Depois de um longo dia de trabalho, eis que chegamos na casa de meus pais que carinhosamente nos hospedam nesta semana por conta da reforma em nossa casa.
A porta da edícula está trancada. Queremos pegar algumas coisas lá dentro. A chave não entra, não está funcionando.
- Só pode ser culpa do seu pai! - disse minha mãe aflita. - Ele chegou do trabalho com mais uma caixinha de cerveja e eu falei que jogaria fora - minha mãe se preocupa mais com a saúde do velho do que ele próprio, que sabe que não pode beber nem socialmente mas bebe.- Aí ele veio bravo aqui pra fora esconder as cervejas e pôs a chave errada e forçou e agora tá quebrado.
- A culpa é sua, Leu. - meu pai se defende da cozinha. - se você não me importunasse assim, não teria acontecido.
Peguei uma faquinha e tentei, tentei futucar pra ver se voltava o miolo à uma posição que entrasse a bendita chave certa. Nada.
Esperamos meu marido terminar o banho. Veio ele.
Colocou a chave pelo outro lado e não conseguiu de jeito nenhum virar a chave. Viu a faquinha.
- Que é essa faquinha?
- Eu que usei pra tentar arrumar.
- Então a culpa é sua! Você com essa faca estragou e por isso a chave não está virando. Se não minha estratégia iria funcionar.
Olhei bem pra cara dele. O ciclo havia fechado: cada um tinha encontrado seu próprio culpado e a porta continuava lá, trancada e emperrada.
Como me lembrou a vida! Onde a gente perde tanto tempo e energia tentando achar a culpa sendo que isto simplesmente jamais "vai abrir nenhuma porta."
Merece uma crônica, pensei eu.
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