Ontem fui assistir à peça “Minhas Sinceras Desculpas” de Eduardo Sterblitch.
Para quem esperava uma noite de gargalhadas comuns num stand up, foi uma decepção.
Para quem compreendeu a crítica, gerou reflexão.
Eu me encaixo nos dois casos. Ri menos que imaginei e refleti muito mais do que pensei.
Se antes eu era fã do cara pelas macaquices que ele faz e muito bem no Pânico, agora vai muito além disto: admiro sua audácia e inteligência.
É muito mais profundo que eu imaginava.
De uma forma nada sutil ele faz uma crítica à sociedade frente a cultura (ou falta de) e ao capitalismo selvagem.
Por n vezes rotulou o público como um “público burro” ou “de ricos nojentos”.
São muitas as alfinetadas. E entendi o porquê de tantas críticas negativas à peça que li antes de ir, pesquisando pra comprar (e quis literalmente pagar pra ver).
Mas eu gostei. Muito. Valeu muito a pena.
A parte da crítica aos “burgueses nojentos” não pegou pra mim. Penso bem parecido com ele quanto a me enojar com os esteriótipos de sucesso que a sociedade impõe. Frequentemente choro por dentro vendo pessoas que só têm, mas não são... um dia viro hippie.
Mas o que pegou pra mim foi a crítica ao consumo de cultura.
“Qual a graça e desgraça que há no riso de um banguela”, sabe?
Aqui, eu reconheço a minha culpa, minha tão grande culpa.
Realmente muitas vezes me divirto às custas de um produto barato e mal feito que a TV nos oferece: o próprio Pânico, por exemplo.
Eu gosto de assistir. Eu me distraio e rio um bocado com alguns quadros. Mas fazendo uma análise bem racional da coisa, o Pânico na TV é um misto de rir da desgraça alheia (como os casos da Gorete, Zina e Edinéia Macedo), S.A.M. – Serviço de Atendimento ao Machismo (Panicats), imitações baratas, enfim, tem um quê muito pequeno de humor inteligente.
Por essa e outras que num determinado momento da peça parei de rir. Não porque estava odiando, mas estava pensando.
Num espectro de cultura, não me considero lá no extremo ruim. Não suporto Ratinho, não escuto funk, odeio novela. Gosto de boa música, seja num bar da esquina ou num show do U2, adoro freqüentar teatro (já fui sozinha algumas vezes e não assisto só Stand Ups), vejo filmes, escrevo, leio Super Interessante ao invés de Cláudia, tenho um blog, conquistei bons diplomas e aprecio diferentes culturas (preferindo ir pra lugares roots conhecer gente a comprar bota em Campos do Jordão).
Ainda assim me senti mal.
Resultado: vou tomar mais cuidado com o que consumo, culturalmente falando. E com certeza, quando eu tiver um filho, esta reflexão fará toda a diferença na educação dele.
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