Sábado tive uma experiência enriquecedora: conhecer o Gabriel e o Inayã Kaique, dois sonhadores de 5 e 20 anos, respectivamente.
Há mais de dois anos atrás registraram seu sonho de conhecer o Time do Palmeiras. E dia 11/05/13 foi o grande dia!
Já antes das oito estávamos nos encontrando com eles, eu com o Kaique num Hotel da Consolação e a Cinthia, amiga voluntária, em Santo André, para pegar o Gabito e sua mãe. Eles moram na Casa Ronald, do Projeto Ronald MC Donalds que dá assistência às pessoas que estão em tratamento de câncer (pra quem não acredita no MC Dia Feliz, ta aí uma boa prova de que pequenos gestos repercutem grandes resultados). O Gabriel já aí dá o enredo pra este "filme" como sendo de comédia, nada de drama: "Tia, mas a gente vai no Palmeiras com este carro sujo?"
Ele é muito engraçado!
Disse que na escola os amigos não o deixam jogar bola porque é perna de pau, e por isto o sonho dele mesmo é ser super herói quando crescer. Mal sabe ele que herói ele já é: aos 5 anos de idade já superara um tumor no mesencéfalo, sem cirurgia, num tratamento que foi sucesso com radio e quimioterapia, do jeito que a mãe Yessenia sonhava que acontecesse, quando veio da Bolívia para o Brasil, há 3 anos atrás, com a missão de salvar seu filho.
Um mesmo sonho de conhecer o Palmeiras e uma mesma história de final feliz: Kaique, que hoje tem 20 anos e é um lindo rapaz, também é um vencedor e está somente em fase de manutenção após um tratamento de sucesso contra a Leucemia. Ama esportes, trabalha com recreação num renomado Acampamento ao Sul e Minas (NR1 Acampamentos), independente e feliz. Era jogador no profissional, na categoria Juniores, no América Futebol Clube de Minas Gerais, quando descobriu a Leucemia e teve que priorizar o tratamento. Hoje, curado, sonha em terminar a Faculdade de Educação Física que já começou.
A primeira grande lição de vida: ver pessoas que de fato se depararam com problemas difíceis e venceram. Pessoas como nós, que todos os dias ao acordarem, tem seus altos e baixos na vida e têm que tomar uma simples decisão: ser feliz ou não. E escolhem ser feliz. Eu acho isso lindo! O sorriso dos dois irradiava pelos quatro cantos verdes daquele lugar! Já na entrada, eu e o Kaique no carro tivemos um ataque de risos quando o segurança da Portaria anotou minha placa e orientou que eu estacionasse depois do "negócio" verde. Olhamos um pra cara do outro e caímos na risada: NADA, absolutamente nada naquele Centro de Treinamento não era verde. Foi um ataque de riso, pra ajudar a tirar toda tensão, afinal, estava dando tudo certo. Entramos no CT do Palmeiras.
Fomos bem recepcionados por todos os funcionários do Palmeiras, em especial pelos Eduardos, um que era segurança dos portões do campo e o outro, responsável pelo Marketing do time e que foi responsável junto com o Rafael Zanette em promover toda a ação. E que bela ação social! O melhor estaria ainda por vir...
Não demorou muito os jogadores entraram em campo para o treino. Passava um pouco das nove. A alegria nos olhos do Kaique e o joinha do Gabito aos jogadores, saltitante, foram impagáveis. Mas havia uma grade que os separavam. Mas ainda assim todos os cumprimentavam com um sorriso desses enormes, pois já sabiam exatamente o porquê que eles estavam ali. E pareciam solidários à causa bem como gratos à toda admiração. O Kaique já é mais moço, então não ficava tanto com tietagem. O Gabriel porém, com toda sua ingenuidade de criança, soltou algumas pérolas em meio à nossa manhã, deixando tudo tão engraçado que, chorar, só se fosse de rir. Adivinha o que ele falou quando o Souza (volante do time, jogador ruivo e com sardas) foi falar com ele? "Noooossa! Você tem cor de pinta!.... Parece uma onça!..."
Hahaha! Os outros jogadores riram até... E a mãe nervosa, porque disse que já cansou de tanto explicar ao pequeno que não se pode dizer o que vem à cabeça, porque machuca as pessoas. E eu pensei, "Ele só tem cinco... Conheço uns que aos 30 ainda não aprenderam..." Mas o Gabito é super fã: levou sua mochilinha do Palmeiras, com seu copo que acende do Palmeiras, touca do Palmeiras, porta-retrato do Palmeiras com a foto dele com a mãe... A Mãe. Um capítulo a parte. Estava tão feliz em ver realizar o sonho do filho!.... De tempos em tempos dizia: "Não estou acreditando? Me belisca!" E fotografava a alegria do pequeno. Ela contou que o Gabriel é tão fanático que pede pra vó comprar feijão verde pra ele. Perguntamos porque ao Gabriel e ele disse que é porque é isso que os craques do Palmeiras comem. Risos. Ele é uma figurinha! A mãe contou também que, quando ele a desobedece, ela ameaça dizendo que vai virar corintiana e ele chora. Um típico palmeirense. Mas da turma do amendoim, corneteiro. Ao perguntarem pra ele o que achou dos jogadores, não exitou em dizer: "Ah... eu achei eles um pouco 'luim'". Caímos na risada!
Passados uns vinte minutos de treino, o Eduardo os chamou, Gabriel e Kaique, para entrarem em campo e assistirem tudo de mais pertinho. Sentaram no banco de reserva e viram o treino de camarote. Gabito reclamou de frio e fome. A Cinthia, voluntária Make a Wish saiu pra procurar o pão de queijo que o Gabriel pediu e o técnico Gilson Kleina, num carinho só, cedeu seu blusão ao Gabito. E adivinha que arte que ele fez logo em seguida? E contou como segredo ao Kaique? "Soltei um pum na jaqueta dele! Kkkkk". E se pos a rir e esconder o rosto pras fotos. Terrível!
Passado isso chegou o ápice do nosso dia: 3 apitos foi o sinal para que o técnico anunciasse a chegada de dois novos jogadores ao time, Kaique e Gabriel. Nesta hora pude estar mais perto. Fotografei cada minuto. Tem uma foto do Kaique boquiaberto, olhando pro técnico lhe estendendo a camisa para entrar em campo. O Gabriel sismou que não queria ir, que não sabia jogar, e o time inteiro do Palmeiras veio convencê-lo a bater uma bolinha.
Lá foram eles. Os dois com a faixa de capitão no braço. Primeiro deixaram o Gabriel fazer um gol. E todos o jogaram pra cima numa grande festa. Podem imaginar?
Depois foi a vez de Kaique. Mas no primeiro passe "café com leite" pelo garoto viram que ele realmente jogava muito bem. Toda pinta e toda pose de um jogador profissional. Eu que estava do lado do Gilson, ouvi ele dizer "Ele joga!", espantado. E jogou mesmo. De verdade, sem moleza com os jogadores do seu time do coração. Até simular um penalti que estava no script dos jogadores foi difícil: Kaique sabia sair dos carrinhos. Mas teve uma hora que foi pra bater o penalti e gol! Goooooooool do Kaique! Todos em cima do nosso grande sonhador, em festa, comemorando. Foi único este momento. Quando no final do dia eu perguntei ao Kaique do que ele mais tinha gostado, ele respondeu que foi o fato do técnico ter dito que ele joga muito bem, pra que ele não desistisse de seus sonhos e seguisse a vida. O que passou, passou. Emocionante.
Eu me emocionei bastante quando todos os jogadores, juntaram-se num grande círculo e oraram junto com os meninos. Kaique e Gabriel estavam ao centro da roda. E todos agradeciam por aquele momento e rogavam por saúde. Foi lindo de ver! Não posso mensurar quanta energia positiva emanou por ali. Sensacional!
Ao término do jogo, foram levados à sala de imprensa onde puderam dizer o que acharam. Como numa coletiva. Fotos e mais fotos com os patrocinadores de fundo. A esta altura estavam os dois com suas lindas camisetas do Palmeiras, aquela azul. A do Gabriel fora confeccionada especialmente pra ele. Deu um trabalhão pro Eduardo que pegou uma camiseta M e a transformou para o tamanho do Gabriel, numa costureira que fez um trabalho perfeito. Tudo pensado com muito carinho. A equipe do Palmeiras realmente surpreendeu a nós todos! Foram muitas as boas surpresas e um dia que ficará para sempre na memória de todos nós.
Ao questionar se poderia pegar autógrafos dos jogadores ao fim do treino, Kaique recebeu a resposta do cinegrafista que sim, poderia. E prontamente Rafael foi buscar uma caneta "para pano". Um doce de pessoa. Voltou com mais duas camisetas, daquelas verde florescentes cor de "marca texto", para que pudessem pegar os autógrafos nela que era melhor. Mais um presente. E Rafa tentava negociar com Gabriel a troca de seu porquinho de pelúcia do Palmeiras por um periquito, símbolo do time. Até que o Gabriel cedeu as negociações. O que me pareceu muito estranho: a mãe contara que ele é um grude com o porquinho do Palmeiras. Que o brinquedo fora seu companheiro por todas as vezes que ia ao hospital. Pois não deu outra: quando o Rafael veio com o Periquito em mãos, ele pegou o presente e disse que não iria dar o porquinho em troca não, que ele tinha falado mas era 'blincadeilinha'. Hahaha. O Gabriel é cheio dessas: quando foi entrevistado em campo, perguntaram quantos anos ele tinha, ele respondeu 5. Perguntaram onde ele tinha nascido, ele respondeu Chile. Talvez inspirado no ídolo Valdívia. Lá veio o Eduardo correndo perguntar pra gente fora do campo: "Vocês não falaram que o menino era da Bolívia? Ele é do Chile!" E a mãe do Gabriel: "Não. Nós somos Bolivianos."
Enquanto isso todos ao redor de Gabriel gargalhavam, assim que o Eduardo saiu correndo preocupado com a possível informação errada, o Gabriel contou ao Kaique e aos demais que era 'blincadeila', que era 'uma pegada' (pegadinha). Quando voltou, todo mundo tirou sarro do Edu, que havia sido "passado pra trás" por um garoto de 5 anos.
Gabriel fez de tudo nesse Palmeiras. Incluindo andar de carrinho que apara a grama do campo e incluindo fazer xixi no gramado. Estava a beira de deixar a mãe maluca. Foi uma manhã muito divertida! O Kaique e ele se tornaram grandes amigos. E era assim que Gabito chamava todos ali: "meus amigos".
E conseguiram autógrafos de todos os jogadores ao final do treino. De todos! Até do treinador. Até de quem nem era "famoso" mas que era "amigo" , segundo Gabito.
Kaique tirou foto com seus preferidos, inclusive Valdívia, que não pôde participar do treino mas que apareceu ao final. Mágico!
Para o goleiro, Gabriel deixou a dica "Não mexe mais com faca", pensando que os esparadrapos que ele pusera no dedão eram curativos. Pérolas.
Todos vieram ver o grande dia. Inclusive o Presidente com seus filhos.
E no fim, pra encerrar com chaves de ouro, um kit completo do Palmeiras: uma sacola enorme mais uma mochila cheia! Tudo que você pode imaginar do Palmeiras: camisetas, roupas, chaveiros, lanterna... Pela lanterna, valia até uma piadinha de corintiana que sou. Mas não vou. Sinceramente, fiquei tão encantada com toda receptividade do Palmeiras que acho mesmo que estamos no caminho certo quando nos fazemos amar de forma mais Universal: se todos fôssemos um só país, uma só religião, vários times, que seja, mas uma só paixão: pelo esporte.
Foi assim que me senti ali, corintiana, apaixonada pela equipe do Palmeiras, achando absurda a idéia da Yessena que chorou ao dizer que achava que o sonho do filho nunca seria realizado porque ele não era brasileiro...
"Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
YOU MAY SAY, I'M A DREAMER
BUT I'M NOT THE ONLY ONE!..."
E assim se encerrou mais um dia que eu tive certeza, junto com Gabito, Kaique e amigos Make a Wish, que todo sonho é possível de se tornar realidade!

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