quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Inovação @Casa do Saber

Comecei ontem um curso diferente, sobe INOVAÇÃO, na Casa do Saber (www.casadosaber.com.br)

Como bastante gente tem curiosidade de saber como tem sido, decidi compartilhar.

"Festa estranha, com genter esquisita...". Brincadeira. Lugar bacana, tive aula no 3º andar. No térreo tem uma Livraria da Vila, que já é um lugar que exala cultura. As pessoas são bem diversificadas. Tem eu de 30, e uma senhora que passava dos 70, certamente. Homens, mulheres, jovens e velhos, descabelados e de peruca. A sala era a Azul: poltronas, puffs e sofás azuis (nada de carteiras nem mesas), tipo uma salona bem confortável. No canto da sala um carrinho com água, suco, algo pra beliscar e vinho. Eu e o Lu tomamos vinho pra abrir a mente (rs).


O professor é o João Furtado. Deixa eu dar uma pesquisada no currículo dele aqui no Google, ”pêra”.

O economista João Furtado é professor do Departamento de Engenharia da Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Também coordena o Diretório da Pesquisa Privada e o Observatório de Estratégias para a Inovação, projetos contratados pela Finep e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Fundou, em 1991, e coordenou, de 1998 a 2003, o Grupo de Estudos em Economia Industrial (GEEIN), na Unesp. O cara é bom!


Resumo do que aprendi:


Numa época em que falamos tanto de Inovação, não seria interessante saber a origem de seu conceito teórico? É a isto que se dedica a primeira aula do curso.
Estudamos como definia o sistema capitalista Schumpeter, um autor do século 19, austríaco que foi um visionário ao publicar um livro há cem anos atrás que dizia algumas coisas que somente nos dias de hoje nos parece óbvio.
Aparentemente ambíguo pois, numa época em que ainda se discutia qual o modelo econômico que sobreviveria, ele não apostou que seria o capitalismo. Porém, era do capitalismo um admirador por ser capaz de produzir fluxos crescentes de riqueza.
Ele foi o precursor da Inovação, defendendo que são as coisas novas que geram reação e movem o mundo.


“A dificuldade não está em vender novas idéias. Está em fazer os Homens abandonarem suas idéias antigas”.


(Schumpeter)


Schumpeter era um herege de sua época e não vendeu se quer 500 exemplares de sua primeira publicação.

Seu principal rival era Keynes, muito mais conhecido, compreendido e estudado. Quem nunca ouviu falar da escola Keynesiana? A teoria econômica que consiste numa organização político-econômica fundamentada na afirmação do Estado como agente indispensável de controle da economia, com objetivo de conduzir a um sistema de pleno emprego.
Já Adam Smith tinha como "núcleo normativo" do liberalismo clássico a ideia que economia conseguiria criar uma ordem espontânea ou mão invisível que beneficiaria a sociedade.
E Schumpeter acreditava num capitalismo movido por Inovação: evoluímos e enriquecemos à medida que grandes rupturas na sociedade são promovidas por mudanças técnicas (=inovações).
Exemplo: quando inventamos a roda, quando substituímos cavalos por estradas de ferro (trens), inserção dos carros no dia a dia das pessoas, a Eletricidade, a Internet, etc.
Ele estava preocupado em estudar as “grandes ondas” da história da humanidade, enquanto os outros, analisavam de forma mais micro o ano após ano ao longo do tempo.


Resumidamente defendia 6 pontos:


1) Uma dinâmica baseada na Inovação.
São pequenos pontos na história que se sustentam ao longo de muitos anos. Exemplo: eletricidade.

2) Quem faz a diferença é o empreendedor e não necessariamente o capitalista (“dono do dinheiro”).
Na verdade o capitalista (“dono do dinheiro”) tenderá a financiar o empreendedor (“dono da idéia”) pois é nele que está a capacidade de rentabilizar ainda mais seu capital.
O que move o sistema, o que possibilita o dinâmico progresso é o indivíduo empreendedor.

3) O poder de mercado (e o monopólio) como virtude.
O melhor meio (mais adequado e provável) para permitir arriscar é o PODER. Quanto mais poder tem uma empresa, mais pode arriscar e portanto mais contribuirá para o progresso técnico.

4) O papel do crédito e sua criação.
Para que se promova idéias, é preciso ter dinheiro. Portanto o crédito é fundamental. Sem crédito entramos no que o autor chama de Estado Estacionário, um estado medíocre sem inovação e sem lucro. E que despertará quando um louco diz: “As pessoas vão andar sobre rodas!”

5) A transformação como norma de funcionamento do sistema – negação do equilíbrio.
Ao contrário de outros pensadores que pregam o equilíbrio como responsável pelo funcionamento do sistema capitalista, Schumpeter crê que o sistema é uma máquina de mudanças (gostemos ou não) e o capitalismo só existe por conta das revolucionárias rupturas.

6) O bem estar crescente como desígnio.
O propósito sempre será ganhar mais dinheiro através de inovações massificadoras. O nylon é a seda que todo mundo pode comprar.

Enxergar tudo isto há 100 anos atrás era verdadeiro vaticínio (profecia). Ainda assim, na opinião dele não seria o capitalismo o sistema predominante e permanente.
Também, em alguma coisa o cara tinha que errar, né?
Ou será que um dia isso muda e ele é mais visionário do que podemos enxergar hoje?
#VaiSaber.

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