quarta-feira, 6 de agosto de 2008

SINAIS


Não tenho muito o que escrever hoje. Somente que sou grata a tudo que tenho aprendido com a vida, por não precisar de cílios postiços para abrir meus olhos a cada amanhecer e por não ser um dos milhares de seres que passam a vida bocejando, “cada um no seu quadrado”.
Também não posso deixar de dizer que ontem realizei um grande sonho de minha vida: fotografei um arco-íris. Pasmem, em meio às mais de 5000 fotos que já tirei na vida, é a primeira vez que consigo fotografar um arco-íris, que na minha opinião, é um dos fenômenos mais graciosos da natureza. E foi bárbaro ver por de cima da Marginal completamente parada, a beleza daquelas cores. Fez-me refletir que há sim, beleza no caos. E que além da minha crença na ciência, que me faz saber que aquilo é o espectro da luz do sol irradiado nas gotas de chuva, senti-me feliz pois tenho outras fés. Biblicamente o arco-íris é a aliança de Deus. Tá lá. Em Gênesis: "Este é o sinal do pacto que deveras estabeleço entre mim e toda a carne que há na terra." Fiquei tão, tão , mas tão feliz simplesmente por estar avistando um arco-íris que pude até entender a paixão de uma amiga por auroras boreais. Então pensei: Deus tá comigo...
E como pude pensar que algum dia não esteve?
Depois do vinho e da terapia de ontem cheguei à conclusão de que minhas equações de terceiro grau estão mais enraizadas do que eu imaginava. E não são raizes quadradas destas que uma calculadorazinha de quitanda resolve. Mas ok. Sou uma pessoa 4x4 movida a desafios. E agora tenho vários relacionados a mim mesma. E fui dormir pensando no quão sábia é a letra da música que cantarolei em pensamento até dormir...

Como nossos pais
(Elis Regina)

Não quero lhe falar meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa...

Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens...
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina, na rua
É que se fez, o seu braço o seu lábio e a sua voz...

Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade não vou voltar pr'o sertão
Pois vejo vir vindo no vento cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração...

Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...


Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu tô por fora ou então que eu tô inventando...
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem...

Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus contando vil metal...
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...

Um comentário:

Tambor disse...

Nao da para comentar...
no meio do salao de beleza, com uma guria no pe e outra na mao ( porque sim, nossa essencia nao muda, mas prioridades e paradigmas sim), uma lagrima escorreu de me remeter a cena descrita.
porque p ver a beleza, Basta n ter os olhos viciados na rotina :)