domingo, 21 de setembro de 2014

"O show tem que continuar"

"O show tem que continuar."
Esta seja talvez, a maior regra da vida de quem tem dentro de si a necessidade de ser feliz. 
Por que a vida não pára, por nenhum só segundo, para que entendamos o que aconteceu, para que enxerguemos o lado bom que toda mudança traz. A gente fica lá, perplexo, parado, chorando, não quer, não concorda, não se conforma... Mas nada, absolutamente na-da disto faz, fez ou fará a menor diferença: a vida simplesmente segue seu rumo, impetuosamente. 
E deixa pra trás todos que decidiram parar seja para se lamentar, pensar ou simplesmente chorar. 
Isto eu aprendi perdendo amores ao longo da vida. Alguns ex namorados, a melhor amiga com câncer que se foi, aquele tio preferido, o emprego ao qual dedicava boa parte de minha vida ( primeira demissão a gente nunca esquece)... Mas a vida seguiu enérgica: cada minuto chorando foram simplesmente sessenta segundos que perdi de felicidade. 
Mais do que isto, percebi que enquanto eu decidi "parar", perdi oportunidades de empregos melhores, perdi a chance de ficar com o cara que seria o pai de meus filhos, perdi mais um dia de alegria com amigas que Deus permitiu estarem por mais tempo ao meu lado, e há perdas que são simplesmente irreparáveis. Mas enfim: não pára, não pára, não pára!
A vida não pára. E se você quer verdadeiramente viver, cada minuto como se fosse o último, "deliciar-se com a fruta da vida e chupar até o caroço", você precisa 'não parar'.
Dizem que depois que a gente morre, quando em algum lugar Alguém passa a régua, a única coisa que a gente leva são os momentos em que fomos veradeiramente felizes. Nossa bagagem eterna: momentos de felicidade. E ninguém quer carregar uma mala destas vazia por aí. Então, temos todos a obrigação de sermos felizes. E a vida, ou Deus, ou seja lá no que você acredita, vai te cobrar por isto.
Pode parecer nebuloso agora, mas a dificuldade ou adversidade que passamos hoje tem um propósito, um sentido, mas que a gente só consegue enxergar se seguir caminhando, se escolher por não parar, porque somente lá na frente é que a névoa passa e você consegue enxergar coisas que agora são impossíveis. 
O mais mágico é que podemos seguir QUALQUER caminho, desde que seja em frente. 
A escolha é sempre nossa. Neruda já dizia que somos livres para escolhas, mas escravos das consequências. 
" A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
Você pode seguir aos prantos, ou com lágrimas nos olhos, ou com nó na garganta. 
Você pode seguir se perguntando, buscando respostas e novas inspirações. 
Você pode seguir xingando, até isto seria melhor que não seguir.
O importante é seguir. 
Parar não trará respostas, nem conforto pra nenhuma dor, nem novas possibilidades.
A vida é o nosso próprio espetáculo, sem ensaios, sem breaks, sem o fechar das cortinas... 
Por vezes, o "mocinho" da nossa cena simplesmente vai embora e você pensa "e agora?!" mas não tem mais que alguns segundos pra improvisar...
Temos que ser protagonistas de nossa própria estória.
É duro, mas pra gente ser feliz, "o show tem que continuar..."

domingo, 7 de setembro de 2014

Filho da Culpa!

Depois de um longo dia de trabalho, eis que chegamos na casa de meus pais que carinhosamente nos hospedam nesta semana por conta da reforma em nossa casa.
A porta da edícula está trancada. Queremos pegar algumas coisas lá dentro. A chave não entra, não está funcionando.
- Só pode ser culpa do seu pai! - disse minha mãe aflita. - Ele chegou do trabalho com mais uma caixinha de cerveja e eu falei que jogaria fora - minha mãe se preocupa mais com a saúde do velho do que ele próprio, que sabe que não pode beber nem socialmente mas bebe.- Aí ele veio bravo aqui pra fora esconder as cervejas e pôs a chave errada e forçou e agora tá quebrado.
- A culpa é sua, Leu. - meu pai se defende da cozinha. - se você não me importunasse assim, não teria acontecido.
Peguei uma faquinha e tentei, tentei futucar pra ver se voltava o miolo à uma posição que entrasse a bendita chave certa. Nada. 
Esperamos meu marido terminar o banho. Veio ele.
Colocou a chave pelo outro lado e não conseguiu de jeito nenhum virar a chave. Viu a faquinha. 
- Que é essa faquinha? 
- Eu que usei pra tentar arrumar.
- Então a culpa é sua! Você com essa faca estragou e por isso a chave não está virando. Se não minha estratégia iria funcionar. 
Olhei bem pra cara dele. O ciclo havia fechado: cada um tinha encontrado seu próprio culpado e a porta continuava lá, trancada e emperrada.

Como me lembrou a vida! Onde a gente perde tanto tempo e energia tentando achar a culpa sendo que isto simplesmente jamais "vai abrir nenhuma porta."

Merece uma crônica, pensei eu. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Alegria e OVNI de pobre dura pouco

Vamos falar de objeto voador não identificado. Hoje eu vi um. Ontem eu vi outro. Antes de ontem outro. Com esse tanto de miopia, olhou pro céu, não sabe o que é, por definicão é OVNI.
Mas a questão é que eu sonho em ter um amigo extraterrestre. Queria ver um extraterrestre. Como no filme que passa na Globo em quase todos os Natais. E por assim desejar, vivo olhando pro céu. Tem lá suas desvantagens, como pode confirmar outros amigos lunáticos como o Daniel: dificilmente vemos joaninhas.. Neste ano ou no ano passado (sou incapaz de guardar se quer se meu carro é zero quilômetro ou não), compramos um carro com parabrisa Zenith, pra ver ainda melhor o céu, tamanho nosso interesse pelo assunto (eu e meu marido). Mas hoje algo inédito aconteceu: eu vi uma bola de fogo caindo do céu. 
"Datênica" que sou, achei que era um avião caindo. Pensei comigo: Marina despencando nas pesquisas, na marra. Cruzes! Estacionada no trânsito de São Paulo, pude acompanhar a trajetória meio hiperbólica da bola de fogo quando de repente: puft! Sumiu. Não foi até o chão, sumiu antes.
Pensei comigo: estrela cadente. Será que só eu vi? Era bem grande.
Trilha sonora na minha mente (que é uma viagem): "Quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas, derramando com assombro exemplar, o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa..."
Fiquei viajando sozinha, eu, eu mesma e Irene e pensando como seria uma invasão alienígena na Terra. Eu acredito mais em vida inteligente fora da Terra do que em vida inteligente por aqui, pra falar a verdade, ultimamente. Diria que somos um Planeta de disléxicos perto do que eu acredito que exista por aí. Então, eu sempre imagino os extraterrestres como grandes PMOs, dando as diretrizes de nossa ocupação por aqui, do tipo: "Está faltando água? Faz isso aqui ó", "Multiplique os mico-leões-dourados e araras-azuis assim", etc. Nos mostrando o caminho certo que sozinhos não parecemos encontrar. Meu irmão já não. Ele sempre diz que ele os receberia como naquele filme Sinais (o filme que a menininha deixa copos de água espalhados pela casa - se fosse palito de dente usado, lá em casa seria o Leo que nos salvaria). Meu irmão fala que ia dar uma tacada de baisebol na cabeça do extraterrestre já gritando: "Que você está fazendo aqui?" E eu me pergunto: cadê o taco de beisebol que ele sempre fala que usaria mas nunca se quer comprou? Rs.
Lembrei também do jantar com amigos de sábado, em que a Barbara compartilhou do desejo de ver ETs. Pensei: "será que rolou a lei da atração? Falamos sábado disto e hoje eu vi?" Diga-se de passagem descobri sábado que existe uma ONG de Sacis. Que eles existem e são cuidados numa cidadela de Minas Gerais e que o que usam na boca não é bem um cachimbo, mas um pedacinho de palha no canto da boca. Meio bicho. E difícil de ver porque aparecem muito rápido. Hoo, gente.
Lembrei de um sonho que tive que todas as luzes do mundo se apagaram e ao olharmos pela janela, víamos uma grande nave mãe chegando à Terra para o juízo final. Não, eu nunca fumei maconha e não tomo alucinógenos antes de dormir. No sonho, fui andando com um grupo até o Guarujá e de conhecido, só meu marido. Sentamos numa sala desconhecida e começou o julgamento: era um Quiz. Tipo Show do Milhão, de conhecimentos gerais mesmo. E eu não sabia a resposta. Pesadelo, não? Tempos depois disso vi aquela palhaçada/farsa do Nibiru mas achei coincidência o jargão dele ser "Busque conhecimento". Tinha a ver com meu sonho. Eita.
Fiquei feliz por ter visto algo novo. Tirou meu foco dos mais de quinhentos (não, não escrevi errado: mais de quinhentos!) quilômetros de lentidão na Grande São Paulo na terrível hora do rush. Fiz algumas ligações usando o viva-voz do carro e na que liguei pra Ursula até falei:
- Acho que vi uma estrela cadente. Parecia um avião caindo. Mas depois parecia uma estrela cadente.
- Cê fez um pedido?
- Não fiz na hora. Fiquei viajando..
- Pede agora.
- Agora? Mas já passou.
- Vai ficar de frescurinha?
Pausa na ligação. Por isso que eu adoro meus amigos. Sempre me encorajando na vida. Fiz o grande pedido da minha vida e do meu momento. Se der certo, prometo contar. Antes de dar, não posso aue dá um azar danado.
Foi assim.
Postei no Facebook perguntando se mais alguém tinha visto. "A vida é tão rara", quem olha pro céu? Os primeiros comentários foram insinuando que as minhas "faculdades" mentais são dessas sem aprovação do MEC. Ou perguntando o que eu fumei. Eu nunca fumei. Meu irmão, o mesmo do taco de beisebol, mandou eu ligar pra "tiazinha". Tonto. Fiquei refletindo qual o crivo dos ETs para escolherem quem abduzir? Escolheram a Tiazinha porque ela é magra e seria foda me abduzir? Ou será que é porque ela é linda e tem o gene que eles querem roubar? Pra fazer um planeta de Tiazinhas? Ou será que escolhem só as pessoas de menos credibilidade na sociedade porque aí serão classificadas como loucas e pronto, ninguém nunca vai acreditar.
Aí fiquei pensando: acreditariam em mim se eu visse? Duvido. Iriam achar que eu estava louca... Ia ser frustrante. Mas ainda assim divertido. 
A esta altura, eu estava ouvindo a rádio Sul América Trânsito e outros ouvintes mandaram SMSs e emails dizendo que viram uma bola de fogo caindo do céu! Fiquei feliz! Não era somente eu e o Daniel que vimos! Mais pessoas. Logo: não estou louca. Feliz por atestar minha sanidade e por ver algo raro.
Liguei para a afilhada e contei que vi uma estrela cadente. A pequena Maria Clara, minha afilhada linda, carioca de oito anos me faz uma senhora declaração de amor:
- Dinda, se eu visse uma estrela cadente eu pediria você aqui no meu aniversário.
Óbvio que estou com outra janela da Submarino aqui procurando passagens em conta pro Rio de Janeiro!
Jantando sozinha, enquanto Leo tomava banho. Passa das dez. TODOS os cachorros da rua latem. Medo. Eles estão de olho sempre e se latem todos, algo tem. 
Um barulho estondiante na rua. Barulho alto e meio de "nave espacial".
Medo e curiosidade. 
Invadiram? Deixe-me ver no trend topics do Twitter. Nada!
Neste instante pesquisei na Internet algum relato, alguma notícia. O último foi em Fevereiro. Descobri um tal site do BRAMON - Brazilian Meteor Observation Network. Mandei-lhes uma mensagem dizendo o que eu tinha visto, data, hora e local. E em poucos minutos veio a resposta: era de fato um grande meteoro! As câmeras capturaram o verdadeiro bólido.
E acabou-se o que era doce. 
Não temos mais um OVNI. 
Olho na janela. Lá na rua, não passava do lixeiro passando. 
Segue a vida pacata. Sem "alô, alô, Marciano!"