segunda-feira, 21 de julho de 2014

Beco sem Saída

Ontem estava na casa de meus pais e assisti ao Fantástico. Não é o que gosto de assistir num domingo a noite pois, domingos a noite já são suficientemente depressivos para que tenhamos que ter ainda uma dose extra de realidade. Acho que o SBT deveria passar Maratona de Chaves aos domingos a noite, seguido de Pantera Cor-de-Rosa mas enfim. Fiquei chocada com a reportagem que mostra os policiais que pegaram 2 trombadinhas na rua e os executaram no meio do mato, sendo que, um deles sobreviveu e então tem a estória pra contar. Fiquei pensando que estamos, nós, seres humanos, num beco sem saída. A segurança pública se tornou um beco sem saída...
De um lado, é atemorizante ver as gravações dos dois policiais simplesmente em êxtase por matar dois seres humanos, um de 12 anos e o outro não me lembro. Eles não estavam com uma cara do tipo "puta, que merda, matei um moleque", mas agindo com naturalidade demais a ponto de nos chocar. Chocou porque vimos ali a pior versão de nós mesmos, o lado mais negro do ser humano, que banaliza a morte e brinca de ser deus inescrupulosamente. Como disse meu marido, "rola um prazer em matar. Tipo Hannibal." Pra quem nunca assistiu a "quadrilogia" de filmes do Hannibal (Hannibal, Hannibal - A origem do Mal, Dragão Vermelho e Silêncio dos Inocentes), está perdendo. Minha trama preferida. E ainda tem o seriado. Tem uma coisa que é muito marcante naquele monstro que come pessoas: ele teve seu porquê para virar monstro. Em tempos de Guerra, comeram sua irmãzinha mais nova, sendo que ela era tudo que ele tinha na vida, após já ter perdido seus pais. E é isso que faz refletir na trama: provavelmente sob aquelas condições, eu e você também seríamos monstros, canibais ou o que quer que seja. E assim é a vida. A gente não consegue julgar nenhum lado sem sermos muito injustos: o moleque que talvez nunca tenha tido dignidade na vida, talvez nunca teve condições de ser um cidadão, talvez nunca tenha tido exemplo e nem amor, e que se tornou ladrão, e que amanhã vai ser um potencial assassino porque hoje ele só não assalta porque ainda não lhe deram um três oitão... O policial que ganha uma miséria todos os meses para colocar sua vida em risco todos os dias e vive submerso no mundo do crime, essas coisas que a gente fica horrorizado de ver no noticiário da noite, enquanto tomamos uma canja bem quentinha com a bunda sentada em nossos sofás, sabe? Então, é o dia-a-dia dos caras. Mas ao vivo e a cores. Os policiais vêem bandidos o tempo todo. Eles ingerem ódio, medo e vivem numa selva com leis de sobrevivência que desconhecemos. Você já foi roubado por um trombadinha? Ou um trombadinha já roubou sua mãe, sua avó ou alguém grávida que conhece? Certamente deve ter vindo uma frase clichê em sua cabeça: "essa raça tem mais é que morrer tudo!" Ainda que não tenha tido coragem de falar. Só que aí, quando passa no Fantástico o policial que matou os moleques menores de idade, a gente fica chocado.
Fez me lembrar de duas coisas: uma delas quando fui roubada por um trombadinha de bicicleta na Avenida Paulista. Eu, parada no farol falando no telefone, tinha acabado de sair de uma entrevista (estava desempregada), esperando o semáforo abrir pra eu atravessar, parou um moleque com seus 16 anos, mais ou menos, de bicicleta na minha frente, com um estilete de merda (me zoam até hoje que fui roubada com uma faca de rocambole) e pegou meu celular. Eu me ferrei: perdi meus contatos, na época nem tinha portabilidade numérica e então perdi meu número, tudo isso em meio a inúmeros processos seletivos que estava participando, desempregada. Chorei, chorei. E aquele moleque trouxe a tona o pior de mim. Lembre-se: todo mundo tem seu lado Hannibal, são as circunstâncias a que é submetido que aflorarão ou não o monstro que existe em você. Naquele momento, fiquei com ódio do moleque. Nem lembrei da teoria do coitado que não teve chance na vida. Eu queria meu telefone pra procurar a porra do meu emprego. Chorei de ódio. Sensação de impotência. O valor do smartphone nem era a grande questão, sabe? Embora fosse mais de Mil Reais. Mas todo o contexto do "e se me ligarem amanhã da vaga tal" me deixou verdadeiramente enfurecida. Atravessei a rua e duas travessas pra frente entrei no meu carro popular não zero, ainda que eu tenha começado a trabalhar aos 13, tudo vai dando mais revolta. Dou partida no carro, chorando, e quem passa na minha frente? O mesmo moleque, com a bicicleta. Não tive dúvidas: liguei meu carro e acelerei atrás dele: era pra atropelar! Eu certamente não queria matá-lo, mas quebrá-lo eu queria. Juro. E eu sou canceriana, caçula e cristã. Pra minha sorte ele virou numa contra-mão bastante movimentada e o perdi de vista. Bastaram 5 minutos para eu me perguntar o que eu estava fazendo... Eu poderia ter estragado a minha vida machucando alguém. Às vezes é 1 minuto de Hannibal que acaba com uma vida inteira de Ursinhos Carinhosos que vivemos. Pra minha sorte, não foi dessa vez. Mas me lembrei de tudo isso ontem antes de julgar impetuosamente os policiais. Todo mundo quer que mata, mas ninguém quer ver matando.... Este é o ponto.
Lembrei de uma segunda vez, descendo a Ladeira de Porto Geral, na região da 25 de Março, e um homem bem vestido bateu a bolsa de uma senhorinha. Mas foi pego pelos próprios camelôs da rua que gritavam "aqui, não, fdp! Aqui você não vai roubar não", preocupados com suas vendas e não com a velhinha, obviamente. Colocaram esse ladrão num poste e bateram muito nele, até a polícia chegar para supostamente salvá-lo. Eu assisti a cena aos prantos de dentro de uma loja, onde me enfiei pra fugir do tumulto. Ninguém quer saber porque o cara roubou a velhinha. É justo roubar a velhinha? Claro que não! E bater no ladrão? Ninguém sabe se ele era um vagabundo que ganha a vida roubando ao invés de acordar cedo e pegar uma enxada ou se ele era um desesperado desistindo de lutar nessa terra de ninguém com filho pequeno com fome em casa. Você acha que os policiais fizeram algo melhor pra ele que a surra que ele tomou dos ambulantes? Não gosto nem de pensar.... Mas enfim, a mesma Ana que quis atropelar o trombadinha da bicicleta estava ali, chorando, pedindo pelo amor de Deus para pararem de bater no trombadinha da 25. Talvez me pegou num dia melhor: eu não estava desempregada e a velhinha não era minha mãe. Mas o fato é, os Direitos Humanos, que tanto criticamos e achamos que só atrapalha tudo, luta pelo direito que por vezes nem sabemos que queremos ter: o direito de não presenciar, de não aceitar, de não existir esse tipo de coisa, tão desumana que é virar bicho e tratar o próximo como animal.
Aqueles policiais eram bichos, era nítido nas filmagens. Ninguém mata com tanto prazer..,
Os moleques, idem. Se não não estariam no mundo do crime. 
E assim segue nossa vida, onde morre mais gente por aqui nessa guerra de animais do que nas guerras santas entre palestinos e judeus que tanto nos assustam. 
Estamos num beco sem saída.
A gente não sabe nem pra quem torcer porque não sabemos mais quem é o mocinho e quem é o vilão...


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Somos luz. Somos escuridão. Somos pisca-piscas.

Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais: somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos 'sem querer'.

Sigmund Freud
    Será que de fato não haveria luz se não houvesse escuridão?
    Que castigo é algo que só existe dentro da sua cabeça e sempre teremos nossos momentos de altos e baixos independente de nossas escolhas? Como uma senóide sem fim que se auto equilibra em todos os aspectos da vida? Todos tendo seu lado bom e todos tendo seu lado ruim? Será que jamais seremos somente luz, 100% corretos por maior que seja o esforço?



terça-feira, 15 de julho de 2014

Conheçam meu pai!

Ponto alto do meu dia foi lembrar de alguns momentos com meu pai, lá da infância.
Começou com a minha amiga Sílvia se perguntando se filha menina se apega mais ao pai. Contei que fiquei emocionada com o post de um amigo, que se chama Fábio e que é super rígido no dia a dia com a gente, mas postou um vídeo ensinando sua filha a andar de bicicleta. Todo doce! Cada vez que a pequena Ana caía, ele estava ao lado, para suportá-la e não deixá-la desistir. Enfim, uma menininha arranca a maior ternura e doçura do homem que é seu pai, por mais duro que ele possa ser longe dela.
Imagine eu que sou filha do Seu Tiãozinho, que é doce melado por natureza com todo mundo.
Nem sei quantas vezes ele se atirou na frente das cintadas da minha mãe (porque alguém tem que fazer o trabalho sujo... Rs) para me salvar dos "açúquinhas", como ele carinhosamente chamava as surras que eu tomava. Me livrava de várias! 
Lembro também que ele era meio Jackass, manja? Uma vez me empurrou tão alto do balanço no sítio do meu tio, tão alto, que eu achei que ali mesmo eu aprenderia o que era força centrípeda e viraria num loop sem cair do assento do balanço. Chorei de medo e minha mãe apareçeu pra me salvar. Mandou ele voltar a deitar e para o jogo de futebol que ele ouvia no radinho de pilha dele. Ele rindo (parecendo o Chaves) voltava pro canto dele. Hoje entendo que era estratégia. Nunca voltei a incomodá-lo pedindo "Me balança, paaaai!". Nunca mais!
Lembro também da primeira vez que ganhei minha bicicleta. Um sonho! Tinha um supermercado que abria aos domingos seus portões do estacionamento (naquela época o supermercado não abria aos domingos, pode imaginar isto nos dias de hoje? Em se tratando de São Paulo Capital?) e o estacionamento era usado pela comunidade local pra andarmos de patins, bicicleta, empinar pipa. Enorme! Sonda Supermercados na Zona Norte, onde cresci. Então meu pai levou a caixa da bicicleta lá e montou, enquanto eu olhava aquele sonho cor-de-rosa tomando forma de realidade. Tinha uma rampinha. Ele montou lá em cima e me chamou assim que terminou. Ainda insegura, conferi se tinha rodinhas e fui. Mas quando desci a rampinna, minha bicicleta desmontou toda!!! Há! Yeyé! Já dizia o poeta. Era pegadinha do Malandro: meu pai não pôs parafuso na bicicleta. Ele ria tanto! E eu indignada, brigando quase como brigo hoje, mas com meus 4 anos de idade, então tinha graça e ele ria. Talvez por isso nunca tive coragem de me jogar reta pra trás esperando que ele me segurasse, tipo brincando de desmaio, sabe? Sei lá como meu pai via graça nisso. Hoje eu acho graça. E fico mais confortável em ter filhos por ver que vovô inofensivo que ele se tornou. Rs. Mas a NASA deveria estudar meu pai.
Ele conta rindo que uma vez ele levou meu irmão de 6 anos no carrinho bate-bate do parquinho do bairro e pôs minha irmã com 3 sentadinha do lado dele. Na primeira batida minha irmã Claudia bateu o narizinho e saiu um pouco de sangue. Meu irmão Altemir, protetor que é, aprendeu a dirigir, fazer baliza, tudo ali, aos 6 anos, naquele carrinho. Meu pai conta o desespero do meu irmão escapando das outras batidas pra salvar a minha irmã! "Não deixou bater mais nenhuma vez!" E lá foi a vizinha chamar minha mãe pro parque caguetar que meu pai estava fazendo merda com as crianças. É ou não é um tiquinho Jackass? Hahaha!
Mas as lembranças são doces. Doces como o caldo de cana que ele me levava religiosamente para tomar todos os domingos na feira, com pastel de carne. Enjoei que não tomo um e nem como o outro hoje. Mas às vezes dá vontade de comer e beber só pra sentir aquele gostinho de passado.
Passado que eu ao ouvir ele chegando do trabalho, me escondia embaixo do móvel da sala, um balcão, e esperava ele entrar e perguntar pra minha mãe: "Cadê a Paulinha?" E minha mãe todos os dias dizia: " Foi no zoológico!" E ele dizia: "Foi? Não acredito!..." E então eu pulava na frente dele dando um susto com direito a grito e risada. Ele me abraçava e me beijava. E assim foi por um longo tempo. Um dia eu tinha 10, ele chegou e falou: "Cadê a Paulinha?" Eu já nem cabia mais embaixo do móvel pra me esconder. Estava na sala ao lado da cozinha. E ouvi minha mãe dizer: "Hoje a Paulinha ficou mocinha!" Quis morrer. Juro que me enfiaria embaixo do balcão se ainda coubesse! Mãe é fogo! Tem mesmo que contar essas coisas???! E meu pai piorou; "Como assim?" Hahaha! Meu pai nunca foi de saber falar dessas coisas de corpo e sexo. Nem com meu irmão que era menino, quiçá comigo!  Dizem que certa vez Seu Tiãozinho foi à farmácia comprar absorvente pra minha mãe e ao perguntar pra que era meu pai falou pro meu irmão que era pra pôr no nariz. Imagina isso? 
Esse é meu pai! Que em todo domingo, até nos mais frios e de chuva, sentava na cadeira pra brincar de escolinha comigo, e ficava rindo achando graça quando eu passava a lição na lousa e brigava que ele não estava copiando direito! Eu adorava uns patinhos que ele desenhava pra mim! E adorava colocar ele de castigo! E hoje em dia, vejo o mesmo movimento por parte de minhas sobrinhas de 4 e 6 anos: elas adoram dar bronca no meu pai e colocá-lo de castigo. Concluo que é quase natural e instituvo judiar dos mais bonzinhos. Ou então a gente gosta de fazer isso porque meu pai fica meio que rindo de fundo. A gente sabe que está fazendo ele feliz. 
Meu pai gritava da janela em frente ao ponto de ônibus pra minha irmã que era super tímida: "Fiaaaa, esqueceu a marmita!!!" Enquanto ela fingia que não era com ela. Só pra rir. E até hoje eu chamo as pessoas que mais gosto de "fia" e "fio" como um gesto do meu mais profundo carinho! 
Meu pai roubava meu ovinho de codorna que eu deixava pro final porque gostava mais. Pra me irritar. E sempre que eu aparecia com amigos da escola em casa, ele inusitadamente aparecia com um cacho inteiro de bananas oferencendo uma pra cada um, inclusive pro meu amiguinho por quem eu era apaixonada, mas que na minha cabeça não me daria bola nunca com um sogro macaco desses. 
E assim acho que aprendi importantes liçōes: não acreditar nunca completamente nas pessoas. Se seu pai pode te zoar, imagina um estranho, imagina na Copa! 
Nunca deixe nada muito bom pro final. Nada de adiar o que mais quer. 
E que bonzinho só se fode.
Fora todas as lições de amor, honestidade e responsabilidade que aprendi só olhando. Meu pai sempre foi um cara de muitos exemplos e poucas palavras.
Claro que tivemos nossos rompantes. Meu pai já foi herói e já foi bandido na nossa vida, sobretudo por conta de bebida num passado mais distante. Mas prefiro me ater ao que de bom existiu. Estas lembranças são, sem dúvida, mais fortes. Contra os carmas que ele criou, devo ter me igualado pelo tanto que o fiz lutar, sofrer e fora que não casei nada virgem. Hehehe. Então estamos quites. Passando a régua só sobra o amor e estas boas lembranças... Estas melhores! 


domingo, 13 de julho de 2014

Quem sai na chuva, é pra se molhar...

Estive dias desses pela primeira vez num culto de uma Igreja Evangélica que nunca tinha visitado.
Tento ser uma pessoa que sempre enxerga o copo meio cheio mas desta vez falhei completamente na minha missão. Não tem "Alice" nem "Pollyanna" que aguente...
Sempre achei que toda religião tem seu lado bom e é melhor que exista pra ser freio moral nas pessoas que precisam de uma ordem maior pra serem boas. Ou pra promover qualquer tipo de fé, que na minha opinião move o mundo.
O Deus que eu acredito não tem forma de gente, tão pouco está sentado num trono julgando as pessoas. O Deus que eu acredito é pura energia. Energia que move o mundo, a energia consciente dos justos, a energia do bem que fazemos uns aos outros. É meio confuso meu credo... Pra mim todos nós somos um pouco de Deus quando exalamos o melhor de nós mesmos. Então a fé em Deus pra mim tem a ver com a Lei da Atração e com o ser intrinsicamente bom, desapegando de sentimentos mundanos como ego e maldades. 
Sou do tipo de pessoa que adoro conhecer outras religiões! Tenho DVDs que explicam o conceito básico de cada uma delas. Já fui em alguns tipos de cultos e celebrações religiosas e respeito todas.
Este meu post tem como objetivo apenas retratar minha humilde opinião sobre o que achei do Culto, até mesmo como um desabafo. Talvez seja muito pouco pra descrever toda uma religião, uma Igreja, mas não poderia deixar de descrever.
Este canto é meu. 
A única coisa bela que achei, foi a fé das pessoas. E a musicalidade. Um show! Com luzes e instrumentos lindos! Louvável. Me senti num show do Pink Floid algumas vezes. 
Todo o resto pra mim foi puro absurdo. 
Portas da Igreja fechadas com fila de duas horas antes do culto com pessoas na chuva porque lá dentro ainda não estava pronto. Muitos, muitos bancos da frente reservados pra pessoas influentes amigos e convidados do casal Pastores da Igreja enquanto que os que chegaram duas horas antes corriam para pegar os lugares mais próximos do Pastor. Três horas de culto, sendo uns trinta minutos de músicas de louvor (lindo!), duas horas gritando e mais meia hora pedindo o dízimo.
Uma manipulação escancarada: "compre seu pedacinho de Céu". Eu ouvi o absurdo: "Se Deus tivesse que estar aqui em algum momento deste culto, não seria na adoração e nem na pregação da palavra. Seria agora. Pra ver a doação de vocês que é o que verdadeiramente expressa o tamanho de sua fé." Oi????? 
Depois de tantas horas, estávamos com sede. O lugar tem capacidade pra 10 mil pessoas (e vi na Internet que o objetivo deles é construir um templo que caibam 25 mil pessoas (!)). Perguntei onde era o bebedouro. "Não tem. Tem que comprar na cantina." Oi? É lei um estabelecimento deste porte dar água potável de graça para as pessoas! Ninguém audita estas Igrejas? Não deveria ter uma espécie de "Anatel" das Igrejas? Ninguém vai prender estes caras? Dois Reais a água, gente!
E o estacionamento? Quinze Reais as primeiras horas! E o Pastor falou no culto: "O irmão veio reclamar pro pastor que tem que pagar estacionamento na Igreja. Vai no shopping paga estacionamento. Mas na Igreja nao quer pagar. Eu falo pro irmão: 'se você tem que pagar estacionamento, levanta sua mão pro céu porque você tem um caaaaaarro' - aos berros- Aleluia?" E a Igreja inteira aplaude e grita: "Aleluia".
Me senti em meio ao livro "Ensaio sobre a Cegueira."
Meus Olhos esbugalhados! Os caras são ninjas da manipulação e da Programação Neurolinguistica. 
Ouvi coisas do tipo: " a área das crianças está sendo reestruturada porque faremos que seja perfeita. Terá os melhores brinquedos, os melhores vídeo games porque assim, no dia que seus pais não quiserem vir, as crianças chorarão e os arrastarão para a Casa do Senhor."
Ou então: "Iniciaremos aula de Música. Porque tem adultos que não vêm na Igreja mas virão ver seus filhos se apresentarem em nosso Auditório e assim aumentaremos nosso rebanho."
Por outro lado, eles não queriam choradeira. Não é pra pensar muito para não sair de lá, mas não é para ser um completo perdedor na vida porque se não não traz dinheiro pra Igreja. Vira um estorvo. Por isso, a pregação da palavra era o próprio filme The Secret: acredite, faça por onde, agradeça. Com uma pequena alteraçãozinha de "doa sua parte pra Igreja". "Dízimo é obrigação - repetia o Pastor - Os irmãos sangue-sugas que só vem pra Igreja pra pedir as coisas não estão no caminho de Deus. Igreja não é lugar de pedir, é lugar pra dar. Dar louvor, dar seu dízimo." 
Fiquei pensando então na Igreja onde me criei. Dei sorte. Só por ter nascido bem depois de sua fase mais suja. Isso se não fui queimada em outra vida como bruxa... Percebi que a grande diferença da Igreja Católica é que enquanto esta prega a simplicidade e que é mais fácil passar um camelo pelo buraco d'agulha do que um rico entrar no céu, ali naquela Igreja protestante eles pregavam a prosperidade absoluta, sem "miserê", ser pobre o cara#*o. Nada bobos. 
Não que a Católica não seja igualmente fdp. Não me iludo. Só está em outra fase, obviamente. Já tem Banco, a maior quantidade de terras da Europa e muito ouro. Já têm dinheiro o suficiente para se auto sustentarem. É business. E como cresci nesta versão da Igreja Católica, onde nunca dei dízimo e gastava metade do dinheiro que minha mãe mandava pro ofertório em salgadinho, e nunca me "enquadraram" por isto, confesso que estava ali, horrorizada.
Todos os Pastores pregam num formato muito semelhante. Muito longe de parecer real. Gritam, quando estão há muito tempo falando e perdem a atenção do público berram ou pedem que repitam uma palavra qualquer ao irmão do lado (pra voltar a atenção), berram, no final falam meio chorando e depois falam na língua do espírito santo ( que eu até acredito que possa haver manifestação deste tipo, mas realmente não acreditei em nenhuma das quatro vezes que vi ontem). Nitidamente treinados. Nitidamente um negócio. 
E assim segue a vida: com a turma dos manipuladores e a turma dos manipulados.
Posso ser uma idiota, mas infelizmente de hoje em diante quando alguém me falar que frequenta esta Igreja, olharei com dó. Meio dó e meio não acredito, manja? Tipo eu olho pra Malufista? Achando inocente demais pra ser verdade? É minha opinião. 
Pra fechar com chaves de ouro, ao final "levantem as mãos quem quiser pagar no cartão de débito ou crédito que a maquininha vai até você."

Sem palavras. 

Eu não suportaria estar presente em dois cultos como aquele na mesma encarnação.
Se o céu é isso, prefiro ir pro Inferno. 

Ps: Seguidora da Lisa Simpson que sou, outro dia liguei no Templo Budista que tem na esquina de casa. Pra meditar, tem que pagar. É triste... Óbvio que nunca paguei.


sábado, 12 de julho de 2014

Dieta pra alma

O filme 21 gramas é um quebra-cabeças atemporal magnífico! Onde tudo faz sentido no final.
O nome é especial pelo seu porquê: um cientista teria, através de experimentos, provado que Homens têm alma e que as perdem no exato momento de sua morte. A primeira medida pesava exatos 21 gramas.
Decidi mudar hoje o título do meu blog.
Vou trazer mais estórias sobre mim mesma. Aproveitar que ninguém lê mesmo e passar a escrever tudo que tenho vontade. Afinal, escrever me deixa mais leve. E eu tenho certeza que preciso de dieta para a minha alma também... 


Observações: 
1. Leia mais sobre o experimento científico (não comprovado cientificamente, mas adorei a tentativa!) sobre os tais 21 gramas: http://super.abril.com.br/ciencia/peso-alma-444387.shtml
2. Escrever como você pensa? Não seria perigoso? E se sua mãe, sogra ou chefe lerem? A resposta é: estou em solo seguro, sei onde estou pisando. Ninguém quer muito entender porque pensamos de determinada forma, o que já vivemos e tal. Em geral discordamos e pronto! Certa vez escrevi um conto erótico e em uma semana tive mais visualizações que no meu blog de pensamentos e devaneios em seis anos! Believe me: quase ninguêm lê.

"Amor que não se percebe..."

Vindo embora hoje da casa de amigos, veio a notícia de uma conhecida do meu marido que morreu aos 26 anos, por alguma doença desconhecida e fulminante, deixando um filho de um ano de idade. Coisa triste. A gente sempre se põe no lugar. Pensei: "e se fosse comigo? E se eu, de repente, tivesse que parar tudo? Deixar de lado o próximo aniversário, não ver a reforma da casa terminada, não responder aquele email importante do trabalho que deixei pra segunda de manhã? Não ter dado tempo de viajar pra onde sonhei e nem tido os filhos que planejei? E Minutos antes da minha morte? Será que vou saber que vou morrer? E acreditando na vida eterna? Acreditando que tudo continua? Vou ter a mesma coragem que quando pulei de pára-quedas no mês passado? Do tipo: 'tem que ir, vamos logo?' Acho que sim. Frases clichês vêm à mente: "Coragem não é ausência do medo. É a capacidade de enfrentá-lo." Considero-me corajosa. Mas logo perco a certeza. Deve ser porque não estou morrendo..."
Silêncio no carro. A morte é fogo. Sempre faz refletir. Dirigi até com mais cuidado. 
Flashes. "Será que digo 'eu te amos' suficientes em vida?" 
É Fim de Copa do Mundo para o Brasil. Perdemos vergonhosamente para a Holanda de 3x0 hoje. Pra piorar os 7x1 contra a Alemanha da última terça. Rola uma depressão coletiva no País do Futebol. Pois como diz num comercial de TV, enquanto todo o mundo joga futebol, aqui no Brasil a gente VIVE futebol. Todo mundo sempre acha que toda seleção brasileira tem potencial pra ser campeã em todas as copas. Aí, quando não é, fica falação de que a Copa é comprada, que é tudo combinado (talvez seja. Revista Ti Ti Ti é bobagem, mas episódio de Os Simpsons "adivinhando" que Neymar sairia gravemente ferido e que perderíamos pra Alemanha é pra, no mínimo, levantar suspeitas), enfim, ou dizem que demos azar, afinal, literalmente quebraram nosso camisa 10 e a arbitragem errou demais. Mas Vendo os dois últimos jogos, eu diria que demos foi muita é sorte em chegarmos como a quarta melhor seleção. Mas enfim, no País do Futebol, só se fala de futebol. A notícia sobre os 135 palestinos mortos versus 1 israelense morto passa desapercebida na galera. Quando vi até me senti na obrigação de "desintristecer" pela derrota do Brasil. #Sejes (expressão que usamos pra dizer brincando "sejes homi" quando alguém está com frescurinha). 
Faleceu hoje também o jornalista e médico Osmar Oliveira.
Muito luto pra um dia só. Silêncio no carro. Fecha o semáforo. Em São Paulo, direção defensiva, aquela que você finge que vai mas não vai. Ônibus na faixa do lado parando no ponto. Noite fria, em todos ls sentidos. Eis que uma cena salva a noite: um casal correndo para alcançar o ônibus parado. Oh, não! Só a mulher sobe, só ela vai embora! Um beijo de despedida, que exala amor. Ela entra, senta, e com cara de apaixonada acena pela janela. Ele, do lado de fora, igualmente apaixonado dá tchau com jeito que queria ir. Salvou minha noite. 
Ah, o amor! 
Nem eram adolescentes. Deviam ter seus mais de 35 anos cada. Mas o último amor nunca é menos lindo que o primeiro...
A noite não estara mais fria. 
Olhei pro lado, meu marido dormindo. Meu coração se encheu de gratidão por tê-lo em minha vida. Graças a Deus estávamos indo para a mesma casa, para a mesma cama... Quando a gente namorava, eu sofria horrores em ter que me despedir e dormir longe. Sempre fui grude. E lembro que pensava: "quando me casar vou me lembrar como desejei isto um dia e nunca vou me esquecer do quão duro era ficar sem ele perto, ao menos no final de cada noite. Isso me fará amá-lo mais." De fato. Hoje lembrei. E o amei mais. E minha noite saiu do preto de luto para cor-de-rosa com bolinhas brancas. 
Ah, o amor...

Foto de autor desconhecido. E Que o Amor seja capaz de cessar essa Guerra, que de Santa não tem nada.