sábado, 12 de julho de 2014

"Amor que não se percebe..."

Vindo embora hoje da casa de amigos, veio a notícia de uma conhecida do meu marido que morreu aos 26 anos, por alguma doença desconhecida e fulminante, deixando um filho de um ano de idade. Coisa triste. A gente sempre se põe no lugar. Pensei: "e se fosse comigo? E se eu, de repente, tivesse que parar tudo? Deixar de lado o próximo aniversário, não ver a reforma da casa terminada, não responder aquele email importante do trabalho que deixei pra segunda de manhã? Não ter dado tempo de viajar pra onde sonhei e nem tido os filhos que planejei? E Minutos antes da minha morte? Será que vou saber que vou morrer? E acreditando na vida eterna? Acreditando que tudo continua? Vou ter a mesma coragem que quando pulei de pára-quedas no mês passado? Do tipo: 'tem que ir, vamos logo?' Acho que sim. Frases clichês vêm à mente: "Coragem não é ausência do medo. É a capacidade de enfrentá-lo." Considero-me corajosa. Mas logo perco a certeza. Deve ser porque não estou morrendo..."
Silêncio no carro. A morte é fogo. Sempre faz refletir. Dirigi até com mais cuidado. 
Flashes. "Será que digo 'eu te amos' suficientes em vida?" 
É Fim de Copa do Mundo para o Brasil. Perdemos vergonhosamente para a Holanda de 3x0 hoje. Pra piorar os 7x1 contra a Alemanha da última terça. Rola uma depressão coletiva no País do Futebol. Pois como diz num comercial de TV, enquanto todo o mundo joga futebol, aqui no Brasil a gente VIVE futebol. Todo mundo sempre acha que toda seleção brasileira tem potencial pra ser campeã em todas as copas. Aí, quando não é, fica falação de que a Copa é comprada, que é tudo combinado (talvez seja. Revista Ti Ti Ti é bobagem, mas episódio de Os Simpsons "adivinhando" que Neymar sairia gravemente ferido e que perderíamos pra Alemanha é pra, no mínimo, levantar suspeitas), enfim, ou dizem que demos azar, afinal, literalmente quebraram nosso camisa 10 e a arbitragem errou demais. Mas Vendo os dois últimos jogos, eu diria que demos foi muita é sorte em chegarmos como a quarta melhor seleção. Mas enfim, no País do Futebol, só se fala de futebol. A notícia sobre os 135 palestinos mortos versus 1 israelense morto passa desapercebida na galera. Quando vi até me senti na obrigação de "desintristecer" pela derrota do Brasil. #Sejes (expressão que usamos pra dizer brincando "sejes homi" quando alguém está com frescurinha). 
Faleceu hoje também o jornalista e médico Osmar Oliveira.
Muito luto pra um dia só. Silêncio no carro. Fecha o semáforo. Em São Paulo, direção defensiva, aquela que você finge que vai mas não vai. Ônibus na faixa do lado parando no ponto. Noite fria, em todos ls sentidos. Eis que uma cena salva a noite: um casal correndo para alcançar o ônibus parado. Oh, não! Só a mulher sobe, só ela vai embora! Um beijo de despedida, que exala amor. Ela entra, senta, e com cara de apaixonada acena pela janela. Ele, do lado de fora, igualmente apaixonado dá tchau com jeito que queria ir. Salvou minha noite. 
Ah, o amor! 
Nem eram adolescentes. Deviam ter seus mais de 35 anos cada. Mas o último amor nunca é menos lindo que o primeiro...
A noite não estara mais fria. 
Olhei pro lado, meu marido dormindo. Meu coração se encheu de gratidão por tê-lo em minha vida. Graças a Deus estávamos indo para a mesma casa, para a mesma cama... Quando a gente namorava, eu sofria horrores em ter que me despedir e dormir longe. Sempre fui grude. E lembro que pensava: "quando me casar vou me lembrar como desejei isto um dia e nunca vou me esquecer do quão duro era ficar sem ele perto, ao menos no final de cada noite. Isso me fará amá-lo mais." De fato. Hoje lembrei. E o amei mais. E minha noite saiu do preto de luto para cor-de-rosa com bolinhas brancas. 
Ah, o amor...

Foto de autor desconhecido. E Que o Amor seja capaz de cessar essa Guerra, que de Santa não tem nada. 

Nenhum comentário: