porque não sabemos mais quem é o mocinho e quem é o vilão...


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Somos luz. Somos escuridão. Somos pisca-piscas.

Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais: somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos 'sem querer'.

Sigmund Freud
    Será que de fato não haveria luz se não houvesse escuridão?
    Que castigo é algo que só existe dentro da sua cabeça e sempre teremos nossos momentos de altos e baixos independente de nossas escolhas? Como uma senóide sem fim que se auto equilibra em todos os aspectos da vida? Todos tendo seu lado bom e todos tendo seu lado ruim? Será que jamais seremos somente luz, 100% corretos por maior que seja o esforço?



terça-feira, 15 de julho de 2014

Conheçam meu pai!

Ponto alto do meu dia foi lembrar de alguns momentos com meu pai, lá da infância.
Começou com a minha amiga Sílvia se perguntando se filha menina se apega mais ao pai. Contei que fiquei emocionada com o post de um amigo, que se chama Fábio e que é super rígido no dia a dia com a gente, mas postou um vídeo ensinando sua filha a andar de bicicleta. Todo doce! Cada vez que a pequena Ana caía, ele estava ao lado, para suportá-la e não deixá-la desistir. Enfim, uma menininha arranca a maior ternura e doçura do homem que é seu pai, por mais duro que ele possa ser longe dela.
Imagine eu que sou filha do Seu Tiãozinho, que é doce melado por natureza com todo mundo.
Nem sei quantas vezes ele se atirou na frente das cintadas da minha mãe (porque alguém tem que fazer o trabalho sujo... Rs) para me salvar dos "açúquinhas", como ele carinhosamente chamava as surras que eu tomava. Me livrava de várias! 
Lembro também que ele era meio Jackass, manja? Uma vez me empurrou tão alto do balanço no sítio do meu tio, tão alto, que eu achei que ali mesmo eu aprenderia o que era força centrípeda e viraria num loop sem cair do assento do balanço. Chorei de medo e minha mãe apareçeu pra me salvar. Mandou ele voltar a deitar e para o jogo de futebol que ele ouvia no radinho de pilha dele. Ele rindo (parecendo o Chaves) voltava pro canto dele. Hoje entendo que era estratégia. Nunca voltei a incomodá-lo pedindo "Me balança, paaaai!". Nunca mais!
Lembro também da primeira vez que ganhei minha bicicleta. Um sonho! Tinha um supermercado que abria aos domingos seus portões do estacionamento (naquela época o supermercado não abria aos domingos, pode imaginar isto nos dias de hoje? Em se tratando de São Paulo Capital?) e o estacionamento era usado pela comunidade local pra andarmos de patins, bicicleta, empinar pipa. Enorme! Sonda Supermercados na Zona Norte, onde cresci. Então meu pai levou a caixa da bicicleta lá e montou, enquanto eu olhava aquele sonho cor-de-rosa tomando forma de realidade. Tinha uma rampinha. Ele montou lá em cima e me chamou assim que terminou. Ainda insegura, conferi se tinha rodinhas e fui. Mas quando desci a rampinna, minha bicicleta desmontou toda!!! Há! Yeyé! Já dizia o poeta. Era pegadinha do Malandro: meu pai não pôs parafuso na bicicleta. Ele ria tanto! E eu indignada, brigando quase como brigo hoje, mas com meus 4 anos de idade, então tinha graça e ele ria. Talvez por isso nunca tive coragem de me jogar reta pra trás esperando que ele me segurasse, tipo brincando de desmaio, sabe? Sei lá como meu pai via graça nisso. Hoje eu acho graça. E fico mais confortável em ter filhos por ver que vovô inofensivo que ele se tornou. Rs. Mas a NASA deveria estudar meu pai.
Ele conta rindo que uma vez ele levou meu irmão de 6 anos no carrinho bate-bate do parquinho do bairro e pôs minha irmã com 3 sentadinha do lado dele. Na primeira batida minha irmã Claudia bateu o narizinho e saiu um pouco de sangue. Meu irmão Altemir, protetor que é, aprendeu a dirigir, fazer baliza, tudo ali, aos 6 anos, naquele carrinho. Meu pai conta o desespero do meu irmão escapando das outras batidas pra salvar a minha irmã! "Não deixou bater mais nenhuma vez!" E lá foi a vizinha chamar minha mãe pro parque caguetar que meu pai estava fazendo merda com as crianças. É ou não é um tiquinho Jackass? Hahaha!
Mas as lembranças são doces. Doces como o caldo de cana que ele me levava religiosamente para tomar todos os domingos na feira, com pastel de carne. Enjoei que não tomo um e nem como o outro hoje. Mas às vezes dá vontade de comer e beber só pra sentir aquele gostinho de passado.
Passado que eu ao ouvir ele chegando do trabalho, me escondia embaixo do móvel da sala, um balcão, e esperava ele entrar e perguntar pra minha mãe: "Cadê a Paulinha?" E minha mãe todos os dias dizia: " Foi no zoológico!" E ele dizia: "Foi? Não acredito!..." E então eu pulava na frente dele dando um susto com direito a grito e risada. Ele me abraçava e me beijava. E assim foi por um longo tempo. Um dia eu tinha 10, ele chegou e falou: "Cadê a Paulinha?" Eu já nem cabia mais embaixo do móvel pra me esconder. Estava na sala ao lado da cozinha. E ouvi minha mãe dizer: "Hoje a Paulinha ficou mocinha!" Quis morrer. Juro que me enfiaria embaixo do balcão se ainda coubesse! Mãe é fogo! Tem mesmo que contar essas coisas???! E meu pai piorou; "Como assim?" Hahaha! Meu pai nunca foi de saber falar dessas coisas de corpo e sexo. Nem com meu irmão que era menino, quiçá comigo!  Dizem que certa vez Seu Tiãozinho foi à farmácia comprar absorvente pra minha mãe e ao perguntar pra que era meu pai falou pro meu irmão que era pra pôr no nariz. Imagina isso? 
Esse é meu pai! Que em todo domingo, até nos mais frios e de chuva, sentava na cadeira pra brincar de escolinha comigo, e ficava rindo achando graça quando eu passava a lição na lousa e brigava que ele não estava copiando direito! Eu adorava uns patinhos que ele desenhava pra mim! E adorava colocar ele de castigo! E hoje em dia, vejo o mesmo movimento por parte de minhas sobrinhas de 4 e 6 anos: elas adoram dar bronca no meu pai e colocá-lo de castigo. Concluo que é quase natural e instituvo judiar dos mais bonzinhos. Ou então a gente gosta de fazer isso porque meu pai fica meio que rindo de fundo. A gente sabe que está fazendo ele feliz. 
Meu pai gritava da janela em frente ao ponto de ônibus pra minha irmã que era super tímida: "Fiaaaa, esqueceu a marmita!!!" Enquanto ela fingia que não era com ela. Só pra rir. E até hoje eu chamo as pessoas que mais gosto de "fia" e "fio" como um gesto do meu mais profundo carinho! 
Meu pai roubava meu ovinho de codorna que eu deixava pro final porque gostava mais. Pra me irritar. E sempre que eu aparecia com amigos da escola em casa, ele inusitadamente aparecia com um cacho inteiro de bananas oferencendo uma pra cada um, inclusive pro meu amiguinho por quem eu era apaixonada, mas que na minha cabeça não me daria bola nunca com um sogro macaco desses. 
E assim acho que aprendi importantes liçōes: não acreditar nunca completamente nas pessoas. Se seu pai pode te zoar, imagina um estranho, imagina na Copa! 
Nunca deixe nada muito bom pro final. Nada de adiar o que mais quer. 
E que bonzinho só se fode.
Fora todas as lições de amor, honestidade e responsabilidade que aprendi só olhando. Meu pai sempre foi um cara de muitos exemplos e poucas palavras.
Claro que tivemos nossos rompantes. Meu pai já foi herói e já foi bandido na nossa vida, sobretudo por conta de bebida num passado mais distante. Mas prefiro me ater ao que de bom existiu. Estas lembranças são, sem dúvida, mais fortes. Contra os carmas que ele criou, devo ter me igualado pelo tanto que o fiz lutar, sofrer e fora que não casei nada virgem. Hehehe. Então estamos quites. Passando a régua só sobra o amor e estas boas lembranças... Estas melhores! 


domingo, 13 de julho de 2014

Quem sai na chuva, é pra se molhar...

Estive dias desses pela primeira vez num culto de uma Igreja Evangélica que nunca tinha visitado.
Tento ser uma pessoa que sempre enxerga o copo meio cheio mas desta vez falhei completamente na minha missão. Não tem "Alice" nem "Pollyanna" que aguente...
Sempre achei que toda religião tem seu lado bom e é melhor que exista pra ser freio moral nas pessoas que precisam de uma ordem maior pra serem boas. Ou pra promover qualquer tipo de fé, que na minha opinião move o mundo.
O Deus que eu acredito não tem forma de gente, tão pouco está sentado num trono julgando as pessoas. O Deus que eu acredito é pura energia. Energia que move o mundo, a energia consciente dos justos, a energia do bem que fazemos uns aos outros. É meio confuso meu credo... Pra mim todos nós somos um pouco de Deus quando exalamos o melhor de nós mesmos. Então a fé em Deus pra mim tem a ver com a Lei da Atração e com o ser intrinsicamente bom, desapegando de sentimentos mundanos como ego e maldades. 
Sou do tipo de pessoa que adoro conhecer outras religiões! Tenho DVDs que explicam o conceito básico de cada uma delas. Já fui em alguns tipos de cultos e celebrações religiosas e respeito todas.
Este meu post tem como objetivo apenas retratar minha humilde opinião sobre o que achei do Culto, até mesmo como um desabafo. Talvez seja muito pouco pra descrever toda uma religião, uma Igreja, mas não poderia deixar de descrever.
Este canto é meu. 
A única coisa bela que achei, foi a fé das pessoas. E a musicalidade. Um show! Com luzes e instrumentos lindos! Louvável. Me senti num show do Pink Floid algumas vezes. 
Todo o resto pra mim foi puro absurdo. 
Portas da Igreja fechadas com fila de duas horas antes do culto com pessoas na chuva porque lá dentro ainda não estava pronto. Muitos, muitos bancos da frente reservados pra pessoas influentes amigos e convidados do casal Pastores da Igreja enquanto que os que chegaram duas horas antes corriam para pegar os lugares mais próximos do Pastor. Três horas de culto, sendo uns trinta minutos de músicas de louvor (lindo!), duas horas gritando e mais meia hora pedindo o dízimo.
Uma manipulação escancarada: "compre seu pedacinho de Céu". Eu ouvi o absurdo: "Se Deus tivesse que estar aqui em algum momento deste culto, não seria na adoração e nem na pregação da palavra. Seria agora. Pra ver a doação de vocês que é o que verdadeiramente expressa o tamanho de sua fé." Oi????? 
Depois de tantas horas, estávamos com sede. O lugar tem capacidade pra 10 mil pessoas (e vi na Internet que o objetivo deles é construir um templo que caibam 25 mil pessoas (!)). Perguntei onde era o bebedouro. "Não tem. Tem que comprar na cantina." Oi? É lei um estabelecimento deste porte dar água potável de graça para as pessoas! Ninguém audita estas Igrejas? Não deveria ter uma espécie de "Anatel" das Igrejas? Ninguém vai prender estes caras? Dois Reais a água, gente!
E o estacionamento? Quinze Reais as primeiras horas! E o Pastor falou no culto: "O irmão veio reclamar pro pastor que tem que pagar estacionamento na Igreja. Vai no shopping paga estacionamento. Mas na Igreja nao quer pagar. Eu falo pro irmão: 'se você tem que pagar estacionamento, levanta sua mão pro céu porque você tem um caaaaaarro' - aos berros- Aleluia?" E a Igreja inteira aplaude e grita: "Aleluia".
Me senti em meio ao livro "Ensaio sobre a Cegueira."
Meus Olhos esbugalhados! Os caras são ninjas da manipulação e da Programação Neurolinguistica. 
Ouvi coisas do tipo: " a área das crianças está sendo reestruturada porque faremos que seja perfeita. Terá os melhores brinquedos, os melhores vídeo games porque assim, no dia que seus pais não quiserem vir, as crianças chorarão e os arrastarão para a Casa do Senhor."
Ou então: "Iniciaremos aula de Música. Porque tem adultos que não vêm na Igreja mas virão ver seus filhos se apresentarem em nosso Auditório e assim aumentaremos nosso rebanho."
Por outro lado, eles não queriam choradeira. Não é pra pensar muito para não sair de lá, mas não é para ser um completo perdedor na vida porque se não não traz dinheiro pra Igreja. Vira um estorvo. Por isso, a pregação da palavra era o próprio filme The Secret: acredite, faça por onde, agradeça. Com uma pequena alteraçãozinha de "doa sua parte pra Igreja". "Dízimo é obrigação - repetia o Pastor - Os irmãos sangue-sugas que só vem pra Igreja pra pedir as coisas não estão no caminho de Deus. Igreja não é lugar de pedir, é lugar pra dar. Dar louvor, dar seu dízimo." 
Fiquei pensando então na Igreja onde me criei. Dei sorte. Só por ter nascido bem depois de sua fase mais suja. Isso se não fui queimada em outra vida como bruxa... Percebi que a grande diferença da Igreja Católica é que enquanto esta prega a simplicidade e que é mais fácil passar um camelo pelo buraco d'agulha do que um rico entrar no céu, ali naquela Igreja protestante eles pregavam a prosperidade absoluta, sem "miserê", ser pobre o cara#*o. Nada bobos. 
Não que a Católica não seja igualmente fdp. Não me iludo. Só está em outra fase, obviamente. Já tem Banco, a maior quantidade de terras da Europa e muito ouro. Já têm dinheiro o suficiente para se auto sustentarem. É business. E como cresci nesta versão da Igreja Católica, onde nunca dei dízimo e gastava metade do dinheiro que minha mãe mandava pro ofertório em salgadinho, e nunca me "enquadraram" por isto, confesso que estava ali, horrorizada.
Todos os Pastores pregam num formato muito semelhante. Muito longe de parecer real. Gritam, quando estão há muito tempo falando e perdem a atenção do público berram ou pedem que repitam uma palavra qualquer ao irmão do lado (pra voltar a atenção), berram, no final falam meio chorando e depois falam na língua do espírito santo ( que eu até acredito que possa haver manifestação deste tipo, mas realmente não acreditei em nenhuma das quatro vezes que vi ontem). Nitidamente treinados. Nitidamente um negócio. 
E assim segue a vida: com a turma dos manipuladores e a turma dos manipulados.
Posso ser uma idiota, mas infelizmente de hoje em diante quando alguém me falar que frequenta esta Igreja, olharei com dó. Meio dó e meio não acredito, manja? Tipo eu olho pra Malufista? Achando inocente demais pra ser verdade? É minha opinião. 
Pra fechar com chaves de ouro, ao final "levantem as mãos quem quiser pagar no cartão de débito ou crédito que a maquininha vai até você."

Sem palavras. 

Eu não suportaria estar presente em dois cultos como aquele na mesma encarnação.
Se o céu é isso, prefiro ir pro Inferno. 

Ps: Seguidora da Lisa Simpson que sou, outro dia liguei no Templo Budista que tem na esquina de casa. Pra meditar, tem que pagar. É triste... Óbvio que nunca paguei.


sábado, 12 de julho de 2014

Dieta pra alma

O filme 21 gramas é um quebra-cabeças atemporal magnífico! Onde tudo faz sentido no final.
O nome é especial pelo seu porquê: um cientista teria, através de experimentos, provado que Homens têm alma e que as perdem no exato momento de sua morte. A primeira medida pesava exatos 21 gramas.
Decidi mudar hoje o título do meu blog.
Vou trazer mais estórias sobre mim mesma. Aproveitar que ninguém lê mesmo e passar a escrever tudo que tenho vontade. Afinal, escrever me deixa mais leve. E eu tenho certeza que preciso de dieta para a minha alma também... 


Observações: 
1. Leia mais sobre o experimento científico (não comprovado cientificamente, mas adorei a tentativa!) sobre os tais 21 gramas: http://super.abril.com.br/ciencia/peso-alma-444387.shtml
2. Escrever como você pensa? Não seria perigoso? E se sua mãe, sogra ou chefe lerem? A resposta é: estou em solo seguro, sei onde estou pisando. Ninguém quer muito entender porque pensamos de determinada forma, o que já vivemos e tal. Em geral discordamos e pronto! Certa vez escrevi um conto erótico e em uma semana tive mais visualizações que no meu blog de pensamentos e devaneios em seis anos! Believe me: quase ninguêm lê.

"Amor que não se percebe..."

Vindo embora hoje da casa de amigos, veio a notícia de uma conhecida do meu marido que morreu aos 26 anos, por alguma doença desconhecida e fulminante, deixando um filho de um ano de idade. Coisa triste. A gente sempre se põe no lugar. Pensei: "e se fosse comigo? E se eu, de repente, tivesse que parar tudo? Deixar de lado o próximo aniversário, não ver a reforma da casa terminada, não responder aquele email importante do trabalho que deixei pra segunda de manhã? Não ter dado tempo de viajar pra onde sonhei e nem tido os filhos que planejei? E Minutos antes da minha morte? Será que vou saber que vou morrer? E acreditando na vida eterna? Acreditando que tudo continua? Vou ter a mesma coragem que quando pulei de pára-quedas no mês passado? Do tipo: 'tem que ir, vamos logo?' Acho que sim. Frases clichês vêm à mente: "Coragem não é ausência do medo. É a capacidade de enfrentá-lo." Considero-me corajosa. Mas logo perco a certeza. Deve ser porque não estou morrendo..."
Silêncio no carro. A morte é fogo. Sempre faz refletir. Dirigi até com mais cuidado. 
Flashes. "Será que digo 'eu te amos' suficientes em vida?" 
É Fim de Copa do Mundo para o Brasil. Perdemos vergonhosamente para a Holanda de 3x0 hoje. Pra piorar os 7x1 contra a Alemanha da última terça. Rola uma depressão coletiva no País do Futebol. Pois como diz num comercial de TV, enquanto todo o mundo joga futebol, aqui no Brasil a gente VIVE futebol. Todo mundo sempre acha que toda seleção brasileira tem potencial pra ser campeã em todas as copas. Aí, quando não é, fica falação de que a Copa é comprada, que é tudo combinado (talvez seja. Revista Ti Ti Ti é bobagem, mas episódio de Os Simpsons "adivinhando" que Neymar sairia gravemente ferido e que perderíamos pra Alemanha é pra, no mínimo, levantar suspeitas), enfim, ou dizem que demos azar, afinal, literalmente quebraram nosso camisa 10 e a arbitragem errou demais. Mas Vendo os dois últimos jogos, eu diria que demos foi muita é sorte em chegarmos como a quarta melhor seleção. Mas enfim, no País do Futebol, só se fala de futebol. A notícia sobre os 135 palestinos mortos versus 1 israelense morto passa desapercebida na galera. Quando vi até me senti na obrigação de "desintristecer" pela derrota do Brasil. #Sejes (expressão que usamos pra dizer brincando "sejes homi" quando alguém está com frescurinha). 
Faleceu hoje também o jornalista e médico Osmar Oliveira.
Muito luto pra um dia só. Silêncio no carro. Fecha o semáforo. Em São Paulo, direção defensiva, aquela que você finge que vai mas não vai. Ônibus na faixa do lado parando no ponto. Noite fria, em todos ls sentidos. Eis que uma cena salva a noite: um casal correndo para alcançar o ônibus parado. Oh, não! Só a mulher sobe, só ela vai embora! Um beijo de despedida, que exala amor. Ela entra, senta, e com cara de apaixonada acena pela janela. Ele, do lado de fora, igualmente apaixonado dá tchau com jeito que queria ir. Salvou minha noite. 
Ah, o amor! 
Nem eram adolescentes. Deviam ter seus mais de 35 anos cada. Mas o último amor nunca é menos lindo que o primeiro...
A noite não estara mais fria. 
Olhei pro lado, meu marido dormindo. Meu coração se encheu de gratidão por tê-lo em minha vida. Graças a Deus estávamos indo para a mesma casa, para a mesma cama... Quando a gente namorava, eu sofria horrores em ter que me despedir e dormir longe. Sempre fui grude. E lembro que pensava: "quando me casar vou me lembrar como desejei isto um dia e nunca vou me esquecer do quão duro era ficar sem ele perto, ao menos no final de cada noite. Isso me fará amá-lo mais." De fato. Hoje lembrei. E o amei mais. E minha noite saiu do preto de luto para cor-de-rosa com bolinhas brancas. 
Ah, o amor...

Foto de autor desconhecido. E Que o Amor seja capaz de cessar essa Guerra, que de Santa não tem nada. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Um sonho de fé

Foi um sonho de muitos aprendizados. Thais é uma menina guerreira, meiga e engraçada. Hoje tem 18 anos e já venceu muitas batalhas em sua vida. Já perdeu todo seu cabelo por 3 vezes, com as sessões de quimio e radio a que foi submetida, na luta pela vida contra a doença Astrocitoma, uma espécie de tumor intercraniano. Até hoje sofre todos os dias com dores de cabeça. Mas isto não tira seu bom humor, seu senso de achar a vida maravilhosa. Dificilmente reclama. Está sempre exaltando. Volta e meia solta um "eita, Glória!" que nós achávamos super engraçado.
Seu verdadeiro sonho era conhecer a cantora Gospel Cassiane, uma pastora da Igreja Assembléia de Deus e recordista na venda de CDs Gospel no Brasil. Belíssima voz.
A Thais é tão ansiosa que tivemos mesmo que fazer surpresa. Dissemos que sairíamos para almoçar juntas e assinar uns papeis da Make-A-Wish. Para este dia, foram sua mãe Lena e seu pai, Cícero. Embora sejam divorciados e já casados novamente com outras pessoas, vivem em perfeita comunhão, todos unidos até hoje. A Thais adora a madrasta e o padrasto. E achamos belo estarem pai e mãe juntos para presenciar o dia da realização da filha.
A Thais tem uma irmãzinha de 7 anos, a Thainá, que é igualmente abençoada. Ela diz que sempre se emociona quando vai à Igreja com a irmãzinha e a vê orando: "Deus, tira essa dor da cabeça da minha irmã. Ela já sofreu demais. Põe na minha!"  Na verdade, neste especial dia do sonho, nós voluntárias também fomos à Igreja com a Thais e nós também pedimos a Deus pela cura da nossa querida wish kid (e que esta dor não vá pra ninguém).
Tivemos um dia feliz: domingo de sol, pegamos a Thais com seus pais em sua casa e fomos para um almoço mais que especial noShopping Tamboré. A comida preferida dela? Massa. Então contamos com a parceria do melhor restaurante italiano de São Paulo em nossa opinião: La Pasta Gialla (http://www.lavecchiacucina.com.br/) que além de nos oferecer uma bela comida da Mama, nos atendeu com todo o carinho do mundo, embarcando com a gente no sonho, desde o nosso primeiro contato. A Valéria, responsável pela loja do Shopping Tamboré, é fã da Make-A-Wish e conhece a nossa causa desde a época que trabalhou na Disney. Acolheu a Thais com muito carinho e demos boas risadas juntas, como no momento que a Thais acreditou mesmo que o "protetor de camisa" era um babador e que ela tinha que usar porque era criança.
Papeamos, tiramos muitas fotos (a Thais adora posar para fotos, para minha sorte que adoro tirar fotos), ela nos mostrou seu caderno impecável onde estavam escritas lindas letras de música Gospel que ela mesma compõe, um desenho lindo de tulipas que ela mesma fez, uma artista. E o CD da Cassiane. Foi quando nos contou a estória de vida da Cassiane, que tanto a inspira: a cantora, quando bebê, chegou a ter seu atestado de óbito emitido, mas se curou e sai com vida daquele Hospital. E segundo a Thais, sua tia profetizou a vontade de Deus: "Ela viverá e onde ela não puder chegar, sua voz chegará." E assim é. O Brasil todo conhece Cassiane, entre os protestantes. A Thais é uma fã de verdade da cantora. Sabe TODAS as músicas.
Saímos do restaurante e começou a surpresa. A Thais não entendeu nada quando chegamos na Igreja ADAlpha, em Alphavillle, que é a Igreja que a Cassiane tem em São Paulo. Estávamos lá para acompanhar a Thais no culto, para orarmos por sua felicidade. E ela estava super feliz de nos ter na Igreja, principalmente a mãe e o pai, que não mais frequentam como ela. Quem vai com ela até hoje é a avó materna. E volta e meia ela dizia: "Será que ela vem?" E nós falávamos que não sabíamos.
Demos uma Bíblia muito linda pra Thais. Personalizada. Mandamos colocar seu nome na capa. Presente de nossos amigos evangélicos que embarcaram neste sonho também.
Mas o fato é que estava tudo marcado. E para a Thais foi perfeito: ela se emocionou muitas vezes no culto, orou por sua cura, cantou muito e quando a Cassiane subiu no palco, foi uma choradeira só! Super tiete!
A Thais é uma filha muito querida de Deus. Ela diz que adora o site da Make-A-Wish e sempre entra para anotar o nome das crianças que tiveram seus sonhos realizados, que como ela precisam de cura e então ela coloca os nomes nos livros de oração da Igreja. Merecia mesmo ter um dia mais que especial, com seu sonho realizado.
Ao fim do culto teve atendimento VIP. Foi para atrás do palco e pode abraçar, tirar fotos, entregar um presente para a Cassiane (o desenho das tulipas) e chorar muito, muito mesmo, de emoção.
Para nós, foi uma experiência enriquecedora.
Eu disse pra ela, em uma de nossas conversas: "Não dá pra acreditar que você já superou isso tudo, tão novinha que é." E ela prontamente respondeu: "É QUE EU NASCI PARA VENCER."
Nós não temos dúvida disto.


Parceiros: Restaurante La Pasta Gialla (http://www.lavecchiacucina.com.br/)

Voluntárias: Ana Gomes, Claudia Gomes e Rosi Gomes.



sexta-feira, 16 de maio de 2014

O dia que pensei melhor e vi que estava errada

Ontem fiz um post reclamando da manifestação dos sem-teto que deu uma travada básica no trânsito de São Paulo.
Na verdade fiz aquela crítica clichê de um monte de gente que acha que já foi pobre mas que na verdade não tem a menor idéia do que é pobreza de verdade. Aquele discurso  "trabalhar que é bom ninguém quer."
Mas pensei bem e hoje estou com vergonha de ter pensado assim.
Estava chateada por estar parada há horas dentro do meu carro quase zero com ar condicionado e nervosa por não poder chegar ao meu emprego. Tem noção do quão egoísta é isso?
Esta ficha me caiu pois todos os dias eu passo e vejo uma cena como a da foto abaixo:


Sabem o que é isso?
Uma mulher sem teto. Que mora debaixo da ponte do Morumbi. O mesmo Morumbi da ostentação.
Só que hoje eu passei por isto, com minhas portas travadas, meu vidro fechado e meu ar ligado, e me senti uma merda. Porque eu sempre rezo pra que Deus dê condições mais dignas pra pessoas como ela. Mas quando eles se unem para uma manifestação e "mexem no meu queijo", me tiram quarenta minutos da minha rotina perfeita, eu fico brava. E os julgo. Pra que rezar?
Qual a probabilidade de uma pessoa nestas condições conseguir dar a volta por cima sem a ajuda do Governo? Se esta mulher que mora bem aí, embaixo desta ponte, batesse na porta da sua casa e dissesse: "Quero trabalhar. Quero lavar seu banheiro. Pode me pagar no mês o que você paga num tênis pro seu filho", você abriria a porta da sua casa e daria a ela uma chance? Certamente não. 
Aí vão me dizer: "Ah, mas os caras que vão na manifestação são de outro tipo. Eles ganham a casa e vendem." Eu não cometerei de novo este tipo de erro. Eu precisaria conhecer a fundo a vidas daquelas mil pessoas para poder chegar a uma conclusão precipitada destas.
Sei que existem pessoas acomodadas, que não buscam mudar de vida, ao contrário de verdadeiros campeões que deram A VOLTA por cima. Mas sinceramente eu me pergunto: "se eu estivesse na situação deles, se eu tivesse  as mesmas condições, as mesmas experiências que eles, talvez fosse pior. Uma criminosa provavelmente." Porque o meio é responsável também pelo que se tornam as pessoas. E talvez se eles tivessem nascido na família que eu nasci, se tivessem frequentado as escolas que estudei, se tivessem tido as minhas oportunidades, fossem ganhadores de Prêmios Nobel. E eu sou uma bosta. Este é o ponto.
Eu não nasci sem teto. Sou filha e irmã de trabalhadores que nunca me deixaram faltar as condições básicas para um ser humano ser feliz: saúde, educação (ainda que em escolas públicas), moradia (ainda que em casa de aluguel), alimentação (ainda que só tivesse danone no dia da compra), segurança e sobretudo amor. Muito amor. 
Estas pessoas são, certamente, muito mais que sem-teto.
São pessoas tentando gritar para serem notadas. Mas é como se estivessem em "mute" em meio às classes em ascensão.
E quem sou eu pra julgar? 
Que o Governo possa usar de forma decente todo o imposto que eu pago para tentar melhorar esta desigualdade do nosso País. Nunca soneguei. Nem um centavo. Nunca fiz esquema nenhum pra restituir mais. Enquanto me acham uma otária, eu me sinto de consciência tranquila. Se o Governo corrompe meu dinheiro, o carma é deles, um erro não justifica o outro. 
Que eu seja capaz de votar em pessoas mais humanas que mudem de opinião. E que não achem justa tamanha diferença. Que minimamente enxerguem cenas absurdas como esta de pessoas morando embaixo da ponte. Enxergar já é um começo. Refletir vem depois. Tem gente que não tem e nem nunca terá a menor idéia do que eu estou falando.
Me arrependi.
Sem teto: parem SP!
Exijam a ajuda que o Governo tem a obrigação de dar para que recuperem sua dignidade e busquem como eu, desde que em condições semelhantes. Capitalismo sim. Selvagem, não.
"Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo..."
Que eu nunca fique cega. Amém. 


domingo, 4 de maio de 2014

Vitória

Victoria é seu nome. Vitória é a palavra da sua vida. Aos oito meses a mãe percebeu que algo estava errado com a pequena. Diagnosticado como verme mas que infelizmente depois de uma semana, com exames mais precisos, foi visto que não se tratava de algo tão simples. Era câncer nos rins. E antes mesmo de completar um aninho de idade a luta pela vida começou: foram anos de quimioterapia. Aos dois anos Vitória era uma bebê linda, carequinha, ainda na luta pela vida. A mãe, Cleide (eu insisto em minha tese de que toda mãe tem um quê de santa), nunca deixou de trabalhar, para garantir que poderia dar o melhor aos filhos. Coração enorme, acolheu Gisele, Ivete e Robson, filhos do primeiro casamento de Ailton, como se fossem seus filhos. "Esperei que eles crescessem pois queria criá-los direitinho. Tinha medo de ter um filho meu e amar mais que eu já amava eles." Pode imaginar do quão altruísta é um ser humano que pensa assim? E depois de 7 anos veio ela: Victoria. Para o chamego dos irmãos mais velhos que sempre ajudaram a cuidar. Nas sessões de quimio no Graac, eram os irmãos que a levavam. Há oito anos Cleide é telefonista da Livraria Cultura no Shopping Market Place. E graças à união da linda família, pôde seguir trabalhando. Mesmo com a doença da filha. Depois de anos de quimio, apareceu um tumor maligno no rim esquerdo de Vic, que aos 3 anos de idade se submeteu a uma cirurgia onde retirou metade do rim esquerdo. Todo este tratamento trouxe uma fragilidade maior em seu pulmão. A pequena já teve pneumonia 18 vezes. Fica hoje na escolinha da Prefeitura de manhã, e infalivelmente o tio da perua a pega todos os dias ao meio dia e a leva para a Recreação durante toda a tarde, onde faz Ballet, Aulas de Religião e outras coisas que a fazem tão esperta. Às 18:30h a perua deixa a pequena em casa, onde a mãe já está esperando com a jantinha quente. Sua comidinha preferida? Carne moída com arroz, tomate e alface. Pra doce não liga. Só gosta de chocolate branco e SÒ se for Galak. Mais nenhum outro. Gosta de assistir desenhos animados e seu preferido é o DORA, A AVENTUREIRA. Quando chegamos no Grajau, bairro onde mora, fomos bem recebidas pela vizinhança e pelos pais da Vic: Cleide e Ailton. Carinhosos, criaram os 4 filhos na doutrina da Igreja. O que nos faz entender a fé e a força para lutar contra toda a doença da Victória. A Victoria estava na casa da amiguinha. O pai foi buscar. Nos contaram que quando tocou o interfone e era a amiga chamando para brincar, ela disse "Ah... pensei que era meu sonho". rsrs. Como se sonho ligasse para a casa das pessoas. 
Há 2 anos a assistente social do Graac, que coincidentemente também se chama Dora, a convidou a escrever uma carta para a Make-A-Wish pedindo seu sonho. A mãe achou que, com 3 anos criança nem sonhava. "Acho que eu não perguntava com medo de que ela pedisse algo que eu nunca fosse capaz de dar". Mas a Dora conseguiu arrancar dela o sonho que foi inscrito e que nós, como fadas, temos certeza de que é o verdadeiro sonho da pequena: um quarto decorado da DORA, A AVENTUREIRA. 
A irmã mais velha, recém-separada do marido, voltou para a casa dos pais e acabou "tomando" o quarto da Victoria de volta. Então a caminha pequenina da Vic foi pro quarto dos pais. "E agora, Vic? Como fica?" 
"Decora só este cantinho com a DORA, A AVENTUREIRA", apontando pra parede onde a caminha fica encostada no quarto dos pais. 
"Mas como é o quarto que você tanto sonha?"
"Ah.. - pensou com ar de quem sonha- tem a cama com a Dora. a parede com a Dora, a TV com a Dora..." 
Pausa. As fadas anotando. 
"Ah! Esqueci! A mesa de vidro da Dora!"?
"Que? Mesa de vidro da Dora? Como é isso?"
"Pra colocar aqui na sala. Meu pai que pediu."
O pai levantou da sala. Envergonhado. (Risos). 
Abraçamos a pequena e explicamos que toooodo mundo terá direito um dia à uma fada ou a um gênio da lâmpada. Mas que nós éramos a fada só dela. Então que era pra ela pedir o sonho só dela. Depois viriam outras fadas pro papai. E pra mamãe. Ela entendeu. E repetiu: "Meu quarto da Dora. Minha irmã dorme na sala porque ela ronca". (Risos).
A irmã está temporariamente na casa. Vão alugar um outro apartamento no Grajau para morar com os 2 filhos e o marido, com quem reatou neste mês. Estavam esperando desocupar o apartamento. E então o quartinho voltará a ser da Victoria. Aproveitamos para pegar todas as medidas. A Vic prontamente apareceu com uma trena e tratou de subir na cama para segurar para a gente medir as paredes, janela, etc. 
A casa é muito simples. Mas muito espaçosa. É um condomínio habitacional popular. Vai ficar lindo! Mal podemos imaginar. 
O aniversário dela será agora dia 17 de Maio. A mãe já programou a folga para levá-la num bate e volta à Praia. A única vez que a pequena foi à Praia foi quando os médicos a desenganaram e disseram para a mãe fazer as suas últimas vontades. Foram com aparelhos e ambulância para a praia, mas mal puderam aproveitar. Hoje, graças a Deus já em manutenção, vai ao Graac e Hospital São Paulo a cada 4 meses rumo a ter alta em definitivo e dar esta estória como vencida de uma vez por todas. Ela tirou o cateter para ir à praia desta vez mais feliz e saudável. Vai ser um dia incrível e a Vic não vê a hora. Outra vontade da Vic na época era ter um cachorro. A gerente da Cleide deu então um poodle,  que hoje cresceu, é cego e um "grude" com a menina. A mãe disse que sabe que ela está doente quando o cachorro muda o comportamento e não sai um segundo do lado dela. E o pai reclama que agora ela sarou e o cachorro vai viver mais 12 anos. Ele não parece gostar muito.
A Victoria é linda! Toda de cor de rosa, com tiara de flor nos cabelos cacheados, linda de viver! Espoleta que só ela. Faladeira. Tem sempre na mão um brinquedo que toca as "músicas mágicas de Dora, A Aventureira. Mas que perdeu o CD. Depois descobrimos que os pais que esconderam o CD porque ela não parava de ouvir. 
Sabe o nome de todos os personagens. Explicou tudo pra gente. 
Foi uma experiência única ter ido ao famoso Grajau, que o Criolo carinhosamente chama de Grajauex. Nos humaniza ver realidades tão diferentes. Eu diria que é difícil, para crianças como a Vic, como nós, fadas que hoje não temos do que reclamar, mas que já fomos muito mais simples e necessitadas na infância, não ter um sonho que seja TER. As pessoas têm tanta coisa! Fiquei lembrando do quanto eu sempre sonhei em ter um quarto só para mim. Mas que dividi a vida toda com meus irmãos. Hoje, sei o quão abençoada fui por ter neles tanto amor e proteção, mas quando a gente é criança, a gente RELAMENTE sonha em TER algumas coisas. E a Victoria sonha em ter este quarto todo decorado da Dora. Com TV, guarda-roupas, cama, cortina, tapete, tudo que se tem direito.
E estamos com nossas varinhas prontas para seguirmos na luta das captações necessárias para fazer um dia inesquecível e uma experiência transformadora para a pequena Vic!
Pra terminar, um trechinho da música do Criolo, conterrâneo da pequena, falando coisas que gostaríamos de dizer a ela:

"Entre o céu e o inferno,
no Grajaú me localizo,
...
Eu tô falando é de atenção,
que dá cola ao coração,
que faz marmanjo chorar
se faltar
um simples sorriso
ou às vezes um olhar
...
Não quero ver
você triste assim não
que a minha música possa
te levar amor."

#Make-A-Wish

sábado, 29 de março de 2014

O valor da amizade

A pequena Barbara nos comoveu e emocionou desde o dia que a conhecemos. 
Foi paixão à primeira vista. 
Seu sonho? Conhecer três amigas virtuais. 
Há mais de dois anos são amigas à distância na vida real e seus avatares em um jogo da Internet também são melhores amigos. Neste jogo elas se encontram, conversam, brigam às vezes, fazem as pazes, passeiam, vão ao cinema, ao shopping, à piscina. E o sonho da Barbara era abraçar estas três amigas e ter um final de semana real de pura felicidade, assim como no jogo. Um sonho de puro carinho e amizade.
Assim aconteceu: as meninas vieram de longe, de Bauru e Belo Horizonte e o encontro aconteceu em um Hotel de São Paulo. Lágrimas e sorrisos se misturaram. 
Elas ganharam uma correntinha com pingentes iguais, para selar a amizade para sempre. Ganharam também pijamas iguais cor-de-rosa. E à noite celebraram a amizade em uma inesquecível festa do Pijama, com direito a brigadeiro e bexigas. Antes da festa, almoçaram todas juntas em um restaurante que serve a comida preferida da Barbara: Feijoada. E foram ao cinema assistir ao filme de fadas com pipoca e tudo. No domingo, aproveitaram horas de piscina juntas e ao se despedirem já ficaram com saudades. Mas não tem problema: com certeza viverão juntas e felizes para sempre!
Afinal, a amizade é um milagre.

A amizade é um milagre pois arranca de nossos rostos lágrimas que a vida pôs e estampa os mais belos sorrisos.
A amizade é um milagre porque supera barreiras que o tempo e a distância tentaram colocar.
A amizade é um milagre. Uma espécie de presente de Deus, para que sempre, não importa a idade da gente, possamos dar uma pausa em tudo que é real para vivermos em momentos de pura fantasia e felicidade. São com os amigos de verdade que a vida tem cheiro de chuva, gosto de brigadeiro e sensação de brisa no rosto.

“Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.”

domingo, 23 de março de 2014

Um sonho de superaçōes

Há algum tempo atrás chegou a hora de realizarmos o sonho do grande Higor Henrique, um bom menino de 16 anos, filho de um pai funileiro mecânico e de uma mãe cabelereira (que lhes dão muito amor), que está no primeiro colegial, mora em Varginha (há 6 horas de Belo Horizonte), bom aluno, bom filho, bom amigo, atleta profissional (vai à academia religiosamente todos os dias). Conhecê-lo pessoalmente hoje foi doce. Doce como a vida deve ser. Menino prodígio, bem longe de parecer estar numa fase "aborrecente". Perguntei ao pai se era porque estávamos em ritmo de festa e a resposta foi não, ele de fato é doce todos os dias. Até aí, parece-nos uma estória comum, de um garoto comum. Mas não. Higor é um verdadeiro campeão. Ao olhar seu sorriso tímido, seu olhar brilhante e seu gesto acatado pra mim em um movimento que gesticulava as batidas do coração com a mão batendo no peito (que na primeira vez que fez me explicou o que era dizendo:  "meu coração tá a mil"), sentia por ele tanta admiração, tanta! Por saber de sua estória, de tudo que superou na vida, te começado seus longos anos de quimioterapia aos sete anos de idade, por ter passado por quatorze cirurgias, ter amputado, por fim, a perna direita e hoje viver sem restrições com sua prótese, e ser este menino doce. Esperto. Independente. Quando digo superação, estou falando de superação. Superação em todos os sentidos. Como é inspirador conhecer pessoas que de fato não se fazem vítimas de seus obstáculos, mas os superam. Higor foi campeão brasileiro de jiu jitsu em 2011, em sua categoria de peso e idade da época. Campeão! Ele com prótese, lutando com pessoas sem prótese. E vencendo. Isto é uma estória de superação. Ele me contou detalhes do dia que viajou com sua equipe para São Paulo e no ginásio do Ibirapuera foi consagrado campeão. Depois disto perdeu 25 kilos em um ano. Sendo rigoroso com sua dieta e com suas atividades físicas. Hoje é um menino forte. Forte e fortalecido. Dizem que saber a gente adquire nos livros, mas que sabedoria, só se arriscando pela vida. Sinto-me mais rica por ter conhecido o Higor, com sua estória de vida e toda sua doçura. A esta altura, eu já estava muito mais fã dele do que ele fã de seu grande ídolo, o motivo de estarmos lá hoje no Mineirão, em Belo Horizonte, no show Planeta Brasil.
Há alguns meses atrás, numa viagem com grandes amigos, um deles pôs um CD com músicas novas, que eu nunca tinha escutado. "Que som legal! Que é?" Era um rap melódico, com letra que mais parecia poema, voz bela, energia boa. "Criolo", respondeu o Maurício. Mal sabia eu que, neste mês chegaria para mim a missão de conseguir contato com o cantor: era o sonho do Higor chegando , "Quero conhecer o cantor Criolo." Assisti a alguns clipes, pesquisei a vida do cantor na Internet, cheguei no contato de seu produtor Eduardo, que prontamente nos atendeu e generosamente nos disse sim, poderíamos promover o encontro do grande Higor com o grande Kleber, ou famoso Criolo. O cenário deste dia de sonho seria o belíssimo Estádio Mineirão. Chegamos mais cedo, comemos um lanche destes de porta de estádio (apesar de rústico me remete a uma coisa boa de antes de show) e quando menos esperávamos tinha dado o horário. Edu me passou um rádio, atravessamos a rua, eu, o Higor e seu pai Claudinei (um querido, com o "mesmo jeitim" do meu pai, Seu Tiãozinho). Entramos na van. Lugares da frente reservados pra gente. E de repente no banco de trás estava ele, o ídolo do Higor, criolo Doido. Toda banda, toda equipe. E nós ali, como um deles. Não seriam 15 minutos no camarim. Foi quanto tempo o Higor quisesse! "Firmeza, irmão? Hoje a gente vai ficar muito tempo junto. Você vai ficar com a gente no rolê inteiro!"
E assim foi: Higor e Criolo se abraçaram, conversaram um monte, todos da banda e da equipe foram super receptivos, carinhosos. A esta altura, eu também estava encantada. Fotografando cada sorriso tímido do Higor.  Encantada! Encantada! O sonho foi um sonho! Criolo não fala, recita poema. O cara é de uma sensibilidade, de uma profundidade, de uma humildade e de uma tranquilidade que eu nunca tinha visto no meio. Pelo poder da atração, todos os seus são iguais. Foi um sonho de muito carinho. Mútuo. Por vezes desejei estar invisível para poder fotografar e filmar cada minuto. Mas o clima era tão natural, a distância entre a celebridade e o fã simplesmente não existia, que por vezes me sentia mal de fotografar tanto! Tão absurdo quanto seria fotografar incessantemente dois amigos ou familiares. Esta energia boa, de gratidão que tomava conta de todo nosso dia, me fez pensar no quanto sou abençoada em poder presenciar momentos como este: sonhos se realizando, pessoas incríveis se conhecendo... Perguntamos ao Criolo se ele ficava nervoso antes dos shows. "Sim. Não importa se pra uma ou se pra cem mil pessoas. Adrenalina sempre!" Mas JURO, não parecia. Embora suas músicas sejam tapas na cara da sociedade para ver se acordam perante tanta frieza dos Homens e desigualdade, embora sua música soe como gritos de "Acorda para um mundo melhor", até mesmo com um ar de rebeldia e revolta que todo rap tem, a leitura que fiz do Criolo é que ele é extremamente feliz por ter sido escolhido pela música (o cara é puro talento) mas que isto não infla seu ego e nem o faz se sentir mais que ninguém. E ele transforma tudo que lhe acontece em exemplo, exemplo de que o mundo é dos capazes, exemplo para as pessoas sem voz e sem vez acreditarem que também podem chegar lá. E com cara de "preguiça" de todo o resto que possa ser diferente disto, que cerca a vida das celebridades em glamour e egocentrismo. O cara é sereno até no jeito de olhar. E cada vez que ele via o Higor, ele vinha, abraçava, sorriam... O Higor entregou em mãos dois raps que ele mesmo compôs. Criolo guardou carinhosamente na mochila dizendo "poemas..." Depois presenteou o Higor com duas camisetas. Higor pediu se podia tirar a da Make a Wish com a felicidade de uma criança que acabara de ver o Papai Noel. Óbvio que sim! Camiseta com o nome da Comunidade de onde veio Criolo. Cabelo ao natural, barba enorme e por fazer. Roupas largas, simples e sem passar. Assim é o Criolo. Que em seguida deu ao Higor um bilhete com seu autógrafo: "Higor, a beleza da vida está em não a compreendermos por completo. Um forte abraço de seu grande amigo Kleber Gomes, ou simplesmente Criolo." Fato. Ainda nesta semana postei uma frase do Fernando Anitelli que dizia isto, justamente num momento que tinha lido toda estória do Higor. "Querer entender o sentido de tudo é querer saber demais."
O mais incrível é que a vida de Criolo também é de pura superação. De origem extremamente simples, disse pra gente que um dos shows mais importantes pra ele foi o Lolapalooza, pois, estava sendo transmitido ao vivo num telão para oito mil pessoas da comunidade onde nasceu. E isso o emocionava.
É disso que eu tô falando: este sonho foi algo tão real, eram pessoas tão incríveis, nada era fake, não eram egos, eram pessoas!... Eram o que eu chamo de "gente de verdade". Porque o Higor é tão gente. O Criolo é tão gente! ... Estou nas nuvens! E meu vôo acabou de aterrissar, mas eu? Continuo nas nuvens!
Lembro do Higor falando com sorriso nos olhos: "É o dia mais 'da hora' da minha vida!"
"Mais que o dia que você foi campeão?"
"Mais!"
Creio que cada ídolo tem o fã que merece. E vice-versa.




Link do talento que é o Criolo:
Salve, Criolo!

Link do Higor Campeão de Jiu Jitsu em 2011:
Higor Campeão Mundial Jiu Jitsu 2011

Depoimento do Higor, que teve seu sonho realizado, compondo seu próprio rap:

"Se um dia a vida me der uma chance
De andar sem tropeçar , de sorrir a todo instante
De chorar sem sair lagrimas , e toda paixão ser só um lance
Talvez , quem sabe
Eu recusaria tudo , pra viver o que eu vivi
sofreria tudo de novo , pra hoje poder sorrir"
(Higor Costalonga)