sábado, 16 de agosto de 2014

Primeiro Dia - Milão @Itália

Primeiro dia da viagem de férias foi rico. Depois de passarmos 11 horas no vôo mais cansativo da minha vida, vi que talvez ir pro Japão não seja um sonho pra ficar na lista. À medida que vamos ficando velhos, e não vamos ficando proporcionalmente ricos e continuamos na classe econômica, fica complexo viajar tão longe. Alitalia tem bom atendimento de bordo mas o banco parece uma tábua e me fez lembrar um cinema 4D dos EUA que cutucava as costas em meio ao filme: o banco da Alitália parecia que tinha um cotovelo bem no meio das nossas costas. Pra piorar, um encosto que joga sua cabeça pra frente, como se fosse um "pedala, Robinho" eterno. Vin-gan-ça. Mas não desligue agora: tem uma bendita caixinha de ferro na frente de todo banco, com o tamanho de um estabilizador, que impede que você estique as pernas a menos que seja de pernas abertas. Ruim. Ruim mesmo. Já fiz viagem de 18 horas e dormi 14. Nesta, se dormi uma hora foi muito. Já no vôo começa o lance do fuso: como a Itália está a 5 horas pra frente do Brasil,  umas 16h do Brasil já serviram o jantar ( que seria umas 23h na Itália) e durmam. O máximo que eu já tinha vivido de fuso eram 6 horas de diferença em Seattle, só que pra trás: um paraíso! Meu despertador tocava às 07h e meu corpo acordava feliz da vida, pois pra ele era uma da tarde. Mas aqui é o contrário: já são meia-noite e meia, meu corpo pensando que nem começou o Jornal Nacional e não quer dormir. Mas vamos que vamos. O vôo foi portanto cansativo mas não se pode reclamar. Tinha uma porção de gente no nosso vôo que tinha vivido um trauma no vôo anterior: um moço de 24 anos teve um AVC e faleceu em pleno vôo. Eles estavam sobrevoando o Atlântico, há mais de 4 horas do Brasil, e tiveram que voltar, com o moço que faleceu. E estavam em nosso vôo, tristes e ainda mais cansados, pois somadas às 11 horas do nosso vôo, teriam as 8 horas do outro, fora o trauma. Conversar com a mãe do médico que tentou salvar o rapaz fez parar pra pensar... Quanto nossa vida é frágil, como fazemos planos e planos e planos e de repente, tudo pode acabar, porque pra morrer basta estar vivo, sabe? Rolou uma tristeza mas uma fome ainda maior de viver, de aproveitar tudo que nos é possível, de realizar os sonhos, de ter um compromisso com a alegria e só. Só por isto já foi rico o dia. Pela reflexão.
Chegamos no Aeroporto de Roma, que deve ser porta de entrada pra muitos países da Europa: maior zorra! Tumulto, muita gente do mundo todo, ninguém faz fila, um passando na frente do outro, enfim: o Velho Mundo pode ser primeiro mundo mas não se parece com o primeiro mundo EUA, por exemplo, onde tudo funciona perfeitamente. Mas o fato de estarmos num lugar com pouca violência, poder transitar com minha câmera profissional na rua, já é um fruto a se colher do primeiro mundo. Delicioso fruto! Dizem que a violência aqui é tão pequena que nem as caixas d'água têm ladrão, rs. Mas que é uma bagunça é: furam mais fila que brasileiro, quando conseguem formar fila. À primeira vista deu uma impressão de que a Itália é o "Rio de Janeiro" da Europa: gente despojada, culturalmente mais "malandra", bonita e bronzeada. Tem quem ame, tem quem odeie e segue o jogo! 
Os italianos são de fato, charmosos. Piscadela do piloto no avião à todas as mulheres mostram esse jeito italiano que vemos nos filmes, galanteador, conquistador. As mulheres são igualmente belas: afinal Boticário delas é Versace, né, benne? Mas andam com os cabelos esmarfanhados, parecendo a "Mendigata" do Pânico.
Fomos esquecidos pela agência que deveria ter nos proporcionado o translado aeroporto - hotel. Sem problemas: pegamos táxi e seremos reembolsados. O duro foi participar das gravações do filme Velocidade Máxima 6 com o tal taxista nas auto pistas: mais de 140 km/h , sem seta, brigou com uns 10 nos caminho entre fechadas e freiadas em cima. Não gostei. Eu cogitei mentir que estava grávida pra ver se ele pegava mais leve, mas tive medo de distrai-lo e morrermos. Sem trânsito nenhum pelos 40km percorridos. Estradas boníssimas. E pelo visto os radares de velocitá não funcionam. Nosso anjo da guarda bateu 100% de CPU. Dio mio!
Chegamos no Hotel Una Escandinava, tudo bem bonito e antigo. Estilo clássico europeu. Fomos ao Supermercado pra economizar no almoço. Como diz meu amigo Laki, melhor comer um sanduba no almoço pra jantar, se não fica muito caro. Mas sem sofrimento nenhum, porque o presunto é parma e o queijo é brie. Ficamos encantados no supermercado! Passeamos também na feira mais famosa ce Milão: uma mistura da nossa feira normal de frutas e legumes (pastel não vai estar tendo - risos), somados a bugigangas da China e roupas tipo Bom Retiro, de qualidade e gosto duvidoso. A feira deve ser sinal da crise pois vendem até papel higiênico na rua, coisa que nunca eu tinha visto no Brasil. Não compramos nada na feira. Os feirantes parecem ser do mundo todo. 
Descansamos e aproveitamos o Hotel, bastante confortável, e saímos em busca de um Pub com cervejas artesanais: dobramos a esquina e pronto! Lá estava: BQ. Eu bebi água com gás, deliciosa, e dei umas bicadas nas cervejas do Leo, que encantado ficou a noite toda. E comi um delicioso Hamburguer Gourmet, com gorgonzola e cebolas caramelizadas. Per-fei-to! Cozinha aberta pra gente ver todo o preparo, bar acolhedor e atendimento muito amistoso. 
Nossa língua não é mais tão fraca, onde falávamos que éramos brasileiros, tinha alguém pra nos ajudar e ser gentil falando "obrigada" ou "boa tarde", seja no mercado, no hotel, ou no bar. Portugal aqui do lado ajuda, óbvio.
Saldo do dia do meu digníssimo marido na busca das cervejas perfeitas: Duvel Tripel Hop (que no Brasil custa R$25 e aqui, 2 Euros), as locais que são como Brahmas na Itália, se chama Tuborg, as artesanais: uma com nome de passarinho Cracatua (IPA), Sumer IPA (IPA mais fraquinha com frutas tropicais), Hopbloem 5,7* (amarga) e assim viveu feliz pra sempre! 

Isto porque estamos na terra do vinho! Se formos pra Alemanha...medo!


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