Luzia, a brasileira de Lagoa Santa, passava os dias correndo: caçando, coletando, fugindo de predadores, alimentando e protegendo a sua prole.
Luzia, a brasileira da Paulista, sem filhos, dez mil anos depois, não corre, aliás, não precisa correr. Pelo menos é o que aprendeu na FEA da Economia, na GV do Mestrado e no MIT lá fora; exceto correr, bem rápido e contra todos, em busca do sucesso, do prestígio, da grana.
E foi assim, PhD em brands, multinacional na carteira e quase um milhão na conta antes dos dez anos de diploma, que Luzia estava chegando lá.
Só que a vida não segue scripts e Luzia, a urbana, descobriu aos 30 anos que teria de lidar com outras marcas, mais vitais: colesterol, 300; pressão, 15x9 e um AVC, provável ainda antes dos 40. E não dava para culpar a genética, não havia histórico assim do pai ou da mãe, nem dos avós.
“Eu e minha pressa”, ela pensou com os seus botões. Não restou senão enfrentar os vilões. A começar pela dieta. Sim, Luzia decretou o fim das cebolas grelhadas do Outback, adeus feijoada do Paddock. A pizza da 1900..., nem sonhar. De agora em diante, comida japonesa, brócolis e salada de frutas, sem chantili. Mas o doutor do coração e a doutora da dieta, impávidos, contra-atacaram: só isto não basta, mocinha!
Luzia então sacou um jeito de continuar correndo, só que diferente: nas ruas, nos parques, nas manhãs frias dos feriados, nas ensolaradas de domingo: primeiro, as caminhadas. As provas de 5k vieram em seguida, as de 10 logo depois.
No último dia do ano passado, colesterol 120, pressão 11x7, barriga de tanquinho, adrenalina a mil, Luzia cruzou a linha de chegada de sua primeira São Silvestre. Ela agora corre em frente, pela vida, como fazia a outra Luzia, 10 milênios antes.
Luzia foi o nome que recebeu do biólogo Walter Alves Neves o fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas, com cerca de 11,5 mil anos. Walter Neves se inspirou em Lucy, célebre fóssil de Australoputhecus afarensis de mais de 3 milhões de anos, achado em 1974 na Tanzânia, África. Luzia foi localizada no sítio arqueológico de Lagoa Santa, MG, em 1975.
Luzia, a brasileira da Paulista, pode ser qualquer um de nós.
(Eucledson Salvador)
Grande Amigo e Agitador de corridas de rua.
Ser Alice é não ter medo do espelho, nem do que há por de trás dele.. Ser Alice é ver e buscar o lado bom de tudo, enquanto o resto do mundo tenta convencê-lo de que a vida não é um conto de fadas... Ser Alice no País das Maravilhas é clichê, mas ser Alice no País do Futebol, requer uma dose extra de romantismo e sensibilidade...
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Apesar dos pesares
Hoje gostaria de compartilhar um belíssimo texto de Clarice Lispector.
Após ter sido demitida da última empresa que trabalhei, por quase 5 anos, muitas coisas foram aprendidas, repensadas, corrigidas...
Achei que nunca pudesse acontecer comigo. Mas aconteceu.
E esta falta de controle nas mãos, que para mim sempre foi algo desesperador, agora sim, desespera.
Mas a grande lição é fazer o que deve ser feito agora. Não espere ter o melhor emprego para então dar o melhor de si.
Não espere a segunda-feira para começar a dieta e nem depois das férias para começar a estudar.
Apesar dos pesares, não espere.
"... Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. "
Clarice Lispector
Após ter sido demitida da última empresa que trabalhei, por quase 5 anos, muitas coisas foram aprendidas, repensadas, corrigidas...
Achei que nunca pudesse acontecer comigo. Mas aconteceu.
E esta falta de controle nas mãos, que para mim sempre foi algo desesperador, agora sim, desespera.
Mas a grande lição é fazer o que deve ser feito agora. Não espere ter o melhor emprego para então dar o melhor de si.
Não espere a segunda-feira para começar a dieta e nem depois das férias para começar a estudar.
Apesar dos pesares, não espere.
"... Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. "
Clarice Lispector
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Saudades, Petit
Quem disse "o tempo não pára" nunca soube o que é SAUDADE.

Saudade de um tempo de criança em que se voltava pra casa correndo, mas era pra brincar de boneca.
Saudade do tempo em que eu me lembrava de olhar as estrelas, apreciava o cantar dos pássaros e adormecia com a brisa do mar.
Saudade das risadas, dos sorrisos e gargalhadas.
Saudades do calor do abraço do Petit, do olho no olho semi-cerrado, brilhantes, olhando pra mim e dizendo, sem ter que pronunciar uma só palavra, o quanto amo e sou amada.
Saudades.

Saudade de um tempo de criança em que se voltava pra casa correndo, mas era pra brincar de boneca.
Saudade do tempo em que eu me lembrava de olhar as estrelas, apreciava o cantar dos pássaros e adormecia com a brisa do mar.
Saudade das risadas, dos sorrisos e gargalhadas.
Saudades do calor do abraço do Petit, do olho no olho semi-cerrado, brilhantes, olhando pra mim e dizendo, sem ter que pronunciar uma só palavra, o quanto amo e sou amada.
Saudades.
domingo, 4 de outubro de 2009
A olho nu
Fechar os olhos e te tocar
É descobrir que não preciso enxergar
Para poder ver as coisas mais belas da vida
É sentir a luz de um luar
No compasso do peito poder dançar
E sonhar que não haja jamais a despedida
É ter a certeza de que o amor existe
Que quem ama jamais desiste
De ser fiel aos sentimentos
É provar do gosto doce de um fruto
E saber que tudo também é mútuo
E que a paz sobressai aos demais tormentos
Quando fecho os olhos e te toco
Sei que o pecado é inócuo
Pois o que vale é o ardor do coração
E mesmo que em meio àquele escuro
Posso sentir da vida, o mais puro
Amor que me faz ver constelação
É descobrir que não preciso enxergar
Para poder ver as coisas mais belas da vida
É sentir a luz de um luar
No compasso do peito poder dançar
E sonhar que não haja jamais a despedida
É ter a certeza de que o amor existe
Que quem ama jamais desiste
De ser fiel aos sentimentos
É provar do gosto doce de um fruto
E saber que tudo também é mútuo
E que a paz sobressai aos demais tormentos
Quando fecho os olhos e te toco
Sei que o pecado é inócuo
Pois o que vale é o ardor do coração
E mesmo que em meio àquele escuro
Posso sentir da vida, o mais puro
Amor que me faz ver constelação
Resto da Semana - Cusco & Parque Arqueológico de Machu Picchu
A última parada seria no grande ápice da viagem ao Peru. E foi. Depois de um vôo de Lima para Cusco, chegamos no ponto alto das férias. Em todos os sentidos. Aqui em São Paulo ficamos em torno de 600 metros acima do nível do mar. Lá, chegamos a um ponto marcado com uma estaca que mostrava 2700 metros acima do nível do mar. Efeitos colaterais: qualquer caminhadinha de 300 metros parece uma prova Nike 10K! Graças a Deus tem uma tal de pílula Soroche que você toma a cada 8 horas para diminuir os efeitos da altitude. Mas não tem jeito. O clima é extremamente seco. Pra se ter uma idéia do tamanho do desespero, deixamos uma manteiga de cacau só pra enfirar dentro do nariz. No meio da noite eu acordava com dificuldades de respirar. E teve um dia que acordei porque meu digníssimo estava tendo um pesadelo local, em que ele estava sendo sacrificado como uma virgem da época dos incas. Achei que era terremoto. Mas era ele. (rs).
A cidade de Cusco é uma gracinha. O táxi é super baratinho, coisa de 3 ou 4 Reais do Hotel até o centro, onde íamos a noite passear e comer. Em volta da praça das Armas, vários restaurantes. Desde MC Donalds (que não fomos pois preferimos apreciar a comida local) até bares com música ao vivo da mais linda e típica música peruana.
Tem muito artista, pintor de quadros, pelas ruas, pelos boeiros, pelas calçadas, por todos os lados. Desafio um mamífero sair de lá sem comprar uma tela. São belas. Mas a compra acaba saindo por peso na consciência. São muitos não que temos que dizer pra estes caras. E eles "podiam estar roubando, podiam estar matando", mas não....
A comida é bacana. Em alguns dias comemos spaguethi. Em outros PF de frango a milanesa. Tem arroz. Só não feijão, então conseguimos nos sentir um pouco em casa. A comida mais tradicional é o Ceviche. Que são pedaços de peixe cru (também com frutos do mar se desejarem) muito bem temperados com n ervas e muito, muito limão. Esse tal caldinho que sobra depois que comemos o peixe, chama-se leite de tigre e há quem beba. Jesus! Não gostei. Pra variar tem o bendito coentro que é automaticamente barrado pelo firewall do meu estômago. Mas a comida é bacana.
No primeiro dia, visitamos as várias ruínas que há na própria cidade. Lugares construídos pelos incas e alguns pontos, destrupidos por terremotos, reconstrupidos pelos inca...pazes. É nítida a diferença. A construção dos paredões dos incas usam pedras de dezenas de toneladas, lado a lado, uma a uma, tão perfeitamente juntas e encaixadas, que parecem com rejunte. Vi coisas incríveis. Abaixo do chão que pisávamos, formas cônicas (que ninguém entende com que ferramental eles conseguiram tamanha precisão e perfeição) e entre uma "lança" e outra, milhares de pedrinhas redondinhas (também não se sabe como conseguiram) que absorvem todo o impacto dos terremotos, não deixando as construções desmoronarem. Angulação de 8º também garantem esta proteção.
Depois o grande dia de ir no Maior Parque Arqueológico do Peru: o sonhado Machu Picchu. Dizem que tem uma energia diferente, coisa e tals, eu não posso confirmar pois não senti nada diferente do ponto de vista espiritual. O que senti, foi sim, uma admiração enorme por algo que não esperava ver. Meu rosto deve ter entrado lá com uma imensa feição de ponto de exclamação. Depois, substituído por um ponto de interrogação. Como fizeram aquilo?
Indescritível.
Só vendo as fotos.
O caminho de 3h de trem nos remete a uma sensação bacana de novela das seis, com paisagens do Windows, inesquecíveis.
Chegando lá, impossível sair sem acreditar que Extraterrestres existem e mais: ajudaram os incas a construírem Machu Picchu.
Conheci uma das 7 maravilhas modernas do mundo.
E já dizia o Rappa: "Valeu a pena, ê.. ê..."
Fotos no álbum Machu Picchu em http://anapaulapgomes.spaces.live.com/
A cidade de Cusco é uma gracinha. O táxi é super baratinho, coisa de 3 ou 4 Reais do Hotel até o centro, onde íamos a noite passear e comer. Em volta da praça das Armas, vários restaurantes. Desde MC Donalds (que não fomos pois preferimos apreciar a comida local) até bares com música ao vivo da mais linda e típica música peruana.
Tem muito artista, pintor de quadros, pelas ruas, pelos boeiros, pelas calçadas, por todos os lados. Desafio um mamífero sair de lá sem comprar uma tela. São belas. Mas a compra acaba saindo por peso na consciência. São muitos não que temos que dizer pra estes caras. E eles "podiam estar roubando, podiam estar matando", mas não....
A comida é bacana. Em alguns dias comemos spaguethi. Em outros PF de frango a milanesa. Tem arroz. Só não feijão, então conseguimos nos sentir um pouco em casa. A comida mais tradicional é o Ceviche. Que são pedaços de peixe cru (também com frutos do mar se desejarem) muito bem temperados com n ervas e muito, muito limão. Esse tal caldinho que sobra depois que comemos o peixe, chama-se leite de tigre e há quem beba. Jesus! Não gostei. Pra variar tem o bendito coentro que é automaticamente barrado pelo firewall do meu estômago. Mas a comida é bacana.
No primeiro dia, visitamos as várias ruínas que há na própria cidade. Lugares construídos pelos incas e alguns pontos, destrupidos por terremotos, reconstrupidos pelos inca...pazes. É nítida a diferença. A construção dos paredões dos incas usam pedras de dezenas de toneladas, lado a lado, uma a uma, tão perfeitamente juntas e encaixadas, que parecem com rejunte. Vi coisas incríveis. Abaixo do chão que pisávamos, formas cônicas (que ninguém entende com que ferramental eles conseguiram tamanha precisão e perfeição) e entre uma "lança" e outra, milhares de pedrinhas redondinhas (também não se sabe como conseguiram) que absorvem todo o impacto dos terremotos, não deixando as construções desmoronarem. Angulação de 8º também garantem esta proteção.
Depois o grande dia de ir no Maior Parque Arqueológico do Peru: o sonhado Machu Picchu. Dizem que tem uma energia diferente, coisa e tals, eu não posso confirmar pois não senti nada diferente do ponto de vista espiritual. O que senti, foi sim, uma admiração enorme por algo que não esperava ver. Meu rosto deve ter entrado lá com uma imensa feição de ponto de exclamação. Depois, substituído por um ponto de interrogação. Como fizeram aquilo?
Indescritível.
Só vendo as fotos.
O caminho de 3h de trem nos remete a uma sensação bacana de novela das seis, com paisagens do Windows, inesquecíveis.
Chegando lá, impossível sair sem acreditar que Extraterrestres existem e mais: ajudaram os incas a construírem Machu Picchu.
Conheci uma das 7 maravilhas modernas do mundo.
E já dizia o Rappa: "Valeu a pena, ê.. ê..."
Fotos no álbum Machu Picchu em http://anapaulapgomes.spaces.live.com/
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