terça-feira, 19 de agosto de 2014

Nosso Projeto Itália JK

Segundo dia foi intenso. Esse nosso planejamento da viagem, conhecendo o máximo possível no tempo que conseguimos pagar é ousado. Mas se a gente se esforça pra trabalhar, vira noite atrás de noite implementando Projeto de TI, não é neste Projeto Férias que vamos reclamar. Tudo bem que precisaremos de outras férias pra descansar destas férias 😄, mas teremos uma semana pra descansar (não digo acabar com o sono atrasado porque ninguém quer entrar em coma nesta encarnação). Pois bem, nosso Projeto JK na Itália: 50 anos em 5 foi um sucesso neste segundo dia. Nunca vi e conheci tanta coisa diferente em tão pouco tempo... 
Nos rendemos ao mundo da moda de Milão e visitamos a Oscar Freire dos caras: simplesmente deslumbrante! A mistura do velho com o novo, aqueles pisos maravilhosos e as marcas mais famosas do mundo, num caminho de muito glamour e luxo. A história da moda de Milão não acontecera por acaso: desde os primórdios da História, era naquela região que outros países da Europa buscavam suas roupas: o couro era melhor e os homens italianos (sobretudo fiorentinos e venezianos) já ditavam tendência com roupas que faziam valorizar o homem, por seu estilo e vaidade. Hoje isto se potencializou: as maiores marcas de moda estão aqui e continuam ditando tendência em todo o mundo. A qualidade perdura. O estilo e exclusividade também. Um desafio sobrevivendo à Revolução Industrial, ao trabalho escravo na China e outros países. Eu não compro. Nem que pudesse, não me faço entender uma bolsa custar R$ 6000 (as nem tão caras) (dá pra comprar um fusca!!!), mas confesso que como esposa de publicitário fico admirada com o poder que as marcas têm, a capacidade de agregar valor num pedaço de pano e a quantidade de dinheiro que isto gera. Louváveis as marcas ali vistas. Ao fim das ruas de lojas e mais lojas, a belíssima Catedral de Milão. Meu Deus! A Obra mais linda que já vi! E estar ali, na frente dela, é diferente de ver uma foto ou assistir um documentário da Discovery: simplesmente emocionante! E não falo como católica, mas como Engenheira: foram 6 séculos de construção! Eu disse 600 anos. Tem noção? Demorou tanto que começou no estilo gótico e terminou como neo gótico. Lindíssima! Piso, teto, colunas/pilares, muito mármore, belíssimos vitrais, verdadeiras obras de arte! Linda mesmo. Me emocionou ver um belíssimo trabalho de tanto tempo entregue com tanta excelência e riqueza de detalhes. Obviamente, eu que acho Templo de Salomão e Aparecida do Norte uma palhaçada, pois pregam tanto a simplicidade aos fiéis mas de simples não tem nada, não me emociono (e nada) do ponto de vista católico, mas como Engenheira, é inevitável. Tanto é que um dos beatos italiano de tempo em tempo sai na porta da Catedral aos berros com os caras de Senegal ou Angola, sei lá eu, que tentam ganhar a vida conseguindo uma gorjeta ou outra dos turistas: que bonito! Tanto ouro e pouca nobreza ( como em toda história), enxotando os negros como se fossem cachorros. Como África sempre foi meu ponto fraco, eu adoro aquele povo africano, fui conversar com um deles. Comprei a bendita pulseirinha dos caras (quase obrigada mas confesso que morro de pena pois sei que estão ganhando a vida) e brinquei com os pombos. Sei que é nojento, mas foi tudo tão rápido que quando vi já tinha feito uma sucessão de merdas: peguei uns milhos de pipoca e abri as mãos e o africano assobiando diferente atraiu muitos deles pra cima de mim: foi assustador e emocionante ao mesmo tempo (eu piro em gente que "fala" com bicho-hahaha) e tão extasiada que fiquei, tentando tirar foto com uma mão e dando comida aos pombos com a outra (meu Deus! O pombo é um rafo que "avua"! Que eu tava fazendo?) dei até a câmera pro cara me fotografar! Leo estava longe, corri todos estes riscos sozinha. Depois que passou vi a sucessão de besteiras mas graças a Deus nem peguei doença de pombo e nem fui roubada. E fiquei feliz em ajudar o africano. Porque "deve ser legal ser negão no Senegal" mas na Itália, olha, não deve ser nada fácil...
Milão, por ser o lugar mais rico da Itália, apesar de ter transporte público que funciona e tal, tem muito mais um ar de antigo que de novo e moderno. Tropeçou, caiu em história. Nos sentimos assim por aqui.
Saímos do centro comercial de Milão e fomos conhecer o belíssimo Lago di Garda, na província de Sermione, enorme, com 384 km quadrados (pelo que lembra o Leo. Requer confirmação, tipo Wikipedia). Um lugar Muito chique! Tipo uma búzios misturada com o lago de Brasília, onde gente endinheirada tem casa de veraneio. Os carros são os mais luxuosos ever! Os hotéis são spas e pra deixar o roteiro pra Rei nenhum botar defeito, tem um belíssimo Castelo! Aprendemos a diferença entre Castelo e Palácio: castelo tinha a função de proteger e palácio era só pras pessoas morarem. Passeamos de barco por todo o Lago, um dos maiores do Mundo. Passou a existir depois que derreteu gelo na era glacial. Por ser glacial, é muito gelado. Só tem uma "prainha" em que as pessoas conseguem nadar/mergulhar por ser mais quentinha. Fora isso, elas se banham mesmo nas belas piscinas que as casas têm. Quente mesmo é a 20 metros abaixo do chão onde a água é pega a 70 graus Celsius para abastecer todo o complexo de casas. Muito legal! 
Depois do passeio de barco, pausa pro pipi-house, onde uma senhora brasileira na minha frente discutiu com o italiano que cobrava 0,50 Euro pra entrar porque estávamos pagando e não tinha papel e ele mandou ela entrar em silêncio e se virar, que estava parecendo uma louca. Sim, comprovado: embora nós especificamente ainda não tenhamos sido maltratados pelos locais, é fato que a Itália é um dos lugares mais visitados do mundo e como "a água nunca lhes bateu na bunda" por falta de turistas, eles querem de fato que a gente se ferre. São grosseiros sim. Mas já tinha vindo preparada e como sou "jagunça", não tão sensível (nem de TPM), nem ligo. São dez dias aqui pra ser feliz. Que bom que os melhores italianos estão no Brasil porque lá sim, son tutti gente boa, ma que! 
Entramos num café, comemos lanche de presunto parma e tomamos o delicioso sorvete italiano (em qualquer esquina o sorvete é maravilhoso como Bacio de Late no Brasil, mas ainda não comi um que fosse tão melhor como descreveram. Bacio di Late é igual ao daqui, na minha opinião) e depois de manjarmos, seguimos nosso Projeto JK.
Estrada belíssima! Conhecemos a região que eles chamam de Venetto, onde estão as principais industrias. E assim também é Verona, que pela explicação da guia lembro que associei: "Verona é tipo São Bernardo daqui."
Chegamos em Verona! A belíssima muralha ainda presente até hoje, que antigamente demarcava o que era Verona ou não, o antigo teatro que foi todo depenado e hoje parece uma obra inacabada ou ruínas de um passado distante, mas ainda assim o utilizam como lugares de belíssimos espetáculos como Ópera, por exemplo. Era meio parecido com o Coliseu de Roma: também é imenso e redondo, havia simulações de batalha naval no passado, era o "circo" do pão e circo pro povo de Verona. Por um tempo, deixou de ser importante cuidar deste patrimônio histórico e depenaram a obra toda: tiraram os mármores e quebraram boa parte. E assim está até hoje, mas virou style. Rs. Os italianos de Verona são mais bonitos, na minha opinião. Parecem mais com o esteriótipo italiano que vemos na TV. Tentamos (só tentamos e desistimos) colocar a mão na peitchola de Julieta. Nunca vimos tanta gente como na casa de Julieta. A bela história Shakespeareana inspira até os dias de hoje... Tomara mesmo que tocar o seio traga a todos um amor! Nesta viagem por várias vezes refleti sobre a minha sorte e benção de ter o Leo. A gente se ama e se diverte um bocado nesse negócio chamado vida... Brincamos de hora da vingança e enquanto eu estraguei 3 fotos de chineses ( pra vingar todas as atravessadas que essa chinesada deu em minhas fotos ), o Leo peidou em meio a um grupo de indianos! Hahaha
Em Verona tivemos a sorte de uma feirinha. Mas a verdade é que em Euro, nada é barato. Saímos de lá ao fim da tarde e depois de chegarmos no Hotel em Veneza (continental), tomarmos um banho de 15 minutos ( batemos nosso récorde) ainda conseguimos sair correndo e pegar a saída pra um passeio que foi o ápice do dia: Veneza Iluminada. Sur-re-al!
Vou contar cada detalhe da nossa estada em Veneza no próximo post. De dia e de noite. Estou ainda procurando as palavras pra descrever a beleza que é Veneza. Terminamos a noite embriagados de amor e vinho, em plena Piaza di San Marco. La Sereníssima!

sábado, 16 de agosto de 2014

Primeiro Dia - Milão @Itália

Primeiro dia da viagem de férias foi rico. Depois de passarmos 11 horas no vôo mais cansativo da minha vida, vi que talvez ir pro Japão não seja um sonho pra ficar na lista. À medida que vamos ficando velhos, e não vamos ficando proporcionalmente ricos e continuamos na classe econômica, fica complexo viajar tão longe. Alitalia tem bom atendimento de bordo mas o banco parece uma tábua e me fez lembrar um cinema 4D dos EUA que cutucava as costas em meio ao filme: o banco da Alitália parecia que tinha um cotovelo bem no meio das nossas costas. Pra piorar, um encosto que joga sua cabeça pra frente, como se fosse um "pedala, Robinho" eterno. Vin-gan-ça. Mas não desligue agora: tem uma bendita caixinha de ferro na frente de todo banco, com o tamanho de um estabilizador, que impede que você estique as pernas a menos que seja de pernas abertas. Ruim. Ruim mesmo. Já fiz viagem de 18 horas e dormi 14. Nesta, se dormi uma hora foi muito. Já no vôo começa o lance do fuso: como a Itália está a 5 horas pra frente do Brasil,  umas 16h do Brasil já serviram o jantar ( que seria umas 23h na Itália) e durmam. O máximo que eu já tinha vivido de fuso eram 6 horas de diferença em Seattle, só que pra trás: um paraíso! Meu despertador tocava às 07h e meu corpo acordava feliz da vida, pois pra ele era uma da tarde. Mas aqui é o contrário: já são meia-noite e meia, meu corpo pensando que nem começou o Jornal Nacional e não quer dormir. Mas vamos que vamos. O vôo foi portanto cansativo mas não se pode reclamar. Tinha uma porção de gente no nosso vôo que tinha vivido um trauma no vôo anterior: um moço de 24 anos teve um AVC e faleceu em pleno vôo. Eles estavam sobrevoando o Atlântico, há mais de 4 horas do Brasil, e tiveram que voltar, com o moço que faleceu. E estavam em nosso vôo, tristes e ainda mais cansados, pois somadas às 11 horas do nosso vôo, teriam as 8 horas do outro, fora o trauma. Conversar com a mãe do médico que tentou salvar o rapaz fez parar pra pensar... Quanto nossa vida é frágil, como fazemos planos e planos e planos e de repente, tudo pode acabar, porque pra morrer basta estar vivo, sabe? Rolou uma tristeza mas uma fome ainda maior de viver, de aproveitar tudo que nos é possível, de realizar os sonhos, de ter um compromisso com a alegria e só. Só por isto já foi rico o dia. Pela reflexão.
Chegamos no Aeroporto de Roma, que deve ser porta de entrada pra muitos países da Europa: maior zorra! Tumulto, muita gente do mundo todo, ninguém faz fila, um passando na frente do outro, enfim: o Velho Mundo pode ser primeiro mundo mas não se parece com o primeiro mundo EUA, por exemplo, onde tudo funciona perfeitamente. Mas o fato de estarmos num lugar com pouca violência, poder transitar com minha câmera profissional na rua, já é um fruto a se colher do primeiro mundo. Delicioso fruto! Dizem que a violência aqui é tão pequena que nem as caixas d'água têm ladrão, rs. Mas que é uma bagunça é: furam mais fila que brasileiro, quando conseguem formar fila. À primeira vista deu uma impressão de que a Itália é o "Rio de Janeiro" da Europa: gente despojada, culturalmente mais "malandra", bonita e bronzeada. Tem quem ame, tem quem odeie e segue o jogo! 
Os italianos são de fato, charmosos. Piscadela do piloto no avião à todas as mulheres mostram esse jeito italiano que vemos nos filmes, galanteador, conquistador. As mulheres são igualmente belas: afinal Boticário delas é Versace, né, benne? Mas andam com os cabelos esmarfanhados, parecendo a "Mendigata" do Pânico.
Fomos esquecidos pela agência que deveria ter nos proporcionado o translado aeroporto - hotel. Sem problemas: pegamos táxi e seremos reembolsados. O duro foi participar das gravações do filme Velocidade Máxima 6 com o tal taxista nas auto pistas: mais de 140 km/h , sem seta, brigou com uns 10 nos caminho entre fechadas e freiadas em cima. Não gostei. Eu cogitei mentir que estava grávida pra ver se ele pegava mais leve, mas tive medo de distrai-lo e morrermos. Sem trânsito nenhum pelos 40km percorridos. Estradas boníssimas. E pelo visto os radares de velocitá não funcionam. Nosso anjo da guarda bateu 100% de CPU. Dio mio!
Chegamos no Hotel Una Escandinava, tudo bem bonito e antigo. Estilo clássico europeu. Fomos ao Supermercado pra economizar no almoço. Como diz meu amigo Laki, melhor comer um sanduba no almoço pra jantar, se não fica muito caro. Mas sem sofrimento nenhum, porque o presunto é parma e o queijo é brie. Ficamos encantados no supermercado! Passeamos também na feira mais famosa ce Milão: uma mistura da nossa feira normal de frutas e legumes (pastel não vai estar tendo - risos), somados a bugigangas da China e roupas tipo Bom Retiro, de qualidade e gosto duvidoso. A feira deve ser sinal da crise pois vendem até papel higiênico na rua, coisa que nunca eu tinha visto no Brasil. Não compramos nada na feira. Os feirantes parecem ser do mundo todo. 
Descansamos e aproveitamos o Hotel, bastante confortável, e saímos em busca de um Pub com cervejas artesanais: dobramos a esquina e pronto! Lá estava: BQ. Eu bebi água com gás, deliciosa, e dei umas bicadas nas cervejas do Leo, que encantado ficou a noite toda. E comi um delicioso Hamburguer Gourmet, com gorgonzola e cebolas caramelizadas. Per-fei-to! Cozinha aberta pra gente ver todo o preparo, bar acolhedor e atendimento muito amistoso. 
Nossa língua não é mais tão fraca, onde falávamos que éramos brasileiros, tinha alguém pra nos ajudar e ser gentil falando "obrigada" ou "boa tarde", seja no mercado, no hotel, ou no bar. Portugal aqui do lado ajuda, óbvio.
Saldo do dia do meu digníssimo marido na busca das cervejas perfeitas: Duvel Tripel Hop (que no Brasil custa R$25 e aqui, 2 Euros), as locais que são como Brahmas na Itália, se chama Tuborg, as artesanais: uma com nome de passarinho Cracatua (IPA), Sumer IPA (IPA mais fraquinha com frutas tropicais), Hopbloem 5,7* (amarga) e assim viveu feliz pra sempre! 

Isto porque estamos na terra do vinho! Se formos pra Alemanha...medo!