quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Minha mini fé

Hoje acordei aflita. Pois pensei no tamanho de minha fé. Minúscula. Depois fiquei pensando e pensando sobre o que fazemos de nossas vidas, como buscamos nossa felicidade, que regras são estas que seguimos no mundo, qual é o grande segredo, haveria segredo?
No final, tudo era tão turbulento em minha mente que não sabia mais nem o que eu realmente mais desejava e acreditava na vida. E lembrei do texto de um amigo, o Nocelli, em seu blog ontem em que seu pai dizia que os artistas ou são bêbados ou drogados e eu sempre pensei que o são por serem excessivamente sensíveis e quererem fugir deste mundo, destas lógicas. Eu acho covardia e por isto não o faço. Mas confesso que não é NADA FÁCIL levar a vida assim, 100% do tempo de cara limpa quando se pensa e se sente tanto. Nem um baseado aqui, nem um pilequinho ali. Sempre alerta, observado, pensando, racionalizando. Se ao menos eu pudesse não racionalizar! Se ao menos minha mente se libertasse destas algemas que eu mesma pus... Se eu parasse de achar que na vida tudo poderia ser uma equação ou um Diagrama de Blocos e entendesse de uma vez por todas que TUDO É DEMASIADAMENTE SIMPLES....
Cada dia mais me convenço de que a ignorância é uma benção. E lamento não ser tão ignorante, a ponto de já me tornar uma pessoa tão limitada. Se isso, então aquilo. Isto não posso. Isto não dá. Algemas e mais algemas. Se eu as pus, serei capaz de tirá-las?
E como um "sinal" veio a resposta. Vi este texto que a Débora classificou como o melhor texto sobre Deus que já leu. E que coincidentemente foi causa e pauta de todo meu devaneio de hoje.
E eu acredito tanto em tantas coisas que o texto diz, que decidi publicar.
Foi a resposta para minha fé... Este também é o Deus em que creio.


Este é o Deus ou Natureza de Espinoza

(Escrito por Baruch Spinoza)

Se Deus tivesse falado:
“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.”


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