Victoria é seu nome. Vitória é a palavra da sua vida. Aos oito meses a mãe percebeu que algo estava errado com a pequena. Diagnosticado como verme mas que infelizmente depois de uma semana, com exames mais precisos, foi visto que não se tratava de algo tão simples. Era câncer nos rins. E antes mesmo de completar um aninho de idade a luta pela vida começou: foram anos de quimioterapia. Aos dois anos Vitória era uma bebê linda, carequinha, ainda na luta pela vida. A mãe, Cleide (eu insisto em minha tese de que toda mãe tem um quê de santa), nunca deixou de trabalhar, para garantir que poderia dar o melhor aos filhos. Coração enorme, acolheu Gisele, Ivete e Robson, filhos do primeiro casamento de Ailton, como se fossem seus filhos. "Esperei que eles crescessem pois queria criá-los direitinho. Tinha medo de ter um filho meu e amar mais que eu já amava eles." Pode imaginar do quão altruísta é um ser humano que pensa assim? E depois de 7 anos veio ela: Victoria. Para o chamego dos irmãos mais velhos que sempre ajudaram a cuidar. Nas sessões de quimio no Graac, eram os irmãos que a levavam. Há oito anos Cleide é telefonista da Livraria Cultura no Shopping Market Place. E graças à união da linda família, pôde seguir trabalhando. Mesmo com a doença da filha. Depois de anos de quimio, apareceu um tumor maligno no rim esquerdo de Vic, que aos 3 anos de idade se submeteu a uma cirurgia onde retirou metade do rim esquerdo. Todo este tratamento trouxe uma fragilidade maior em seu pulmão. A pequena já teve pneumonia 18 vezes. Fica hoje na escolinha da Prefeitura de manhã, e infalivelmente o tio da perua a pega todos os dias ao meio dia e a leva para a Recreação durante toda a tarde, onde faz Ballet, Aulas de Religião e outras coisas que a fazem tão esperta. Às 18:30h a perua deixa a pequena em casa, onde a mãe já está esperando com a jantinha quente. Sua comidinha preferida? Carne moída com arroz, tomate e alface. Pra doce não liga. Só gosta de chocolate branco e SÒ se for Galak. Mais nenhum outro. Gosta de assistir desenhos animados e seu preferido é o DORA, A AVENTUREIRA. Quando chegamos no Grajau, bairro onde mora, fomos bem recebidas pela vizinhança e pelos pais da Vic: Cleide e Ailton. Carinhosos, criaram os 4 filhos na doutrina da Igreja. O que nos faz entender a fé e a força para lutar contra toda a doença da Victória. A Victoria estava na casa da amiguinha. O pai foi buscar. Nos contaram que quando tocou o interfone e era a amiga chamando para brincar, ela disse "Ah... pensei que era meu sonho". rsrs. Como se sonho ligasse para a casa das pessoas.
Há 2 anos a assistente social do Graac, que coincidentemente também se chama Dora, a convidou a escrever uma carta para a Make-A-Wish pedindo seu sonho. A mãe achou que, com 3 anos criança nem sonhava. "Acho que eu não perguntava com medo de que ela pedisse algo que eu nunca fosse capaz de dar". Mas a Dora conseguiu arrancar dela o sonho que foi inscrito e que nós, como fadas, temos certeza de que é o verdadeiro sonho da pequena: um quarto decorado da DORA, A AVENTUREIRA.
A irmã mais velha, recém-separada do marido, voltou para a casa dos pais e acabou "tomando" o quarto da Victoria de volta. Então a caminha pequenina da Vic foi pro quarto dos pais. "E agora, Vic? Como fica?"
"Decora só este cantinho com a DORA, A AVENTUREIRA", apontando pra parede onde a caminha fica encostada no quarto dos pais.
"Mas como é o quarto que você tanto sonha?"
"Ah.. - pensou com ar de quem sonha- tem a cama com a Dora. a parede com a Dora, a TV com a Dora..."
Pausa. As fadas anotando.
"Ah! Esqueci! A mesa de vidro da Dora!"?
"Que? Mesa de vidro da Dora? Como é isso?"
"Pra colocar aqui na sala. Meu pai que pediu."
O pai levantou da sala. Envergonhado. (Risos).
Abraçamos a pequena e explicamos que toooodo mundo terá direito um dia à uma fada ou a um gênio da lâmpada. Mas que nós éramos a fada só dela. Então que era pra ela pedir o sonho só dela. Depois viriam outras fadas pro papai. E pra mamãe. Ela entendeu. E repetiu: "Meu quarto da Dora. Minha irmã dorme na sala porque ela ronca". (Risos).
A irmã está temporariamente na casa. Vão alugar um outro apartamento no Grajau para morar com os 2 filhos e o marido, com quem reatou neste mês. Estavam esperando desocupar o apartamento. E então o quartinho voltará a ser da Victoria. Aproveitamos para pegar todas as medidas. A Vic prontamente apareceu com uma trena e tratou de subir na cama para segurar para a gente medir as paredes, janela, etc.
A casa é muito simples. Mas muito espaçosa. É um condomínio habitacional popular. Vai ficar lindo! Mal podemos imaginar.
O aniversário dela será agora dia 17 de Maio. A mãe já programou a folga para levá-la num bate e volta à Praia. A única vez que a pequena foi à Praia foi quando os médicos a desenganaram e disseram para a mãe fazer as suas últimas vontades. Foram com aparelhos e ambulância para a praia, mas mal puderam aproveitar. Hoje, graças a Deus já em manutenção, vai ao Graac e Hospital São Paulo a cada 4 meses rumo a ter alta em definitivo e dar esta estória como vencida de uma vez por todas. Ela tirou o cateter para ir à praia desta vez mais feliz e saudável. Vai ser um dia incrível e a Vic não vê a hora. Outra vontade da Vic na época era ter um cachorro. A gerente da Cleide deu então um poodle, que hoje cresceu, é cego e um "grude" com a menina. A mãe disse que sabe que ela está doente quando o cachorro muda o comportamento e não sai um segundo do lado dela. E o pai reclama que agora ela sarou e o cachorro vai viver mais 12 anos. Ele não parece gostar muito.
A Victoria é linda! Toda de cor de rosa, com tiara de flor nos cabelos cacheados, linda de viver! Espoleta que só ela. Faladeira. Tem sempre na mão um brinquedo que toca as "músicas mágicas de Dora, A Aventureira. Mas que perdeu o CD. Depois descobrimos que os pais que esconderam o CD porque ela não parava de ouvir.
Sabe o nome de todos os personagens. Explicou tudo pra gente.
Foi uma experiência única ter ido ao famoso Grajau, que o Criolo carinhosamente chama de Grajauex. Nos humaniza ver realidades tão diferentes. Eu diria que é difícil, para crianças como a Vic, como nós, fadas que hoje não temos do que reclamar, mas que já fomos muito mais simples e necessitadas na infância, não ter um sonho que seja TER. As pessoas têm tanta coisa! Fiquei lembrando do quanto eu sempre sonhei em ter um quarto só para mim. Mas que dividi a vida toda com meus irmãos. Hoje, sei o quão abençoada fui por ter neles tanto amor e proteção, mas quando a gente é criança, a gente RELAMENTE sonha em TER algumas coisas. E a Victoria sonha em ter este quarto todo decorado da Dora. Com TV, guarda-roupas, cama, cortina, tapete, tudo que se tem direito.
E estamos com nossas varinhas prontas para seguirmos na luta das captações necessárias para fazer um dia inesquecível e uma experiência transformadora para a pequena Vic!
Pra terminar, um trechinho da música do Criolo, conterrâneo da pequena, falando coisas que gostaríamos de dizer a ela:
"Entre o céu e o inferno,
no Grajaú me localizo,
...
Eu tô falando é de atenção,
que dá cola ao coração,
que faz marmanjo chorar
se faltar
um simples sorriso
ou às vezes um olhar
...
Não quero ver
você triste assim não
que a minha música possa
te levar amor."
no Grajaú me localizo,
...
Eu tô falando é de atenção,
que dá cola ao coração,
que faz marmanjo chorar
se faltar
um simples sorriso
ou às vezes um olhar
...
Não quero ver
você triste assim não
que a minha música possa
te levar amor."
#Make-A-Wish
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