domingo, 7 de setembro de 2014

Filho da Culpa!

Depois de um longo dia de trabalho, eis que chegamos na casa de meus pais que carinhosamente nos hospedam nesta semana por conta da reforma em nossa casa.
A porta da edícula está trancada. Queremos pegar algumas coisas lá dentro. A chave não entra, não está funcionando.
- Só pode ser culpa do seu pai! - disse minha mãe aflita. - Ele chegou do trabalho com mais uma caixinha de cerveja e eu falei que jogaria fora - minha mãe se preocupa mais com a saúde do velho do que ele próprio, que sabe que não pode beber nem socialmente mas bebe.- Aí ele veio bravo aqui pra fora esconder as cervejas e pôs a chave errada e forçou e agora tá quebrado.
- A culpa é sua, Leu. - meu pai se defende da cozinha. - se você não me importunasse assim, não teria acontecido.
Peguei uma faquinha e tentei, tentei futucar pra ver se voltava o miolo à uma posição que entrasse a bendita chave certa. Nada. 
Esperamos meu marido terminar o banho. Veio ele.
Colocou a chave pelo outro lado e não conseguiu de jeito nenhum virar a chave. Viu a faquinha. 
- Que é essa faquinha? 
- Eu que usei pra tentar arrumar.
- Então a culpa é sua! Você com essa faca estragou e por isso a chave não está virando. Se não minha estratégia iria funcionar. 
Olhei bem pra cara dele. O ciclo havia fechado: cada um tinha encontrado seu próprio culpado e a porta continuava lá, trancada e emperrada.

Como me lembrou a vida! Onde a gente perde tanto tempo e energia tentando achar a culpa sendo que isto simplesmente jamais "vai abrir nenhuma porta."

Merece uma crônica, pensei eu. 

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